De cada dez reais que os 12 deputados federais da Paraíba usaram este ano para bancar o mandato, mais de quatro foram para divulgar o próprio trabalho. Dos R$ 2.475.417,79 que a bancada gastou com a cota parlamentar em 2026, R$ 1,08 milhão, ou 43,5% do total, saíram na rubrica de divulgação da atividade parlamentar, segundo a Câmara dos Deputados. É a maior despesa do grupo por larga margem: quase duas vezes e meia o segundo item da lista, a locação de veículos.
Fonte: Câmara dos Deputados, 2026
A rubrica de divulgação paga anúncios, impulsionamento de publicações e material que leva o nome do parlamentar à base eleitoral. Que ela lidere não é detalhe: sozinha, responde por mais do que a soma de combustíveis, passagens aéreas e escritório de apoio.
- Divulgação do mandato R$ 1.077.884 (44%)
- Locação de veículos R$ 440.170 (18%)
- Outras rubricas R$ 308.610 (12%)
- Combustíveis R$ 263.431 (11%)
- Passagens aéreas R$ 259.059 (10%)
- Escritório de apoio R$ 126.264 (5%)
Quanto cada deputado gastou?
Nove dos doze são titulares no exercício integral do mandato, e entre eles o gasto é parelho: a média fica em torno de R$ 270 mil. No topo está Ruy Carneiro (Podemos), que usou 56% a mais que Aguinaldo Ribeiro (PP), o titular de menor despesa. Luiz Couto (PT) e Wellington Roberto (PSD) vêm logo atrás; o presidente da Câmara, o paraibano Hugo Motta (Republicanos), aparece no meio da lista.
Entre os titulares, a distância entre o maior e o menor gasto ajuda a ler o dado. Ruy Carneiro, com R$ 341 mil, usou 56% a mais que Aguinaldo Ribeiro, que fechou o período com R$ 219 mil, o menor valor entre os nove que exercem o mandato integral. No meio da tabela aparece Hugo Motta, presidente da Câmara, com R$ 250 mil, patamar próximo da média da bancada. A folga entre os extremos mostra que, mesmo com regras iguais para todos, o ritmo de uso da cota varia de gabinete para gabinete.

Por que três nomes aparecem com tão pouco?
Três dos doze parlamentares chegaram à Câmara só neste ano, como suplentes. Raniery Paulino assumiu em 28 de maio, Valdir Trindade em 10 de junho e Leonardo Gadelha em 9 de julho. Como estão no cargo há semanas, e não há meses, seus gastos não se comparam aos dos titulares: o de Gadelha, empossado no início de julho, soma pouco mais de mil reais. Comparar esses nomes aos titulares seria enganoso, já que o intervalo de exercício do mandato é o que explica a diferença, e não o padrão de gasto de cada um.
- 28/5
Raniery Paulino (Republicanos)
Cota parlamentar no período: R$ 32.094.
- 10/6
Valdir Trindade (Republicanos)
Cota parlamentar no período: R$ 16.448.
- 9/7
Leonardo Gadelha (Podemos)
Cota parlamentar no período: R$ 1.330.
O que a cota cobre, e o que não cobre
A cota não é salário, e o que sobra dela não vira dinheiro no bolso do deputado. A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, a CEAP na sigla usada pela Câmara, serve para custear despesas do mandato mediante nota fiscal: passagem aérea, combustível, aluguel de veículo, manutenção de escritório de apoio, telefonia, correspondência e a divulgação do trabalho parlamentar. Fora dela ficam o salário do deputado, a verba de gabinete, que paga os assessores, e o auxílio-moradia, que cobre a estadia em Brasília e não se confunde com a verba de custeio. A cota, portanto, é só uma das linhas do custo de manter um mandato com recursos públicos, e a mais fácil de acompanhar: cada real está lançado, com nota, na página de cada parlamentar no portal da Câmara.
A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar cobre despesas do mandato, como passagens, divulgação e aluguel de escritório. Não é salário, e o valor não usado não vira dinheiro no bolso do deputado.
O teto mensal da cota não é igual para todos. Segundo as regras da Câmara, esse limite mensal varia conforme o estado que o deputado representa, justamente porque leva em conta a distância até Brasília: quanto mais longe a base eleitoral, maior a parcela destinada a deslocamento, e é por isso que o Distrito Federal, sede da Câmara, tem o menor valor mensal do país. Para a Paraíba, isso coloca a bancada num patamar intermediário entre os estados vizinhos do Nordeste e os do Sul e Sudeste. O saldo também não se perde de um mês para o outro dentro do mesmo ano: o que não é usado em um mês pode ser aproveitado nos seguintes, o que explica por que a comparação mais justa é feita pelo acumulado do exercício, e não mês a mês. Cada despesa só entra na conta mediante documento fiscal, que fica anexado ao lançamento: a nota identifica o fornecedor, a data e o tipo de gasto, e é esse rastro que permite auditar o uso da verba, a partir do qual esta reportagem chegou aos valores por rubrica e por parlamentar.

A divulgação puxa a conta
O R$ 1,08 milhão gasto com divulgação do mandato supera a soma de combustíveis (R$ 263 mil), passagens aéreas (R$ 259 mil) e escritório de apoio (R$ 126 mil). É também cerca de duas vezes e meia a locação de veículos, o segundo maior item, com R$ 440 mil. A rubrica cobre anúncios, impulsionamento de conteúdo e material que carrega o nome do parlamentar, gasto que tende a crescer à medida que se aproxima o ano eleitoral e cada deputado busca visibilidade na base. Como a divulgação converte verba pública em exposição do nome do mandato, é também a rubrica mais sensível na leitura de um ano em que todos os titulares tendem a disputar a reeleição, e por isso concentra a atenção de quem acompanha o uso do dinheiro público.
Como conferir cada nota
Mais detalhes estão no site da Câmara: a lista de despesas de cada deputado, mês a mês, com o nome do fornecedor e o tipo de gasto. Os mesmos números estão nos dados abertos que serviram a esta reportagem, extraídos da API da Câmara e referentes ao acumulado de janeiro a julho de 2026; as notas do ano seguem em processamento. Até aqui, a divulgação do mandato permanece o principal destino da cota da bancada paraibana: cerca de quatro em cada dez reais gastos pelos deputados federais do estado. No mesmo pleito de outubro, a Paraíba ainda renova duas vagas ao Senado.
Fonte oficialInformação apurada em fonte oficial: a Câmara dos Deputados.
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