A Prefeitura de Campina Grande começou a restaurar o Grande Hotel, um dos prédios mais reconhecíveis do centro. O secretário de Obras, Joab Machado, assinou a ordem de serviço em 17 de junho, e os trabalhos tiveram início em 22 de junho. A intervenção está orçada em R$ 6.149.000,00, cerca de R$ 6,1 milhões.
Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a edificação pertence ao município. Ela integra o conjunto arquitetônico que marcou a modernização da cidade nas décadas de 1930 e 1940. Segundo a Prefeitura, o licenciamento foi concluído após as aprovações do IPHAN e dos demais órgãos competentes.
A base legal desse tombamento estadual é o Decreto Estadual nº 25.139, de 29 de junho de 2004, que homologou deliberação do Conselho Estadual de Proteção dos Bens Culturais (CONPEC) e reconheceu o Centro Histórico de Campina Grande, área onde o Grande Hotel está situado, como patrimônio protegido pelo IPHAEP. O decreto consolidou, no plano estadual, a salvaguarda do conjunto art déco da região central, do qual o prédio é um dos exemplares mais visíveis. O texto integral do decreto não foi localizado nos portais oficiais do IPHAEP consultados nesta apuração; o número e a data constam do catálogo de patrimônio iPatrimônio, que cita o ato normativo, e serão confirmados diretamente na fonte primária do estado assim que o documento estiver acessível.
- 1936
Início da construção
Erguido no centro de Campina Grande, na gestão do prefeito Vergniaud Wanderley.
- 1942
Conclusão
O Grande Hotel passa a integrar o conjunto que modernizou a cidade nas décadas de 1930 e 1940.
- 1947
Cassino
Inaugurado em 17 de março, o cassino torna o hotel um dos pontos mais sofisticados da cidade.
- Anos 1960
Sede pública
O prédio passa a abrigar repartições da Prefeitura, encerrando o ciclo como hotel.
- 2004
Tombamento estadual
Decreto Estadual nº 25.139 homologa a proteção do Centro Histórico de Campina Grande pelo IPHAEP.
- 2026
Restauração
Ordem de serviço assinada em 17 de junho e obras iniciadas em 22 de junho, orçadas em R$ 6,1 milhões.
Ao assinar a ordem de serviço, o secretário Joab Machado classificou o prédio como “um símbolo da história de Campina Grande” e disse que restaurá-lo é “preservar a memória coletiva dos campinenses”.

Joab Machado, secretário de Obras, exibe a ordem de serviço da restauração. Foto: Prefeitura de Campina Grande / Codecom
O que prevê a obra?
A revitalização reúne serviços de reforma, recuperação e restauração da edificação, que pertence ao município. Segundo a Prefeitura, o escopo prevê a recuperação das características arquitetônicas originais do prédio do Grande Hotel, a preservação de elementos históricos e a melhoria das condições de uso do imóvel. O processo de licenciamento passou pelas aprovações do IPHAN e de outros órgãos de patrimônio antes da assinatura da ordem de serviço, e os trabalhos atendem ao desgaste acumulado ao longo das décadas em que o espaço serviu de sede a repartições públicas. Durante a intervenção, a Prefeitura implantou alterações no trânsito do entorno.
Por que o Grande Hotel é um marco do art déco?
Erguido na área central da cidade, o Grande Hotel teve a construção iniciada em 1936 e concluída em 1942, na gestão do prefeito Vergniaud Wanderley. Com quatro pavimentos, tornou-se um dos primeiros grandes edifícios em art déco de Campina Grande, estilo que passaria a predominar na cidade ao longo dos anos 1940. Por anos, foi tido como o maior e mais luxuoso hotel do interior do Norte e Nordeste. Segundo registros históricos da cidade, o hotel nasceu no período de prosperidade do Ciclo do Algodão, para acomodar visitantes e comerciantes que circulavam pela região. Pela memória local, suas dependências teriam recebido hóspedes ilustres ao longo da chamada era de ouro, e o prédio reuniria dezenas de apartamentos, além de um cassino, este inaugurado em 17 de março de 1947, quando foi por duas décadas um dos pontos mais sofisticados da vida social campinense, célebre pelos bailes e banquetes.

