A menos de dois meses do primeiro turno, a corrida presidencial já é a mais medida do país: o Tribunal Superior Eleitoral tem 679 pesquisas para presidente registradas em 2026, das quais 625 já tinham data de divulgação até 24 de agosto. O número não é estimativa nossa: vem do registro oficial que toda pesquisa eleitoral é obrigada a fazer antes de ir a público. É o que permite, a qualquer eleitor, checar quem está pesquisando a eleição, com que frequência e com que tamanho de amostra, sem depender do que cada instituto escolhe destacar quando anuncia um resultado.
Cada nova pesquisa que aparece na imprensa é uma dessas 625. Em vez de repassar um número solto de intenção de voto, este acompanhamento organiza o registro inteiro: mostra o mercado por trás das manchetes, que é onde se enxerga se um instituto é frequente ou pontual, e se o ritmo de medição está acelerando à medida que a campanha esquenta.
Fonte: TSE, Dados Abertos, Pesquisas Eleitorais 2026
Quem mais pesquisa a eleição presidencial
O registro permite ver quem está no mercado. Entre as presidenciais já divulgadas, o instituto Verita lidera com 90 pesquisas, seguido da Real Time Big Data com 58. Depois vêm Quaest (39), Instituto Paraná (26), AtlasIntel (25) e 100 Cidades (25). É por isso que um levantamento novo da Real Time Big Data circula com tanta força: o instituto é um dos que mais aparecem no calendário da disputa.
O ritmo se intensificou no fim do período: foram 115 pesquisas presidenciais divulgadas só em agosto, o mês mais movimentado até aqui, num sinal claro de que a disputa entrou na reta de maior atenção. Quanto mais perto da votação, mais institutos entram em campo e maior a frequência de cada um, porque é quando o resultado da pesquisa eleitoral mais influencia o debate público. Cada amostra tem tamanho próprio, e o registro traz esse dado, que ajuda a ler a margem de erro de cada levantamento antes de comparar um número com o outro.

As pesquisas presidenciais mais recentes
As últimas registradas com divulgação até esta segunda mostram a variedade de plano amostral em jogo, de cerca de 800 a mais de 2 mil entrevistados por levantamento. O protocolo ao lado é o número que identifica cada pesquisa perante a Justiça Eleitoral.
| Instituto | Amostra | Divulgação | Registro |
|---|---|---|---|
| Verita | 2.030 | 24/08 | BR050042026 |
| Quaest | 804 | 24/08 | BR071602026 |
| Verita | 1.525 | 24/08 | BR046052026 |
| Nexus | 2.000 | 24/08 | BR090282026 |
| Verita | 1.220 | 24/08 | BR086532026 |
Fonte: TSE, Dados Abertos, Pesquisas Eleitorais 2026
O que o registro mostra, e o que não mostra
O dado aberto do TSE é a espinha dorsal: diz quais pesquisas existem, de quem, quando e para qual cargo. O que ele não traz são os percentuais de cada candidato: esses ficam no relatório em PDF que o instituto anexa ao registro, consultado caso a caso no sistema da Justiça Eleitoral. Por isso este acompanhamento mostra o mercado de pesquisas, e não um número de intenção de voto que não poderíamos atribuir à fonte primária.
A obrigação de registrar vem da Lei das Eleições (Lei 9.504/1997): qualquer pesquisa de intenção de voto tem de ser registrada no TSE até cinco dias antes da divulgação, com metodologia, contratante e plano amostral. É essa exigência que transforma cada levantamento em dado público conferível, e que sustenta a leitura acima. O registro fica no sistema da Justiça Eleitoral, e o descumprimento sujeita o responsável a multa e à suspeição da própria pesquisa.
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Por que 679 registradas, mas 625 divulgadas
A diferença entre os dois números tem explicação simples e ajuda a não superestimar o que já está na praça. Uma pesquisa é registrada quando o instituto protocola o plano na Justiça Eleitoral; ela passa a divulgada quando chega a data que o próprio instituto informou para tornar os resultados públicos. Como o registro é feito com antecedência, parte das 679 presidenciais ainda tem data de divulgação à frente no calendário: são levantamentos já planejados, cujos números não vieram a público. Por isso este acompanhamento conta as 625 que já passaram dessa data, e não o total bruto, que embutiria pesquisas ainda não divulgadas e daria uma impressão inflada do que está na praça hoje.
- Já divulgadas 625
- Divulgação ainda à frente 54
O tamanho da amostra e o que ele diz
Cada linha do registro traz o número de entrevistados, e ele não é detalhe. A margem de erro de uma pesquisa depende diretamente do tamanho da amostra: quanto mais entrevistados, menor a incerteza estatística sobre o resultado, para um mesmo intervalo de confiança. Nos levantamentos presidenciais mais recentes, a amostra vai de cerca de 2 mil a pouco mais de 800 pessoas, faixa comum em pesquisa de alcance nacional. Ler o percentual de um candidato sem olhar a amostra e a margem é o erro clássico de quem trata pesquisa como placar de jogo de futebol, e não como estimativa com um intervalo de incerteza declarado em torno do número.
Não é só a corrida presidencial
O presidente é o cargo mais medido, mas não o único. O mesmo registro do TSE acumula milhares de pesquisas para governador e Senado país afora, e a Paraíba entra nessa conta com a disputa pelo Palácio da Redenção e por uma das cadeiras do Senado do estado. O acompanhamento estadual, com o recorte que interessa ao eleitor paraibano, fica reunido na página de Eleições, alimentada pelo mesmo dado oficial e atualizada diariamente. Para o cenário completo, veja também as regras da propaganda eleitoral e o perfil do eleitorado paraibano; o registro diário fica na página de Eleições.
Fonte oficialApurado no registro de pesquisas do TSE em Dados Abertos, contado por nós até 24 de agosto de 2026.
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