Em síntese. O Senado tem três cadeiras por estado e se renova em ciclos alternados: numa eleição, um terço das vagas; na seguinte, dois terços. Em 2026 cai o ciclo de dois terços — e, na Paraíba, isso significa renovar as cadeiras hoje ocupadas por Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Daniella Ribeiro (PP), cujos mandatos terminam neste ano. A cadeira de Efraim Filho (União Brasil), eleito em 2022, segue até 2031. Por isso o eleitor paraibano vota em dois nomes para o Senado — votar em um só anula o voto.
Entre os seis cargos que o paraibano decide em outubro, o Senado é o que mais gera confusão na cabine — e não por acaso. Ao contrário do voto para governador ou presidente, em que se escolhe um único nome, a eleição para o Senado em 2026 pede dois. A razão não é uma peculiaridade da Paraíba: é a arquitetura da Casa, definida na Constituição.
A regra: três cadeiras, renovação em duas velocidades
O artigo 46 da Constituição estabelece que cada estado e o Distrito Federal elegem três senadores, para mandatos de oito anos. Mas a renovação não acontece de uma vez. A cada quatro anos, o Senado troca alternadamente um terço e dois terços de sua composição.
Na prática, isso cria um vaivém: numa eleição, cada estado renova uma só de suas três cadeiras; na eleição seguinte, quatro anos depois, renova as outras duas. Foi o que aconteceu em 2022, quando a Paraíba elegeu um senador — Efraim Filho. Agora, em 2026, chega o ciclo dos dois terços, e o estado renova duas cadeiras ao mesmo tempo. É por isso que a cédula eletrônica vai pedir dois votos distintos para senador.
Quem sai, quem fica
Das três cadeiras paraibanas, duas estão em jogo nesta eleição. Os mandatos de Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e de Daniella Ribeiro (PP), ambos eleitos em 2018 para o período 2019-2027, se encerram com a posse dos eleitos de 2026. São essas duas vagas que vão à urna.
A terceira cadeira não se move. Efraim Filho (União Brasil), eleito em 2022, cumpre mandato até 2031 e não disputa o Senado neste ciclo. Ou seja: independentemente do resultado de outubro, um dos três assentos da Paraíba em Brasília já está definido para os próximos anos, e apenas dois serão decididos agora.
Por que dois votos, e não um
A dúvida mais comum na cabine tem resposta simples: quando duas vagas são disputadas simultaneamente, o eleitor recebe o direito de votar em dois candidatos diferentes para o mesmo cargo. Não é obrigatório usar os dois — mas registrar um único nome, quando o sistema espera dois, leva o voto a ser anulado. Os dois mais votados no estado, somando as duas vagas numa disputa única, são eleitos.
Essa é uma diferença central em relação à eleição majoritária de governador e presidente, em que vence quem tiver a maioria e pode haver segundo turno. No Senado, não há segundo turno: a apuração é direta, e as duas cadeiras vão para os dois nomes com mais votos.
O que está por vir
Quem serão os candidatos a essas duas vagas só se saberá com clareza depois das convenções partidárias — de 20 de julho a 5 de agosto — e do registro oficial das candidaturas, até 15 de agosto. Até lá, o noticiário trata de pré-candidaturas, que podem se confirmar ou não.
O CG em Foco vai acompanhar a corrida ao Senado paraibano pela régua institucional: candidaturas registradas, com fonte na Justiça Eleitoral; propostas, quando apresentadas; e votações da bancada, quando os eleitos assumirem. A cadeira do Senado dura oito anos — o dobro de um mandato de deputado ou de governador. É a decisão de mais longo alcance que o eleitor toma em outubro, e vale entrar na cabine sabendo por que são dois votos.
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