A rede municipal de ensino de Campina Grande voltou a ser reconhecida em âmbito nacional em 2026. Segundo a Prefeitura, o município teve práticas pedagógicas reconhecidas pela segunda vez no Edital de Experiências Inspiradoras em Educação Integral em Tempo Integral e recebeu, no início de agosto, uma comitiva de educadores de outros estados interessados em conhecer de perto o que a cidade vem construindo na educação em tempo integral. A visita foi divulgada em 6 de agosto de 2026.
O reconhecimento inseriu a rede municipal na Rede de Trocas de Experiências Inspiradoras, descrita pela Prefeitura como uma “iniciativa que promove o intercâmbio de práticas entre redes públicas de ensino de diferentes regiões do país”. Na prática, o selo funciona menos como um troféu e mais como um convite: as redes reconhecidas passam a receber colegas de outros territórios para mostrar, no dia a dia da escola, como colocam em pé projetos que deram certo.
Fonte: Prefeitura de Campina Grande, ago. 2026
A comitiva reuniu dez participantes de quatro municípios e de uma rede estadual. Estiveram em Campina Grande representantes de Camaçari e Vera Cruz, na Bahia, de Caicó, no Rio Grande do Norte, de Tauá, no Ceará, e da Rede Estadual de Sergipe. O grupo percorreu escolas e creches da rede, além de espaços como a Seduc e os Cepacs, para observar como as práticas reconhecidas se traduzem em rotina pedagógica.
| Rede visitante | Estado |
|---|---|
| Camaçari | Bahia (BA) |
| Vera Cruz | Bahia (BA) |
| Caicó | Rio Grande do Norte (RN) |
| Tauá | Ceará (CE) |
| Rede Estadual de Sergipe | Sergipe (SE) |
Fonte: Prefeitura de Campina Grande, ago. 2026
O que a comitiva foi ver de perto foram duas experiências da rede. A primeira, “Brincar é Viver: territórios de exploração”, trata o brincar como estratégia de currículo integrado na Educação Infantil em Tempo Integral, ou seja, organiza os espaços da creche de modo que a criança aprenda enquanto explora o ambiente. A segunda, “Retalhos, Memórias e Sustentabilidade”, aposta na educação ambiental como fio condutor de um trabalho que junta memória, reaproveitamento de materiais e cuidado com o entorno. As duas nascem do mesmo princípio: aproveitar o tempo maior da jornada integral para ir além do conteúdo tradicional de sala de aula.
Modelo em que o estudante permanece na escola por uma jornada ampliada, em geral de sete horas ou mais por dia. O tempo a mais não serve só para reforço escolar: é usado para ampliar o currículo com atividades como arte, esporte, cultura, educação ambiental e projetos de exploração, articulando aprendizagem e convivência ao longo do dia.
Para quem veio de fora, a viagem teve o tom de aprendizado. A secretária executiva de Educação de Tauá (CE), Alidiane Marques, resumiu a impressão da comitiva. “Esse momento de imersão tem sido muito satisfatório. Nós temos encontrado, dentro da rede de Campina Grande, diversas experiências que pretendemos levar para o nosso município”, afirmou. A fala expõe o sentido prático da Rede de Trocas: mais do que observar, os visitantes buscam soluções que possam ser adaptadas às próprias realidades.

Outra visitante fez questão de destacar o modo como foi recebida nas unidades da rede. A representante da Rede Estadual de Sergipe, Rosângela Francisco da Conceição, chamou atenção para o papel dos alunos no acolhimento da comitiva.
Ela detalhou a experiência da imersão nas escolas. “Para a gente, é um momento rico e de grande aprendizagem. A gente está levando daqui essa acolhida, com os estudantes sendo protagonistas da própria escola, nos recebendo aqui com arte. Então, estamos aqui na condição, principalmente, de aprendizes”, disse. O relato reforça um ponto que a rede municipal tem colocado no centro do discurso pedagógico: o protagonismo dos estudantes como parte do método, e não como enfeite.

Um reconhecimento que se repete
A comitiva foi recebida pelo secretário municipal de Educação, Raymundo Asfora Neto. Do lado da rede, a leitura oficial é a de que o reconhecimento de 2026 confirma um caminho já trilhado. A diretora de Apoio às Escolas da Seduc, Ana Lúcia Fernandes, situou o feito no tempo. “Em 2026, a Rede Municipal teve novamente suas práticas reconhecidas no Edital de Experiências Inspiradoras em Educação Integral em Tempo Integral, consolidando o município como território de referência na construção de experiências que articulam currículo, espaços educativos e protagonismo dos estudantes”, declarou. A palavra “novamente” é a chave da frase: trata-se da segunda vez que a rede aparece nesse mapa.
Esse reconhecimento se soma a outros indicadores recentes da educação campinense. A cidade já havia registrado a melhor nota de sua história no Ideb 2025 e vem investindo em frentes como o salto na alfabetização na idade certa e o PDDE municipal para escolas e creches. O selo de experiências inspiradoras se encaixa nesse conjunto por um motivo distinto dos demais: ele não mede desempenho em prova, e sim o valor pedagógico de práticas que outras redes querem copiar.
Para Campina Grande, há também um ganho simbólico. Ser porta de entrada de educadores de quatro estados posiciona a rede municipal como formuladora, e não apenas consumidora, de políticas de educação integral. É um deslocamento de papel: a cidade que costuma buscar modelos em centros maiores passa, nesse recorte, a exportar os próprios. Resta ver se o reconhecimento se converte em continuidade das práticas e em ampliação da oferta de tempo integral para além das unidades já visitadas.

O que ainda não foi divulgado
O material divulgado pela Prefeitura destaca o reconhecimento e a visita, mas deixa lacunas que ajudariam a medir o alcance do modelo. Não foram informados o número de matrículas em tempo integral na rede municipal, nem quantas escolas e creches já operam nesse formato ou qual a meta de expansão para os próximos anos. Também não foi divulgada a entidade que organiza o Edital de Experiências Inspiradoras, tampouco quantas redes de todo o país integram a Rede de Trocas ou quais critérios definem as práticas selecionadas. Sem esses dados, é possível afirmar que a rede foi reconhecida duas vezes, mas não dimensionar quantos estudantes campinenses são, de fato, alcançados pelo tempo integral. São números que só a própria rede pode fornecer e que dariam ao reconhecimento a escala que o discurso sugere.
Fonte oficialInformação apurada em fonte oficial: a Prefeitura de Campina Grande.
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