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Teatro Severino Cabral: a história do prédio que virou símbolo de Campina Grande

Inaugurado em 30 de novembro de 1963, o teatro projetado por Geraldino Duda completa 63 anos neste ano. Veja quem construiu, o que mudou nas reformas e onde ele fica.

Bailarinos em cena no palco do Teatro Municipal Severino Cabral, com um dançarino saltando à direita e um grupo reunido de costas ao fundo.
Espetáculo no palco do Teatro Municipal Severino Cabral, o principal equipamento cênico de Campina Grande desde 1963. Rondinelle de Paula / Prefeitura de Campina Grande
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O Teatro Municipal Severino Cabral é o principal equipamento cênico de Campina Grande e um dos prédios mais reconhecíveis da cidade. Foi inaugurado em 30 de novembro de 1963, segundo a Prefeitura de Campina Grande, o que o leva a completar 63 anos no fim deste ano. O projeto, porém, é anterior: foi assinado em 1962, quando a administração municipal encomendou aos seus próprios técnicos o desenho de um teatro para a cidade.

O teatro em números, segundo as fontes oficiais e acadêmicas consultadas
1962 ano do projeto encomendado pela Prefeitura aos técnicos do município
30/11/1963 inauguração informação da Prefeitura de Campina Grande
3 ciclos de reforma 1975, fim dos anos 1980 e 2010-2011

Fonte: Prefeitura de Campina Grande e Revista Arquitetura e Lugar (UFCG), 2023

Quem projetou o teatro

O autor do projeto arquitetônico foi Geraldino Pereira Duda, campinense nascido em março de 1935. Ele não era arquiteto de formação: começou como desenhista ainda adolescente e só concluiria a graduação em Engenharia Civil na década seguinte, já depois de o teatro estar de pé. O estudo assinado pelo pesquisador Diego Diniz na Revista Arquitetura e Lugar, da UFCG, registra que a incumbência do projeto chegou a ele em 1962.

A obra não foi trabalho de um homem só, e as fontes acadêmicas são explícitas quanto a isso. O cálculo estrutural coube ao engenheiro Lynaldo Cavalcante. A execução ficou com a Construtora G. Gióia & Cia., de Campina Grande, sob fiscalização do engenheiro Moutinho. O tratamento acústico e o mobiliário são atribuídos à empresa Kastrup, do Recife.

Vista aérea noturna do Teatro Municipal Severino Cabral, com a cobertura curva iluminada e prédios do centro de Campina Grande ao redor
A cobertura do teatro vista do alto: a forma foi adaptada ao terreno em declive. Acervo do colaborador Walter Santos

A forma do prédio

A descrição mais repetida sobre o teatro é a de que ele lembra um apito ou um bico de flauta. As fontes tratam isso como aproximação interpretativa, não como intenção declarada em prancha. O que o próprio autor afirmou, em entrevista publicada pela UFCG, é mais direto: ele adaptou o prédio à topografia irregular do terreno e voltou a fachada para a cidade, com o objetivo de que o teatro fosse um monumento à arte.

O edifício executado não é idêntico ao que estava no papel. O estudo acadêmico usa a expressão “parcialmente inaugurado em 1963” e registra diferenças entre projeto e obra, entre elas a construção de cinco dos sete pavimentos previstos para um dos blocos. A área construída também não tem número único: o estudo cita 5.404,9 m² como área inicialmente proposta, enquanto uma reportagem de 2023 fala em 4.816 m².

Fachada frontal do Teatro Municipal Severino Cabral em preto e branco, com o grande volume de concreto em balanço sobre a entrada e palmeiras ao lado
O balanço de concreto sobre a entrada: a fachada foi voltada para a cidade. Diego Diniz / Revista Arquitetura e Lugar (UFCG)

O teatro no fim dos anos 1950 e 1960

A encomenda de 1962 não nasceu no vazio. Campina Grande vivia então um período de expansão urbana em que a arquitetura moderna brasileira ganhava projeção internacional, com a construção de Brasília concluída havia pouco. O vocabulário daquela geração, com concreto aparente, planos livres e integração entre o edifício e o terreno, chegou às cidades do interior nordestino por meio de profissionais que, muitas vezes, aprenderam na prancheta antes da universidade.

