O Senado Federal tem três cadeiras por estado e se renova em ciclos alternados: numa eleição, um terço das vagas; na seguinte, dois terços. Em 2026 cai o ciclo de dois terços. Na Paraíba, isso significa renovar as cadeiras hoje ocupadas por Veneziano Vital do Rêgo, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), e Daniella Ribeiro, do Progressistas (PP), cujos mandatos terminam neste ano. A cadeira de Efraim Filho (PL), eleito em 2022, segue até 2031. Por isso o eleitor paraibano vota em dois nomes para o Senado, e votar em um só anula o voto.
Entre os seis cargos que o paraibano decide em outubro, o Senado é o que mais gera dúvida na cabine. Ao contrário do voto para governador ou presidente, em que se escolhe um único nome, a eleição para o Senado em 2026 pede dois. A razão está na arquitetura da Câmara alta do Congresso, definida na Constituição.



Como funciona a regra das três cadeiras?
O artigo 46 da Constituição estabelece que cada estado e o Distrito Federal elegem três senadores, para mandatos de oito anos. A relação de senadores em exercício da 57ª Legislatura (2023-2027) confirma o desenho da Casa: são 81 cadeiras no total, três para cada uma das 27 unidades da federação. A renovação, porém, não acontece de uma vez. A cada quatro anos, o Senado troca alternadamente um terço (27 cadeiras) e dois terços (54 cadeiras) de sua composição, numa renovação alternada prevista no texto constitucional.
Diferentemente da Câmara dos Deputados, que representa a população e distribui as cadeiras conforme o tamanho de cada estado, o Senado representa as unidades da federação em igualdade: são três senadores por estado e pelo Distrito Federal, do menor ao maior. Cada senador é eleito junto com dois suplentes, que assumem a cadeira em caso de licença, renúncia ou vacância do titular, o que torna a escolha do suplente parte relevante de cada chapa.
- Em disputa no ciclo de 2026 2
- Mantida até 2031 (Efraim Filho) 1
O efeito é um vaivém. Numa eleição, cada estado renova uma só de suas três cadeiras; na seguinte, renova as outras duas. Foi o que ocorreu em 2022, quando a Paraíba elegeu um senador, Efraim Filho. Agora, em 2026, chega o ciclo de dois terços, que renova 54 das 81 cadeiras em todo o país, e o estado renova duas cadeiras ao mesmo tempo. Daí a urna pedir dois votos distintos para senador.
Quais cadeiras da Paraíba estão em jogo?
Das três cadeiras paraibanas, duas vão à urna nesta eleição. Os mandatos de Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e de Daniella Ribeiro (PP), ambos eleitos em 2018 para o período 2019-2027, se encerram com a posse dos eleitos de 2026. São essas duas vagas em disputa. A terceira cadeira não se move: Efraim Filho (PL), eleito em 2022, cumpre mandato até 2031 e não concorre neste ciclo. Independentemente do resultado de outubro, um dos três assentos da Paraíba em Brasília já está definido, e apenas dois serão decididos agora.
Por que o eleitor vota em dois nomes?
A dúvida mais comum na cabine tem resposta simples. Quando duas vagas são disputadas ao mesmo tempo, o eleitor pode votar em dois candidatos diferentes para o mesmo cargo. Usar os dois não é obrigatório, mas registrar um único nome, quando o sistema espera dois, anula o voto. Ao contrário da eleição para governador e presidente, no Senado não há segundo turno: a apuração é direta, e as duas cadeiras ficam com os dois nomes mais votados no estado. A eleição para o Senado é uma disputa majoritária e simples: vence quem soma mais votos válidos, sem o quociente eleitoral que distribui as vagas de deputado pela votação de cada partido, ainda que os dois eleitos sejam de partidos diferentes ou de campos políticos opostos.
Quem já aparece como pré-candidato ao Senado?
Antes de as urnas registrarem qualquer nome, a corrida às duas vagas já mobiliza o tabuleiro estadual. O noticiário político do estado, em julho de 2026, aponta sete pré-candidatos ao Senado: o ex-governador João Azevêdo, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que renunciou ao cargo em abril para disputar a eleição; o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL); o prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos) e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que tenta a reeleição, além de André Gadelha (MDB), Major Fábio (Novo) e Rosilene Gomes (UP). São movimentos de pré-campanha, e não candidaturas formais.
| Pré-candidato | Partido |
|---|---|
| André Gadelha | MDB |
| João Azevêdo | PSB |
| Major Fábio | Novo |
| Marcelo Queiroga | PL |
| Nabor Wanderley | Republicanos |
| Rosilene Gomes | UP |
| Veneziano Vital do Rêgo | MDB |
Fonte: Pré-candidaturas noticiadas pela imprensa, jul. 2026, não oficial até o registro no TSE (15/8). Lista em ordem alfabética.
A ressalva vale para todos. Nenhum desses nomes está oficializado enquanto não passar pela convenção do próprio partido e pelo registro na Justiça Eleitoral. Até o prazo de 15 de agosto, siglas ainda podem trocar de candidato, formar federações ou recuar. O quadro de julho é um retrato de intenções, não a lista definitiva que a urna vai apresentar em outubro.
- 20/7 a 5/8
Convenções partidárias
Partidos escolhem candidatos e definem coligações.
- 15/8
Registro das candidaturas
Prazo final no TSE; só a partir daí há candidato oficial.
- 4/10
Eleição, turno único para o Senado
Os dois nomes mais votados no estado levam as cadeiras; não há segundo turno.
- 1/2/2027
Posse
Começa o mandato de oito anos, que vai até 2035.
O que ainda falta definir?
Quem serão os candidatos a essas duas vagas só ganha contorno depois das convenções partidárias, de 20 de julho a 5 de agosto, e do registro das candidaturas, até 15 de agosto. Até lá, o noticiário das eleições 2026 trata de pré-candidaturas, que podem se confirmar ou não. A Justiça Eleitoral só reconhece candidato após o deferimento do registro, e é esse marco que separa a especulação da disputa efetiva. Os eleitos em outubro tomam posse em 1º de fevereiro de 2027 e cumprem mandato até 2035, atravessando duas eleições municipais e a próxima disputa presidencial. É esse horizonte longo, de oito anos, que dá ao voto para o Senado um peso distinto na cédula em relação aos cargos de quatro anos.
A corrida ao Senado se define por candidaturas registradas, propostas apresentadas e votações da bancada quando os eleitos assumirem. A cadeira do Senado dura oito anos, o dobro de um mandato de deputado ou de governador: é a decisão de mais longo alcance que o eleitor toma em outubro, e vale entrar na cabine sabendo por que são dois votos.
VerificadoInformação checada com fontes independentes: o Senado e o Planalto.
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