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Proibição de celular chega a 81% das escolas do país, mostra o PISA 2025

Dados do PISA 2025, da OCDE, mostram que 81% dos estudantes brasileiros estudam em escolas que restringem o celular — eram 37% em 2022. Uma pesquisa do MEC aponta mais concentração em sala.

Alunos sentados em fileira de carteiras acompanham a aula com o material didático aberto, em sala de aula.
Sem o celular em mãos, a atenção volta para o material e o quadro. Tomaz Silva/Agência Brasil
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O celular virou exceção, e não regra, dentro da sala de aula brasileira. O levantamento do PISA 2025, divulgado pela OCDE, mostra que 81% dos estudantes do país estudam em escolas que restringem o uso de aparelhos eletrônicos pessoais, uma virada e tanto para quem, em 2022, via essa proporção em apenas 37%. No mesmo intervalo, o Brasil passou a média dos países da OCDE, que subiu de 34% para 49%, e o motor dessa mudança tem nome e data: a Lei 15.100/2025, que disciplinou o tema em toda a educação básica e transformou uma decisão de cada colégio em política nacional.

O celular saindo da sala de aula
81% Escolas que restringem estudantes no Brasil, PISA 2025
37% Patamar de 2022 antes da lei nacional
95% Gestores veem mais foco pesquisa MEC/Inep

Fonte: OCDE (PISA 2025) e Ministério da Educação/Inep

A comparação com o mundo desenvolvido ajuda a medir o tamanho do salto. Em 2022, antes da lei nacional, o Brasil restringia o celular em 37% das escolas, um patamar então próximo, mas abaixo, da média da OCDE, que estava em 34%. Três anos depois o país inverteu a posição: chegou a 81% das escolas com restrição, enquanto a média dos países ricos avançou para 49%. A leitura é dupla: a adesão brasileira não só cresceu mais rápido como ultrapassou o padrão internacional, um movimento raro em indicadores educacionais, em que o Brasil costuma aparecer atrás da média da OCDE, e não à frente dela.

Escolas que restringem o celular: Brasil x média da OCDE
BrasilMédia OCDE
0 25 50 75 100 Brasil, 2022: 37% 37% Média OCDE, 2022: 34% 34% 2022 Brasil, 2025: 81% 81% Média OCDE, 2025: 49% 49% 2025
Fonte: PISA 2025, OCDE

O que a lei determina

A Lei 15.100/2025 não é uma proibição absoluta, e essa distinção importa para entender o número. A norma barra o uso pedagógico ausente, ou seja, o celular ligado a redes sociais, jogos e mensagens durante a aula, mas mantém liberado o aparelho quando ele serve ao ensino, à acessibilidade, à inclusão de estudantes com deficiência, a necessidades de saúde ou à garantia de direitos. Sancionada em 13 de janeiro de 2025, passou a valer já no ano letivo seguinte e completou seu primeiro ano de vigência no início de 2026. É por isso que o salto de adesão medido pelo PISA não é um acaso de comportamento: ele acompanha a entrada em vigor de uma regra que vale igual para a rede pública e a particular, do pré à conclusão do ensino médio, em todo o país.

Uma estudante segura um celular na horizontal, com a tela desligada, diante do rosto.
O aparelho fora do bolso é o que a lei tira da rotina das aulas. Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O efeito medido em sala

Adesão é uma coisa; efeito na aprendizagem é outra, e aqui entra o Inep. A pesquisa nacional feita pelo instituto em parceria com o Ministério da Educação, entre março e abril de 2026, com amostra probabilística de escolas públicas e privadas, traz os primeiros retratos do que mudou por dentro. Entre os gestores ouvidos, 95% perceberam melhora na concentração durante as aulas e na convivência entre os alunos, e 97% relataram aumento na participação nas atividades. Outros 88% notaram menos conflitos e menos episódios de agressão digital e ciberbullying, um efeito colateral menos óbvio da medida. O quadro de implantação também aparece: 92% dos gestores afirmam que a legislação já é aplicada, sendo 45% que consideram o processo consolidado e 47% que o veem em andamento, ainda com desafios. Não é um veredito final sobre notas, mas é a evidência disponível, e ela aponta para o mesmo lado que o PISA, que associa escolas com restrição a menos relatos de distração por aparelhos.

Estudantes do ensino médio, de costas, acompanham a professora que escreve no quadro branco.
Com menos telas, cresce a participação nas atividades, aponta o MEC. Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Vale reforçar a diferença entre restringir e proibir, porque é ela que define o que a escola pode fazer no dia a dia. A Lei 15.100/2025 não determina recolher todo aparelho em qualquer situação: veda o uso sem finalidade pedagógica e preserva exceções para ensino, acessibilidade, inclusão de estudantes com deficiência e necessidades de saúde. Na prática, cabe a cada rede traduzir esse princípio no seu regimento, definindo onde o celular fica guardado e como agir nos intervalos. É por isso que a adesão medida pelo PISA convive com formatos diferentes de escola para escola, ainda que o efeito relatado pelos gestores caminhe na mesma direção.

E em Campina Grande

Para as famílias de Campina Grande, o recado é direto: a regra não depende de uma decisão municipal para valer, porque é regra federal. A Lei 15.100/2025 alcança as redes municipal, estadual e particular, de modo que as escolas da cidade e das demais cidades da Paraíba operam sob a mesma restrição que o resto do país. Cada rede detalha no seu regimento como guardar os aparelhos e o que fazer nos intervalos, mas o princípio é comum, e é ele que sustenta os números do PISA. Para o cotidiano do estudante campinense, a mudança conversa com um esforço mais amplo de melhorar o ambiente escolar, que a cidade vem perseguindo em frentes como a educação em tempo integral e o desempenho medido pelo Ideb 2025 da rede. Tirar o celular da aula é, nessa leitura, um dos ajustes que ajudam a devolver a atenção do aluno ao que está no quadro.

Do texto da lei ao retrato de 2026
  1. 13/01/2025

    Lei sancionada

    A Lei 15.100/2025 restringe o celular na educação básica em todo o país.

  2. 2025

    Entrada em vigor

    A regra passa a valer no ano letivo, na rede pública e na particular.

  3. 03-04/2026

    Pesquisa nacional

    MEC e Inep medem a adesão e os efeitos da restrição nas escolas.

  4. 08/09/2026

    Retrato do PISA

    A OCDE mostra o Brasil a 81% de escolas com restrição, ante 37% em 2022.

O que os dados ainda não dizem é se o ganho de concentração vai se traduzir em melhores resultados de aprendizagem ao longo dos próximos ciclos, e essa é a pergunta que os próximos exames precisarão responder. Restrição não é, por si só, garantia de aprendizado: ela abre espaço, mas o que preenche esse espaço ainda depende de professor, material e método. Por ora, o retrato é de uma política que saiu do papel rápido e chegou à maioria das salas, com sinais positivos de convivência e foco relatados por quem está na ponta. O CG em Foco vai acompanhar as próximas edições da pesquisa do MEC e os resultados de aprendizagem da rede local, sempre com a fonte oficial e a data à vista, para separar o que é efeito medido do que ainda é expectativa.

Fonte oficialDados do PISA 2025 (OCDE), da pesquisa do Ministério da Educação com o Inep e da Lei nº 15.100/2025.

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