Quando junho termina, Campina Grande muda de ritmo, não de vocação. Passada a temporada do Maior São João do Mundo, ficam de pé um museu assinado por Oscar Niemeyer, um dos maiores conjuntos art déco do país e a orla que é o cartão-postal da cidade. É um roteiro que quase nenhum turista conhece, e que muitos campinenses nunca fizeram.
Comece pelo Açude Velho. O espelho d’água ocupa o centro e organiza a cidade ao redor de si: é a orla onde o morador caminha, corre e para no fim da tarde para ver o sol descer atrás dos prédios. Na margem fica o endereço que sozinho justifica a viagem.
O Museu de Arte Popular da Paraíba é a última obra de Oscar Niemeyer. O arquiteto desenhou três salas circulares de concreto, aço e vidro, que renderam ao prédio o apelido de Museu dos Três Pandeiros, e não o viu aberto: inaugurado em 2012 e franqueado ao público em 2014, dois anos depois de sua morte. Ligado à UEPB, o acervo guarda a cultura popular do Nordeste, do cordel à xilogravura, e homenageia gente que nasceu desse chão, como Jackson do Pandeiro e Sivuca. Se o tempo for curto, é aqui que ele deve ser gasto.

O Museu de Arte Popular da Paraiba, o Museu dos Tres Pandeiros, na orla do Acude Velho. Wikimedia Commons
Do museu ao artesanato é uma caminhada curta. A Vila do Artesão reúne os ateliês onde o trabalho manual da região, o bordado, o couro, o barro, a cerâmica, é feito e vendido o ano todo, não apenas durante o Salão do Artesanato. É onde se compra uma peça com procedência, das mãos de quem a fez.

A Vila do Artesao concentra a producao artesanal o ano todo, em Campina Grande. Reprodução / Paraíba Criativa
| Lugar | O que é |
|---|---|
| Museu dos Três Pandeiros | Última obra de Niemeyer, cultura popular (UEPB) |
| Açude Velho | Orla e cartão-postal no centro |
| Vila do Artesão | Ateliês de artesanato o ano todo |
| Centro art déco | ~150 imóveis, tombados desde 2004 |
| Estação Nova | Art déco de 1961, hoje Museu do Algodão |
| Parque do Povo | Palco a céu aberto do São João |
Fonte: Redação CG em Foco, com IPHAEP e UEPB
A poucos quarteirões está a identidade mais singular da cidade: o conjunto art déco erguido entre os anos 1930 e 1940, com o dinheiro do algodão. São cerca de 150 imóveis de fachadas geométricas, um dos maiores acervos do estilo no Brasil, protegidos por tombamento estadual desde 2004, a cargo do IPHAEP. No mesmo perímetro, o Palácio do Bispo está em obras para virar centro cultural.
O passado também mora nos trilhos. A Estação Nova, inaugurada em 1961 e um dos últimos prédios art déco da cidade, abriga hoje o Museu do Algodão, que conta o ciclo econômico que fez de Campina Grande um entreposto entre o sertão e o litoral.
Fecham o percurso dois palcos de escalas opostas: o Teatro Municipal Severino Cabral, principal sala coberta da cidade, com temporada o ano inteiro, e o Parque do Povo, o palco a céu aberto que, fora de junho, troca a multidão pela memória da festa que projetou a cidade no país.
| Dica | Detalhe |
|---|---|
| Por onde começar | Museu dos Três Pandeiros, na orla do Açude Velho |
| Melhor hora no Açude | Fim de tarde, para o pôr do sol |
| A pé pelo centro | Art déco e Palácio do Bispo ficam próximos |
| Levar para casa | Peça de artesanato na Vila do Artesão |
Fonte: Redação CG em Foco
O São João projetou Campina Grande para o Brasil. O resto do calendário mostra uma cidade cuja identidade também se construiu na arquitetura, no artesanato, na ferrovia e na cultura popular, e que cabe num fim de semana fora de junho.
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