O projeto de requalificação do antigo complexo ferroviário da Estação Nova, em Campina Grande, na Paraíba (PB), foi formalizado em 28 de maio de 2026 com a assinatura da Ordem de Serviço pelo prefeito Bruno Cunha Lima, no bairro do Jardim Quarenta. Segundo a Prefeitura de Campina Grande, a intervenção aplica R$ 44.061.267,96 para transformar cerca de 90 mil metros quadrados do conjunto em equipamento urbano de cultura, lazer, esporte, gastronomia, mobilidade e atendimento ao cidadão.
Fonte: Prefeitura de Campina Grande, 2026
Cinco edificações temáticas
O complexo se divide em cinco edificações. A Estação Gastronômica reúne restaurantes, praças de alimentação e banheiros públicos. A Estação Cidadania concentra o atendimento de órgãos municipais, entre eles a Secretaria de Assistência Social (Semas), a Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP), o Sistema Nacional de Emprego (Sine), o Procon e a Guarda Municipal, além de Coworking Social e Café da Estação. A Estação Tecnológica abriga auditório, incubadora de startups e salas de atividade. O Parque da Estação Nova oferece ciclovias, playgrounds, quadras poliesportivas, academia popular, áreas verdes, espaço pets e pistas para caminhada. O quinto núcleo preserva o conjunto art déco original, o painel de azulejos do artista pernambucano Paulo Neves e o tradicional relógio, que passará por restauração específica.
| Item | Dado |
|---|---|
| Ordem de Serviço | 28 de maio de 2026 |
| Local | Jardim Quarenta, Campina Grande |
| Edificações temáticas | 5 (Gastronômica, Cidadania, Tecnológica, Parque e núcleo Art Déco) |
| Integração multimodal | VLT, ônibus, táxi, mototáxi, aplicativo e bicicletas |
| Patrimônio preservado | Painel de azulejos de Paulo Neves e relógio histórico |
| Inauguração original | 14 de fevereiro de 1961 |
Fonte: Prefeitura de Campina Grande, 2026
Integração com o VLT de Campina Grande
Por meio da cessão da linha férrea ao município pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o local torna-se nó multimodal, com integração entre Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), ônibus, táxi, mototáxi, transporte por aplicativo e bicicletas. O projeto do VLT prevê modernizar mais de 15 quilômetros de linha férrea, interligando o bairro do Araxá ao Conjunto Aluízio Campos e beneficiando cerca de 100 mil pessoas. Será o primeiro sistema desse tipo na Paraíba.
Ponto que integra VLT, ônibus, táxi, mototáxi, transporte por aplicativo e bicicletas.
Binário para desafogar a Avenida Almeida Barreto
A obra abre ainda uma nova avenida atrás do parque, em sentido único, da Floriano Peixoto à Assis Chateaubriand. Com isso, a Avenida Almeida Barreto passa a ter sentido único no trecho entre a Almirante Barreto e a Floriano Peixoto, medida projetada pela Secretaria de Planejamento (Seplan) para desafogar o trânsito da região. O órgão desenvolveu o desenho urbanístico a pedido do prefeito Bruno Cunha Lima.
Par de vias de sentido único e complementar que substitui um trecho de mão dupla, usado para aumentar a fluidez do trânsito sem alargar ruas.
O processo de contratação da obra
Antes da assinatura da Ordem de Serviço, a Prefeitura de Campina Grande já havia percorrido o rito da licitação que selecionou a empresa executora. Segundo o Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), o edital nº 90801/2025 (número de controle PNCP 08993917000146-1-000083/2025) foi publicado em 30 de abril de 2025, na modalidade Concorrência Eletrônica, com vigência do certame até 26 de junho de 2025, quase um ano antes de a ordem de serviço ser assinada, em maio de 2026. O objeto registrado no PNCP descreve a execução de obra de requalificação do pátio ferroviário da Estação Nova, revitalização das vias do entorno, construção das cinco edificações, estacionamentos, parque, quadras poliesportivas, fonte ornamental e áreas de convivência, em linha com o escopo depois anunciado pela Prefeitura. O campo de valor global do certame não está preenchido no registro disponibilizado pelo PNCP; o montante de R$ 44.061.267,96 citado neste texto é o divulgado diretamente pela Prefeitura no ato da ordem de serviço, e não consta, até a publicação desta reportagem, homologado no próprio PNCP.
Último prédio público art déco da cidade
Inaugurada em 14 de fevereiro de 1961, a antiga Estação Ferroviária de Campina Grande, conhecida como Estação Nova, é apontada como o último prédio público em estilo art déco erguido na cidade, encerrando o ciclo arquitetônico art déco predominante entre as décadas de 1930 e 1950. Seu desenho singular remete tanto a uma locomotiva quanto às embarcações do Rio São Francisco.