C
Concreto aparente

Técnica em que a superfície de concreto fica exposta, sem revestimento de reboco, tinta ou cerâmica. Foi uma marca da arquitetura moderna brasileira a partir dos anos 1950 e aparece em boa parte das obras assinadas por Geraldino Duda em Campina Grande.

Foi nesse ambiente que a Prefeitura optou por resolver o teatro internamente, com sua própria equipe técnica, em vez de contratar escritório de fora. A decisão explica por que o edifício não repete um modelo pronto: ele foi desenhado para aquele terreno específico, em declive, na área central da cidade. O resultado é um prédio que se lê de longe, com a cobertura inclinada funcionando como marca visual.

As reformas e a acústica

O que mudou no prédio ao longo de seis décadas
  1. 1962

    Projeto

    A Prefeitura encomenda o teatro aos técnicos do município. A autoria arquitetônica fica com Geraldino Duda.

  2. 30 nov. 1963

    Inauguração

    O teatro é inaugurado pelo prefeito Severino Cabral Ribeiro. O estudo acadêmico qualifica a inauguração como parcial.

  3. 1975

    Mini Teatro Paulo Pontes

    Construção do espaço menor e modificações internas.

  4. 1988

    Reforma ampla

    Alterações externas e modernização de espaços, equipamentos, revestimentos e paisagismo.

  5. 2010-2011

    Adequações internas

    Acessibilidade, segurança contra incêndio, forros, climatização, instalações, acústica e poltronas.

A acústica é o ponto mais sensível dessa cronologia. O material trazido à redação pelo colaborador Walter Santos sustenta que a intervenção do início da década de 2010 prejudicou o desempenho sonoro da sala, avaliação que o próprio Geraldino Duda fazia em vida. A checagem documental encontrou respaldo para a existência do problema: em 2013, a secretária municipal de Cultura afirmou publicamente que a reforma concluída em 2011 havia prejudicado a acústica do teatro.

Capacidade e patrimônio

Os números de lotação divergem conforme a fonte e o ano, e por isso não devem ser tratados como dado fechado. A Prefeitura de Campina Grande informou, em 2021, capacidade de 700 espectadores na sala principal e de até 100 pessoas no Mini Teatro Paulo Pontes. Uma reportagem de 2023 citou mais de 600 lugares, e o estudo acadêmico registra 80 lugares para o mini teatro.

Números que divergem entre as fontes consultadas
Dado Fonte e ano Valor informado
Capacidade da sala principal Prefeitura de CG, 2021 700 espectadores
Capacidade da sala principal Reportagem, 2023 mais de 600
Mini Teatro Paulo Pontes Prefeitura de CG, 2021 até 100 pessoas
Mini Teatro Paulo Pontes Estudo UFCG, 2023 80 lugares
Área construída Estudo UFCG (proposta inicial) 5.404,9 m²
Área construída Reportagem, 2023 4.816 m²

Fonte: Prefeitura de Campina Grande, Revista Arquitetura e Lugar (UFCG) e imprensa local

Quanto à proteção, o estudo acadêmico registra reconhecimento do teatro pelo IPHAEP, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba, em 2004. O instrumento jurídico individual exato não foi localizado na checagem, o que recomenda tratar o teatro como bem patrimonial reconhecido pelo órgão estadual, sem afirmar a modalidade do ato.

Grupo de bailarinos em cena no palco do teatro, com figurinos claros e iluminação quente, formando um círculo em torno de uma bailarina ao centro
Apresentação no palco principal: é a maior sala de espetáculos da cidade. Rondinelle de Paula / Prefeitura de Campina Grande

Onde fica e como acompanhar a programação

O teatro fica na área central de Campina Grande e continua sendo o endereço das principais temporadas de artes cênicas da cidade, além de sediar formaturas, concertos e eventos institucionais. A programação, o agendamento de pauta e os cursos oferecidos no equipamento são divulgados pelos canais oficiais da Prefeitura de Campina Grande e pelo perfil do próprio teatro.

Para quem quer entender o entorno cultural da cidade, o teatro é uma das paradas do roteiro cultural de Campina Grande, ao lado do conjunto Art Déco do centro, outro capítulo do patrimônio arquitetônico da cidade. A história de quem desenhou o prédio está no perfil de Geraldino Duda.

Como apuramosMaterial do colaborador Walter Santos, com cada afirmação checada nas fontes listadas.

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