A pesquisa Quaest divulgada em setembro recolocou a disputa pela Presidência no centro do noticiário: o presidente Lula (PT) aparece com 37% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 30%, no cenário estimulado, a menos de um mês do primeiro turno. O levantamento é um dos vários registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta reta final e ajuda a medir a temperatura da corrida de 2026.
Fonte: Genial/Quaest, registro TSE BR-07065/2026, 1º de setembro de 2026
Como a pesquisa Quaest foi feita
Toda leitura de uma intenção de voto começa pela metodologia, e é ela que separa dado de boato. A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 30 de agosto e 1º de setembro de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e 95% de confiança. O contratante foi o grupo Globo, e o estudo está registrado no TSE sob o número BR-07065/2026, como exige a legislação para toda pesquisa divulgada em ano de eleição.
Vale distinguir dois tipos de pergunta. No cenário estimulado, o entrevistado escolhe a partir de uma lista de nomes lida pelo pesquisador, e é dele que saem os 37%, 30% e 10% divulgados. Existe ainda o cenário espontâneo, em que a pessoa responde sem lista, e nele os percentuais costumam ser menores, porque dependem da lembrança do eleitor. Somados os três primeiros colocados, sobram cerca de 23% distribuídos entre os demais nomes, votos brancos e nulos e quem ainda não sabe, uma fatia grande a menos de um mês da votação.
Os números da Quaest chegam enquanto o TSE ainda finaliza a etapa dos registros de candidatura. O tribunal tem até 14 de setembro para julgar e homologar ou barrar cada pedido de registro à Presidência, e alguns nomes seguem dependendo dessa decisão. Enquanto o prazo não fecha, os institutos continuam a medir a intenção de voto de todos os pré-candidatos que já aparecem no cenário estimulado, o que explica a sucessão de levantamentos divulgados nos últimos dias.

O calendário até outubro
A corrida presidencial tem prazo curto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026 e o eventual segundo turno para 25 de outubro, seguindo a regra da Lei das Eleições, que fixa a votação no primeiro e no último domingos de outubro. Entre uma data e outra, o eleitor acompanha o horário eleitoral, os debates e a leva quase diária de pesquisas, cada uma com seu registro no tribunal. É essa contagem regressiva que dá peso a cada ponto percentual medido agora.
Um detalhe do sistema costuma passar batido: só vão ao segundo turno os dois mais votados, e apenas se nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos já no primeiro. Votos válidos não incluem brancos e nulos, o que muda a conta que os institutos simulam. Por isso as pesquisas trazem, além do cenário de primeiro turno, testes de segundo turno entre os nomes mais competitivos, que ajudam a enxergar quem tem mais espaço para crescer quando o campo se reduz a dois.
- 14/09/2026
Prazo dos registros
Limite para o TSE julgar os registros de candidatura à Presidência.
- 04/10/2026
Primeiro turno
Votação em todo o país, inclusive na Paraíba, para presidente, governador, Senado e Câmara.
- 25/10/2026
Eventual segundo turno
Ocorre se nenhum candidato passar de 50% dos votos válidos no primeiro turno.
Antes de tratar a diferença entre os dois primeiros colocados como vantagem consolidada, vale olhar a margem de erro. Com 2 pontos para cima ou para baixo, os 37% de Lula podem variar de 35% a 39%, e os 30% de Flávio Bolsonaro, de 28% a 32%: a distância entre eles fica acima da margem, mas ainda é uma fotografia de um momento, não uma previsão de resultado. A leitura isonômica pede comparar esta Quaest com as próximas e com outros institutos, em vez de fixar um número só. Vale lembrar que a decisão passa pelo Congresso que sai das urnas, tema que o CG em Foco acompanha ao detalhar a bancada federal da Paraíba e a Assembleia Legislativa do estado.

O que observar na reta final
O cenário estimulado, em que o entrevistado escolhe a partir de uma lista de nomes, tende a se firmar à medida que as candidaturas são homologadas e a propaganda começa. Daqui até outubro, três sinais merecem acompanhamento: se a diferença entre os primeiros colocados se mantém acima da margem, como se distribuem os votos de quem hoje aparece em terceiro ou na indecisão, e o desempenho de cada nome em um eventual segundo turno. Para o eleitor da Paraíba, que vota no mesmo 4 de outubro, a corrida nacional divide a cédula com as disputas para governo, Senado e Câmara, e é o conjunto delas que vai definir o mapa de forças dos próximos quatro anos.
Uma última recomendação de leitura vale para qualquer pesquisa eleitoral: nenhum número isolado decide a eleição, e o certo é comparar séries do mesmo instituto ao longo do tempo e cruzar institutos diferentes na mesma janela. Um levantamento é uma fotografia, tirada com método e margem declarados, não uma aposta. O CG em Foco vai acompanhar as próximas rodadas, sempre com o registro no TSE, o período de campo, o número de entrevistados e a margem de erro à vista, para que o leitor julgue o dado com as mesmas informações que a Justiça Eleitoral exige de quem divulga. Assim, quando os percentuais mudarem, e eles vão mudar, fica claro para o leitor o que é apenas oscilação dentro da margem de erro e o que é, de fato, movimento real na disputa pela Presidência.
Fonte oficialDados da pesquisa Genial/Quaest, registro TSE BR-07065/2026, divulgada em setembro de 2026.
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