A educação pública de Campina Grande melhorou em todas as etapas no Ideb 2025, o índice que o Inep divulgou neste ano medindo aprovação e desempenho das escolas. A rede municipal alcançou 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental e a rede estadual chegou a 4,5 no ensino médio, a maior alta do período. Em todas as etapas comparáveis, a cidade ficou acima da média da Paraíba.
O Ideb combina duas informações numa escala de 0 a 10: a aprovação escolar, tirada do Censo Escolar, e o desempenho dos alunos nas provas do Saeb. Ele é divulgado a cada dois anos, e por isso a leitura mais honesta de um resultado é olhar a evolução da própria rede, e não apenas a foto de um ano. Em Campina Grande, segunda maior cidade da Paraíba, essa evolução foi de alta em toda a linha.
Fonte: Inep, Ideb 2025 e 2023 por município
Onde a cidade cresceu mais
O salto mais forte veio no ensino médio da rede estadual, que passou de 3,7 para 4,5 em dois anos, uma alta de 0,8 ponto. Os anos finais do fundamental, a etapa mais difícil da educação básica no país inteiro, também avançaram bem: 0,7 ponto na rede municipal, de 4,2 para 4,9, e 0,8 na estadual. Nos anos iniciais, a base do sistema, a rede municipal subiu de 5,4 para 6,0.
Esse movimento tem peso porque parte das notas já cumpre, com folga, a última meta oficial que o Inep chegou a fixar, a de 2021. Nos anos iniciais municipais, a meta de 2021 era 5,4, e a nota de 2025 foi 6,0; no ensino médio estadual, a meta era 3,7 e o resultado chegou a 4,5. Como não há meta publicada para 2025, é essa a referência possível, ao lado da própria evolução.
Como Campina Grande se compara
Colocada ao lado das médias da Paraíba e do Brasil, a cidade sai bem no recorte estadual. Na rede estadual dos anos iniciais, Campina Grande marcou 6,2 contra 5,6 da média paraibana, uma vantagem de 0,6 ponto. No ensino médio, os 4,5 da cidade superam tanto a média da PB, de 4,1, quanto a do Brasil, de 4,3. Nos anos iniciais da rede municipal, a nota fica praticamente na média nacional, o que já é um bom resultado para uma rede pública do interior nordestino, historicamente atrás das capitais e das redes do Sul e Sudeste no ranking educacional.
| Etapa e rede | Campina Grande | Média PB | Média Brasil |
|---|---|---|---|
| Anos iniciais (municipal) | 6,0 | 5,9 | 6,1 |
| Anos iniciais (estadual) | 6,2 | 5,6 | 6,4 |
| Anos finais (municipal) | 4,9 | 4,7 | 4,9 |
| Anos finais (estadual) | 4,7 | 4,6 | 5,1 |
| Ensino médio (estadual) | 4,5 | 4,1 | 4,3 |
Fonte: Inep, Ideb 2025, abas municipais, estaduais e nacionais
A comparação usa sempre a mesma rede quando possível, para não misturar realidades diferentes: a rede municipal da cidade contra as médias municipais, e a estadual contra as estaduais. É um cuidado que evita o erro comum de confrontar uma escola de bairro com a média de um sistema inteiro, comparação que distorceria a leitura e produziria uma conclusão que os próprios dados oficiais não sustentam.

O avanço nos anos finais merece atenção porque é ali, entre o sexto e o nono ano, que a educação básica brasileira costuma travar: é a etapa em que a evasão cresce e as notas nacionais patinam há anos. Uma alta de 0,7 ponto na rede municipal e de 0,8 na estadual, no mesmo intervalo, indica que a rede conseguiu segurar o aluno na escola e melhorar o desempenho justamente na fase mais difícil, e não apenas na base, onde os ganhos costumam vir com menos esforço.
Vale ainda entender o que a nota mede, para não superinterpretar. O Saeb é a prova aplicada a cada dois anos que afere português e matemática, e o Censo Escolar fornece a taxa de aprovação; o Ideb multiplica um pelo outro. Por isso uma nota pode subir por dois caminhos, alunos aprendendo mais ou menos reprovação, e o índice não separa os dois efeitos. É uma distinção que a fonte não entrega pronta e que convém manter à vista antes de transformar um número em bandeira.
Por que o Ideb importa para a cidade
Um índice de educação em alta não é um troféu de gestão, e sim um sinal sobre o futuro do trabalho e da renda da cidade. Anos iniciais fortes indicam alfabetização na idade certa, e um ensino médio que avança é o que sustenta a chegada dos jovens à universidade e ao mercado de trabalho local. Numa cidade que abriga um dos maiores polos universitários do Nordeste, com a UFCG e a UEPB, a qualidade da escola básica é o que determina quantos estudantes locais chegam preparados a esse ensino superior, em vez de cederem as vagas a quem vem de fora.
A alta de 2025 também recoloca uma cobrança: manter a tendência exige continuidade de política pública, e não um pico isolado. Um único ciclo bom não garante o próximo, e a régua honesta é a série, medida a cada dois anos. Acompanhar o Ideb com a fonte oficial e o ano de referência colados, sem transformar nota em propaganda, é a forma de o cidadão medir se a escola pública está melhorando de verdade, ano após ano, e de cobrar que a melhora não pare no primeiro resultado favorável.
Fonte oficialNotas apuradas nos resultados do Ideb 2025 publicados pelo Inep.
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