O conjunto art déco da Estação Nova ficou três décadas em deterioração antes do restauro. Marinelson Almeida / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Em 2025, a Prefeitura solicitou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) o repasse da histórica locomotiva vinculada ao complexo, buscando integrá-la ao patrimônio cultural de Campina Grande. A iniciativa abriu caminho para o projeto atual.
A era ferroviária paraibana
A inauguração do primeiro trecho ferroviário entre Campina Grande e Puxinanã, em 4 de abril de 1951, marcou o auge do transporte ferroviário paraibano.

Inauguração do primeiro trecho ferroviário entre Campina Grande e Puxinanã, em 1951. Acervo histórico / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
O ramal consolidou a cidade como entreposto do algodão no agreste da Paraíba, escoando a produção que sustentou a economia regional na primeira metade do século XX. Conforme registros históricos, o tráfego de passageiros foi desativado em 1980, e a primeira estação, ligada à chegada do trem em 1907, abriga desde 2001 o Museu do Algodão. A intervenção atual devolve uso público ao conjunto remanescente desse ciclo, e recupera a memória do trem que estruturou o crescimento urbano de Campina Grande.
- Início do século 20 a 1950
Great Western of Brazil Railway (inglesa)
- 1907
Chegada do trem
A primeira estação abre com a chegada da ferrovia; desde 2001 abriga o Museu do Algodão.
- A partir de 1950
Rede Ferroviária do Nordeste
- 1951
Trecho Campina Grande a Puxinanã
Inaugurado em 4 de abril, marca o auge do transporte ferroviário paraibano.
- 1961
Inauguração da Estação Nova
Aberta em 14 de fevereiro, é o último prédio público art déco erguido na cidade.
- A partir de 1975
Rede Ferroviária Federal (RFFSA)
- 1980
Fim dos passageiros
Desativado o tráfego de passageiros no ramal.
- A partir de 1997
Concessionária atual da malha
- 2026
Requalificação
Ordem de serviço de R$ 44 milhões devolve uso público ao conjunto.
De quem foi a ferrovia que passava ali
A linha que estruturou o complexo teve donos sucessivos. O ramal de Campina Grande foi operado pela inglesa Great Western of Brazil Railway do início do século 20 até 1950, quando passou à Rede Ferroviária do Nordeste. Em 1975 a gestão migrou para a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e, a partir de 1997, para a concessionária que hoje responde pela malha na região. O traçado, conhecido como Ramal de Campina Grande, ligava a cidade a Itabaiana e depois se estendeu rumo ao sertão, alcançando municípios como Sousa, Pombal e Patos, na direção do Ceará.
O primeiro trecho local, inaugurado em 2 de outubro de 1907, marcou a chegada dos trilhos à cidade, e a Estação Velha que o recebeu abriga desde 2001 o Museu do Algodão, a poucos quarteirões do conjunto agora requalificado. Foi por essa malha que escoou o algodão que fez de Campina Grande um dos maiores entrepostos da fibra no país, na primeira metade do século 20. A desativação do transporte de passageiros, em 1980, esvaziou a estação e deu início às décadas de abandono que a requalificação pretende encerrar.
Um resquício vivo desse passado sobrevive uma vez por ano. Durante o ciclo junino, o chamado Trem Forroviário volta a circular no trecho remanescente, levando turistas ao som de forró até o distrito de Galante, num passeio que virou atração do Maior São João do Mundo. É a exceção sazonal a um ramal que, no restante do ano, serve apenas ao transporte de carga. Devolver uso cotidiano a esse conjunto, e não só nos dias de festa, é parte do que a Prefeitura projeta com o novo parque. Assinada a ordem de serviço, o cronograma da obra passa a ser o próximo capítulo: o conjunto que ficou décadas em ruína volta a ser espaço público, e a Estação Nova deixa de ser só memória ferroviária para virar equipamento de cultura, esporte e mobilidade no centro de Campina Grande.
VerificadoInformação checada com fontes independentes: a Prefeitura de Campina Grande e o IPHAN.
Atualizado em · Política de correções
Fontes
- Prefeitura Municipal de Campina Grande, Secretaria de Planejamento
- IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
- DNIT, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes
- Lei de Acesso à Informação, Lei 12.527/2011
- Histórico do Ramal Ferroviário de Campina Grande, registros da rede paraibana
- PNCP, Portal Nacional de Contratações Públicas, edital 90801/2025 (nº controle 08993917000146-1-000083/2025)



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