Faltando pouco mais de 40 dias para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, a Justiça Eleitoral já fechou o desenho de onde Campina Grande vai votar. Baixamos a base de locais de votação publicada nos dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral, gerada em 18 de agosto de 2026, e separamos as linhas do município. São 976 seções, distribuídas por 126 locais e três zonas eleitorais.
Menor unidade da votação: é a urna em que um grupo de eleitores vota, identificada por um número. Várias seções ficam no mesmo prédio, que é o local de votação. Vários locais formam uma zona eleitoral, que é a circunscrição administrada por um cartório. Em Campina Grande, as zonas são as de número dezesseis, dezessete e setenta e dois.
O colégio eleitoral do município reúne 304.181 eleitores, mesmo número que a base registra como apto para a eleição federal. É o segundo maior da Paraíba: João Pessoa aparece com 1.703 seções, contra as 976 daqui, e nenhuma outra cidade do estado chega perto. Santa Rita, a terceira, tem 349.
Fonte: TSE, base de eleitorado por local de votação gerada em 18 de agosto de 2026
Quase metade das seções aparece sem acessibilidade
O dado que mais chama atenção na base não é de tamanho, e sim de acessibilidade. O campo que registra a situação de acessibilidade da seção classifica 469 das 976 como sem acessibilidade, contra 507 com acessibilidade. São 48% das seções da cidade na primeira condição, uma proporção que a Justiça Eleitoral divulga no próprio arquivo aberto, sem que o número tenha sido destacado publicamente.
- Com acessibilidade 507
- Sem acessibilidade 469
A classificação da situação de acessibilidade diz respeito ao local em que a seção funciona, e não à urna. O equipamento em si oferece recursos próprios, como o teclado em braile e o fone de ouvido para eleitor com deficiência visual. A distinção importa: uma seção pode ter urna adaptada e ainda assim ficar num prédio com degrau na entrada, o que a base registra como sem acessibilidade.
Onde ficam as três zonas e os maiores locais
A zona 17 é a maior das três, com 387 seções e 124.422 eleitores. A zona 72 vem em seguida, com 321 seções e 103.784 eleitores, e a zona 16 reúne 268 seções e 75.975 eleitores. A divisão não segue o mapa dos bairros: um mesmo bairro pode ter seções em zonas diferentes, e é por isso que o eleitor precisa conferir o próprio cadastro em vez de deduzir pelo endereço.
| Zona eleitoral | Seções | Eleitores |
|---|---|---|
| Zona 17 | 387 | 124.422 |
| Zona 72 | 321 | 103.784 |
| Zona 16 | 268 | 75.975 |
Fonte: TSE, base de eleitorado por local de votação, 18 de agosto de 2026
Entre os 126 locais, o maior é a Universidade Federal de Campina Grande, no Bodocongó, que concentra 8.752 eleitores em 26 seções. Depois vêm a ECIT Dr. Elpídio de Almeida, na Prata, com 8.076 eleitores em 27 seções, e a EEEFM Senador Argemiro de Figueiredo, o antigo Polivalente, no Catolé, com 7.421. Escola pública é a regra: dos 126 locais, 125 aparecem classificados como convencionais e apenas um como temporário.
A concentração de eleitores tem efeito prático no dia da votação. Os cinco maiores locais somam 38.415 eleitores, o equivalente a 12,6% do eleitorado do município em apenas cinco endereços. É onde se formam as filas mais longas e para onde a Justiça Eleitoral costuma dirigir o reforço de mesários e de sinalização, porque um gargalo ali afeta muito mais gente do que num local de duas seções.
O reforço de estrutura para outubro corre em paralelo à campanha institucional. O Tribunal Superior Eleitoral lançou em agosto uma mobilização para estimular a participação no pleito, dirigida sobretudo ao eleitor jovem, faixa em que o alistamento é facultativo e a abstenção costuma ser maior.

A distribuição por bairro ajuda a entender a geografia do voto na cidade. O Catolé lidera com 72 seções, seguido por Liberdade, com 64, e Bodocongó, com 60. O conjunto Deputado Álvaro Gaudêncio, nas Malvinas, aparece com 57, e o Alto Branco com 52. Ao todo, 50 bairros de Campina Grande abrigam pelo menos uma seção eleitoral, o que dá a medida de como a votação se espalha pelo território.
O local pode mudar de uma eleição para outra
O local de votação não é fixo entre uma eleição e outra. Em agosto, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro anunciou a alteração de 268 locais no estado, medida que atinge cerca de 610 mil eleitores fluminenses, por razões que vão de segurança a acessibilidade e fechamento de estabelecimento. É a demonstração prática de por que a Justiça Eleitoral insiste na conferência prévia.
A consulta do cadastro eleitoral se faz no site do Tribunal Superior Eleitoral ou pelo aplicativo e-Título, com o número do título ou o CPF. Quem quiser conferir a situação do próprio cadastro encontra ali também a zona e a seção em que está inscrito, os dois campos que organizam toda a base que analisamos. Vale reservar cinco minutos para isso antes de outubro, sobretudo quem mudou de endereço desde a última votação.
Há ainda um ponto que a base aberta não responde, e fica registrado. O arquivo informa a situação de acessibilidade de cada seção, mas não detalha o que falta em cada prédio classificado nessa condição, se rampa, banheiro adaptado ou piso, nem indica se há plano de adequação até outubro. Procuramos a informação nos dados abertos e ela não consta.
A inscrição eleitoral se encerrou antes do pleito e que a base de agosto já reflete o cadastro fechado: os 304.181 eleitores são os que efetivamente votam em outubro na cidade, e quem não regularizou a situação a tempo não aparece nessas 976 seções. Esta apuração conversa com o retrato que já publicamos sobre os 3,2 milhões de eleitores da Paraíba e sobre as duas vagas ao Senado em disputa no estado. O desenho das seções é a base física sobre a qual esses números se convertem em voto no dia 4 de outubro.
VerificadoBaixamos a base de locais de votação do TSE e somamos as 976 linhas de Campina Grande.
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