Um dos casarões mais imponentes do centro de Campina Grande, na Paraíba (PB), o antigo Palácio Episcopal, conhecido como Palácio do Bispo, pode passar por restauração e ser convertido em centro cultural aberto ao público. A articulação é conduzida pela Prefeitura de Campina Grande, que ocupa o prédio com o gabinete do prefeito, e passa por entendimento com a Diocese de Campina Grande, instituição para a qual o imóvel foi erguido. O edifício fica na rua Rio Branco, no coração comercial da cidade, e integra o acervo arquitetônico da primeira metade do século XX, quando a economia local girava em torno do algodão. A preservação desse patrimônio histórico voltou ao debate público com a proposta.
Quando o casarão foi construído?
Segundo os registros históricos, a construção do Palácio Episcopal começou em 15 de setembro de 1951 e foi concluída em 4 de agosto de 1952. O casarão foi erguido para servir de residência oficial ao bispo diocesano de Campina Grande, função para a qual foi projetado desde a origem.
- 1951-1952
Construção
Obra iniciada em 15 de setembro de 1951 e concluída em 4 de agosto de 1952, como residência oficial do bispo diocesano.
- 2014
Demolição do casarão vizinho
A residência de Alvino Pimentel, ao lado, é vendida e demolida; o Palácio Episcopal resiste.
- 2017
Novo bispo
Dom Dulcênio Fontes de Matos é empossado, em dezembro, oitavo bispo de Campina Grande.
- 28/4/2026
Primeira reunião na Cúria
Waldeny Santana apresenta o desenho do projeto de restauração ao bispo diocesano.
- 8/5/2026
Novo encontro amplia a articulação
Vice-prefeito Alcindor Villarim e o vigário geral, padre Luciano Guedes, se juntam à apresentação do projeto a Dom Dulcênio.
O terreno foi doado pelo comerciante de algodão Alvino Pimentel, uma das figuras influentes da cidade no auge do ciclo algodoeiro, lembrado por ter hospedado em sua casa o então presidente da República, Juscelino Kubitschek, em passagens por Campina Grande. A residência de Pimentel ficava ao lado do Palácio Episcopal e era apontada como uma das mais suntuosas da cidade. O imóvel resistiu até 2014, quando foi vendido e demolido para dar lugar a um edifício comercial. O casarão vizinho, porém, permaneceu de pé.
Do bispado ao gabinete do prefeito
Com o passar das décadas, o Palácio Episcopal deixou de ser a morada do bispo e passou a abrigar funções administrativas. Hoje é a sede do gabinete do prefeito de Campina Grande, o que dá ao imóvel uma dupla condição, entre a origem religiosa e o uso público atual.

Como o casarão nasceu ligado ao bispado, a gestão municipal apresentou o projeto de renovação ao bispo diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Matos, empossado em dezembro de 2017 como oitavo bispo de Campina Grande. O encontro reforça o vínculo histórico entre o imóvel e a Diocese de Campina Grande, que precisa referendar qualquer mudança de uso do prédio que leva seu nome. A proposta em articulação prevê a restauração do casarão e sua abertura como espaço cultural à população, o que, segundo a Prefeitura, devolveria ao prédio um uso público e ajudaria a preservar mais um exemplar do patrimônio arquitetônico da cidade.
O que a gestão propõe
As tratativas ganharam corpo em uma reunião realizada em 28 de abril de 2026, na Cúria Diocesana de Campina Grande, entre o secretário-chefe de gabinete da Prefeitura, Waldeny Santana, e o bispo diocesano. Na ocasião, a gestão apresentou o desenho do projeto e ouviu a Diocese, que precisa referendar qualquer mudança de uso do imóvel.
| Item | Informação |
|---|---|
| Construção | 15/9/1951 a 4/8/1952 |
| Uso original | Residência do bispo diocesano |
| Localização | Rua Rio Branco, centro |
| Uso atual | Gabinete do prefeito |
| Tombamento | Não tombado pelo IPHAN |
| Proposta | Restauração e centro cultural |
Fonte: Prefeitura de Campina Grande, 2026
Segundo Waldeny Santana, a intenção é ir além do uso administrativo atual. “A ideia é que o Palácio do Bispo vá além de sua função administrativa e se consolide como um espaço vivo de cultura e memória. Queremos promover mostras artísticas e fortalecer o papel do prédio como um verdadeiro museu histórico da cidade, acessível à população e aos visitantes”, afirmou, segundo a Prefeitura. O plano prevê exposições e atividades voltadas à valorização da história local.
