Campina Grande alcançou a melhor nota da sua história no Ideb 2025, divulgado em 5 de agosto de 2026. Segundo a Secretaria de Educação, a rede municipal registrou 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, e 4,9 nos anos finais, do 6º ao 9º ano, com crescimento em todos os indicadores da educação municipal.
Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, calculado pelo Inep a cada dois anos. Combina o desempenho dos estudantes em avaliações com o fluxo escolar, numa nota de 0 a 10.
O avanço colocou a cidade acima das médias estadual e nacional. O crescimento de 16,67% superou tanto a média do Brasil, de 6,38%, quanto a da Paraíba, de 11,90%. Nas duas etapas, a nota da rede municipal de Campina Grande ficou à frente da média da rede pública paraibana, que foi de 5,9 nos anos iniciais e 4,7 nos anos finais.
Fonte: Prefeitura de Campina Grande, ago. 2026
O que o Ideb mede
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o IDEB, é o principal termômetro da qualidade da educação no país. Ele combina dois fatores: o desempenho dos estudantes em avaliações padronizadas e o fluxo escolar, isto é, a taxa de aprovação ao longo dos anos. A parte do aprendizado vem do Saeb, o Sistema de Avaliação da Educação Básica, prova aplicada pelo Inep em Língua Portuguesa e Matemática. Por reunir aprendizagem e trajetória em um só número, o índice permite comparar redes e acompanhar a sua evolução ao longo do tempo. A nota varia de 0 a 10, e o cálculo penaliza tanto a rede que aprova alunos sem o aprendizado esperado quanto a que retém estudantes sem fazê-los avançar. O IDEB é divulgado a cada dois anos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep, órgão do governo federal, e cada rede tem metas próprias projetadas a partir do seu ponto de partida. O resultado agora divulgado se refere ao Ideb 2025, e mede a rede municipal, responsável pelos anos iniciais e finais do ensino fundamental na cidade. Por medir simultaneamente o quanto o aluno aprende e o quanto ele progride na escola, o índice funciona como uma síntese da qualidade do ensino, e não apenas do desempenho em uma prova isolada.
Uma série que vinha subindo desde 2007
Os números de 2025 não surgem do nada: eles fecham uma série histórica que o Inep acompanha desde 2007 e que a plataforma QEdu organiza por rede. Nos anos iniciais, a nota da rede municipal saiu de 3,3 em 2007 e chegou aos 6,0 em 2025, superando o melhor resultado anterior, de 5,5 em 2019. Nos anos finais, o mesmo movimento: de 2,6 em 2007 para 4,9 em 2025, acima do pico anterior, de 4,8 em 2021. É esse conjunto que sustenta, com dado oficial, a leitura de melhor marca já registrada pela cidade nas duas etapas do ensino fundamental.
| Ano | Anos iniciais | Anos finais |
|---|---|---|
| 2007 | 3,3 | 2,6 |
| 2009 | 3,8 | 2,9 |
| 2011 | 4,2 | 2,9 |
| 2013 | 4,3 | 3,4 |
| 2015 | 4,7 | 3,7 |
| 2017 | 5,2 | 3,8 |
| 2019 | 5,5 | 4,6 |
| 2021 | 5,2 | 4,8 |
| 2023 | 5,4 | 4,2 |
| 2025 | 6,0 | 4,9 |
Fonte: Inep, série histórica via QEdu (2007 a 2023); Prefeitura de Campina Grande (2025)
Do resultado de 2023 ao salto de 2025
Com a série, é possível medir o avanço em pontos que o balanço da Prefeitura não trouxe. Nos anos iniciais, a nota subiu de 5,4 em 2023 para 6,0 em 2025, alta de 0,6 ponto. Nos anos finais, de 4,2 para 4,9, avanço de 0,7 ponto, que corresponde justamente aos 16,67% de crescimento destacados pela gestão. A série também deixa ver como o índice se forma: em 2023, a nota de 5,4 nos anos iniciais reuniu um aprendizado de 5,56 no Saeb com um fluxo escolar de 0,97, com cada rede perseguindo a sua meta projetada pelo Inep.