Trabalhos de reforma e recuperação começaram em 22 de junho no prédio. Foto: Prefeitura de Campina Grande / Codecom
Como o hotel virou sede e como fica o trânsito?
Encerrado o ciclo como hotel, a edificação passou a abrigar a sede da Prefeitura e suas secretarias, entre elas as de Administração e de Finanças, que ali funcionam até hoje; com o tempo, o prédio acumulou desgaste e passou a demandar a recuperação que agora começa. O Grande Hotel ocupa a esquina da rua Maciel Pinheiro com a rua Afonso Campos, no coração do centro comercial. Para executar a intervenção, a Prefeitura interditou parcialmente uma faixa da rua Afonso Campos e metade da pista da Maciel Pinheiro no trecho do prédio, mantendo as demais faixas liberadas ao fluxo de veículos, com a Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP) ajustando a sinalização conforme a necessidade.
A obra foi precedida de processo licitatório, concluído antes da assinatura da ordem de serviço. Segundo o secretário Joab Machado, com o licenciamento encerrado e as aprovações dos órgãos de patrimônio obtidas, a ordem de serviço foi assinada para a recuperação imediata do imóvel, descrito pela Prefeitura como um dos mais importantes bens arquitetônicos e históricos do município. As duas ruas do cruzamento estão entre os eixos do centro histórico onde se concentra o conjunto art déco da cidade, área que corresponde ao mesmo perímetro protegido pelo Decreto Estadual nº 25.139/2004, o que sujeita a intervenção às normas dos órgãos de patrimônio que aprovaram o licenciamento. No vocabulário desse estilo, catalogado por grupos de pesquisa em arquitetura, o Grande Hotel reúne os traços do art déco em sua versão de concreto armado: volumes geométricos, linhas verticais e o coroamento escalonado da platibanda. Erguido com quatro pavimentos numa época em que o casario do centro raramente passava de dois, o prédio anunciava, pela própria altura, a cidade próspera que o algodão financiava.
| Via | Situação |
|---|---|
| Rua Afonso Campos | Uma faixa interditada no trecho do prédio |
| Rua Maciel Pinheiro | Metade da pista bloqueada no trecho |
| Demais faixas | Liberadas ao fluxo de veículos |
| STTP | Ajusta a sinalização conforme a necessidade |
Fonte: Prefeitura de Campina Grande / STTP, jun. 2026.
Preservação da memória
Segundo a Prefeitura, a revitalização do Grande Hotel integra investimentos da atual gestão, do prefeito Bruno Cunha Lima, voltados à preservação e à valorização do patrimônio histórico e cultural do município. Imóvel público, o prédio abrigou por anos serviços da administração; o órgão não detalhou o uso previsto para o espaço após a conclusão do restauro, nem o prazo estimado para a entrega da obra. O Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) e o portal de compras do estado da Paraíba, consultados nesta apuração, não retornaram registro específico da licitação ou do contrato de restauração do Grande Hotel até o fechamento desta edição; essa ausência é registrada aqui e o dado será checado novamente quando os portais publicarem o processo. Segundo a gestão, o esforço alcança outros patrimônios arquitetônicos do centro e da paisagem urbana da cidade, num programa mais amplo de recuperação que dialoga com projetos como o Parque da Estação Nova, requalificação de R$ 44 milhões que integra cultura, esporte e VLT. Ao devolver ao prédio as características originais desgastadas por décadas de uso como repartição, a intervenção pretende recuperar um dos mais tradicionais cartões de visita do centro histórico campinense.
Os valores, as datas e os tombamentos pelo IPHAEP e pelo IPHAN foram confirmados em comunicados da Prefeitura de Campina Grande. O número e a data do decreto estadual de tombamento vêm do catálogo iPatrimônio, que cita o ato normativo do IPHAEP; o texto oficial do decreto não foi localizado nos portais do IPHAEP nem o contrato de restauração no PNCP até o fechamento desta edição. As passagens sobre a era de ouro do hotel, hóspedes ilustres e número de apartamentos vêm da memória histórica da cidade e são apresentadas como tal.
Fonte oficialInformação apurada em fonte oficial: a Prefeitura de Campina Grande.
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