A articulação avançou em um segundo encontro, em 8 de maio de 2026, quando o vice-prefeito Alcindor Villarim e o vigário geral da Diocese, padre Luciano Guedes, se somaram à apresentação do projeto a Dom Dulcênio, ampliando o número de interlocutores da articulação. Na ocasião, Waldeny Santana reafirmou o objetivo da gestão: “Nossa missão é devolver esse brilho ao Palácio, respeitando o passado, mas projetando um futuro onde o cidadão de Campina Grande possa usufruir desse patrimônio por meio da arte e da história”, disse, segundo a Prefeitura. Já o vice-prefeito Alcindor Villarim situou o prédio na história administrativa da cidade: “Este é um espaço que já abrigou parte da administração governamental de Campina, servindo de base para o planejamento e execução de políticas públicas. Ao mesmo tempo, sua arquitetura preserva a memória da cidade e da Igreja. Por isso, temos o compromisso de conservar esse patrimônio e transformá-lo em um espaço cultural acessível à população”, afirmou, segundo a Prefeitura.
De acordo com a administração municipal, a restauração ficaria a cargo do restaurador paraibano Flávio Capitulino, com foco na recuperação das pinturas do edifício. A gestão também informou que pretende submeter o projeto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), enquanto a Diocese acompanharia e supervisionaria as intervenções no casarão que leva seu nome.

Um casarão do ciclo do algodão
O Palácio do Bispo integra o conjunto de casarões erguidos em Campina Grande na primeira metade do século XX, período em que a cidade se firmou como um dos maiores entrepostos de algodão do país e concentrou capital suficiente para construir residências e prédios imponentes no centro. Boa parte desse acervo ainda ocupa as ruas centrais, mas vem perdendo exemplares: a própria residência de Alvino Pimentel, vizinha ao casarão, foi demolida em 2014 para dar lugar a um edifício comercial. É esse contraste que a proposta de restauração tenta enfrentar. Sem tombamento federal que blinde o imóvel, seu futuro depende do acordo entre a gestão municipal e a Diocese, e a conversão em centro cultural surge como a forma de assegurar um uso público e, com ele, a manutenção do prédio.
O que ainda falta definir?
A eventual restauração do Palácio do Bispo se soma a outras discussões sobre a recuperação de imóveis antigos em Campina Grande, cidade que reúne um extenso acervo erguido entre as décadas de 1940 e 1950. Apesar do valor histórico, o casarão não figura entre os imóveis tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão federal que responde pela proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. Sem esse escudo formal na esfera federal, o futuro do prédio fica atrelado à destinação que a gestão municipal e a Diocese vierem a acordar. Os detalhes técnicos do projeto, o cronograma da obra e a origem dos recursos ainda dependem de definição pela gestão municipal, que trata a conversão em centro cultural como articulação, sem prazo anunciado. O caso do casarão vizinho, demolido em 2014, indica o risco a que estão sujeitos os imóveis antigos da cidade quando ficam sem uma destinação pública claramente definida.
A Prefeitura de Campina Grande lançou, em 10 de abril de 2026, a concorrência eletrônica nº 9.08.09/2025 para reforma e restauração de outro prédio histórico do Centro, tombado pelo IPHAN, que abrigou as secretarias municipais de Finanças e Administração. O valor estimado da obra é de R$ 6.537.834,14, com sessão pública marcada para 22 de abril de 2026 e prazo de execução de 540 dias. É um imóvel distinto do Palácio do Bispo, mas o caso mostra o padrão de valores que a Prefeitura vem atribuindo a restaurações de prédios históricos tombados no Centro da cidade, uma referência útil enquanto o orçamento do Palácio do Bispo não é divulgado.
Até a conclusão desta reportagem, a Prefeitura não havia informado se o Palácio do Bispo seguirá o mesmo rito de licitação pública usado no prédio das antigas secretarias, nem qual seria a faixa de valores prevista para sua restauração.
Fonte oficialInformação apurada em fonte oficial: a Prefeitura de Campina Grande.
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