Crescimento acima da média nacional
O dado que a gestão destaca é o ritmo de avanço. Enquanto o Ideb do Brasil cresceu 6,38% e o da Paraíba, 11,90%, o de Campina Grande subiu 16,67%, o maior dos três recortes. Esse crescimento mais acelerado é o que faz a cidade não apenas manter, mas ampliar a distância em relação às médias de referência, e sustenta a leitura de que a rede vem recuperando terreno de forma consistente após os impactos da pandemia sobre a aprendizagem. Crescer mais rápido do que o país e do que o estado tem um significado prático: em vez de acompanhar a média, a rede municipal encurta a defasagem que a pandemia abriu e se aproxima de patamares que costumam ser referência de qualidade. Na etapa dos anos iniciais, a nota de 6,0 é simbólica, por ser o patamar historicamente associado à média de países desenvolvidos nas avaliações internacionais que inspiraram o desenho do índice no Brasil.
Mais escolas avaliadas e recuperação pós-pandemia
Além do salto na nota, a rede ampliou a própria base de avaliação: o número de escolas municipais avaliadas pelo Ideb passou de 63, em 2023, para 83 em 2025. A ampliação é relevante porque um índice calculado sobre mais escolas tende a ser mais representativo da rede como um todo, e não apenas de um grupo restrito de unidades. Uma nota alta obtida sobre poucas escolas pode refletir o desempenho de um núcleo selecionado; a mesma nota mantida sobre um número maior de unidades sugere que o resultado se distribui de forma mais ampla pela rede. Elevar a base avaliada e, ao mesmo tempo, subir a nota é um resultado mais difícil de alcançar do que melhorar o número em um conjunto estável de escolas, porque cada nova unidade traz realidades distintas de infraestrutura, formação docente e perfil dos estudantes. Por isso a gestão trata o duplo movimento, mais escolas e nota maior, como o dado central do balanço. Para o secretário municipal de Educação, o resultado confirma o rumo da política adotada. “Ver Campina Grande obter a melhor nota da sua história no IDEB e ter um crescimento acima da média nacional é um atestado de que o trabalho desenvolvido ao longo desses anos está no caminho certo”, afirmou.

A gerente de Avaliação da Secretaria de Educação, Marília Rocha, associou o número ao trabalho pedagógico acumulado. “Nós recebemos esse resultado do IDEB de 2025 com muita alegria, mas também com a certeza que ele é fruto de um trabalho sério, planejado e construído por muitas mãos”, disse. O resultado dialoga com outros indicadores educacionais divulgados pela gestão ao longo do ano, como o salto de 44% na alfabetização, a entrega da nova Escola Municipal Tiradentes e o Plano Municipal de Educação, que juntos compõem o retrato da rede no período.
O que ainda não foi divulgado
O balanço da Prefeitura trouxe apenas os números de 2025; a série anterior, com as notas de cada edição e as metas já cobradas, vem do Inep e da plataforma QEdu. O que ainda não está disponível é a meta projetada pelo Inep para o município em 2025, nas duas etapas, que permitiria dizer se a rede bateu ou não o alvo do ano. Também seguem pendentes o desempenho por escola e por região da cidade em 2025 e a separação entre aprendizado e fluxo escolar dessa edição, que o Inep costuma publicar meses depois do resultado geral, quando é possível ver o quanto do avanço veio do Saeb e o quanto veio da melhora do fluxo. Com a série já disponível, a evolução da rede poderá ser acompanhada nas próximas edições do indicador, que é bienal, e no detalhamento por unidade que fecha o retrato de cada ano.
Fonte oficialResultado de 2025 na Prefeitura e série histórica no Inep, via QEdu.
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