De cada dez reais que os 12 deputados federais da Paraíba usaram este ano para tocar o mandato, mais de quatro foram para divulgar o próprio trabalho. Dos R$ 2.475.417,79 que a bancada gastou com a cota parlamentar em 2026, R$ 1,08 milhão saiu na rubrica de divulgação da atividade parlamentar, segundo a Câmara dos Deputados. É a maior despesa do grupo, à frente de aluguel de veículos, combustível e passagens aéreas.
A cota, oficialmente Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, é o dinheiro público que banca a estrutura do mandato longe do plenário: as viagens entre a Paraíba e Brasília, o carro que roda o interior, o escritório que atende o eleitor e a divulgação que leva o nome do deputado até ele. Essa divulgação, a rubrica que mais consumiu recursos, paga anúncios, impulsionamento de publicações e material que espalha as ações do parlamentar pela base. Cada real, porém, deixa rastro: fornecedor, data e valor ficam lançados, nota a nota.
Quanto cada deputado gastou?
Nove dos doze nomes são titulares no exercício integral do mandato, e entre eles o uso da cota em 2026 anda perto: de R$ 219 mil a R$ 341 mil. Na ponta de cima está Ruy Carneiro (Podemos), seguido de perto por Luiz Couto (PT) e Wellington Roberto (PSD). O presidente da Câmara, o paraibano Hugo Motta (Republicanos), aparece no meio da lista.
Por que três nomes aparecem com tão pouco?
Três dos doze parlamentares chegaram à Câmara só neste ano, como suplentes. Raniery Paulino assumiu em 28 de maio, Valdir Trindade em 10 de junho e Leonardo Gadelha em 9 de julho. Como estão no cargo há semanas, e não há meses, seus gastos não se comparam aos dos titulares: o de Gadelha, empossado no início de julho, soma pouco mais de mil reais.
O que a cota cobre, e o que não cobre
A cota não é salário, e o que sobra dela não vira dinheiro no bolso do deputado. Ela reembolsa despesas do mandato mediante nota fiscal: passagem aérea, combustível, aluguel de veículo e de escritório, telefonia, correspondência e a divulgação do trabalho parlamentar. O teto mensal muda de estado para estado, porque leva em conta a distância até Brasília.
Fora dela ficam o salário do deputado e a verba de gabinete, que paga os assessores. A cota, portanto, é só uma das linhas do custo de manter um mandato, e a mais fácil de acompanhar: cada real está lançado, com nota, na página de cada parlamentar no portal da Câmara.
Como conferir cada nota
Mais detalhes estão no site da Câmara: a lista de despesas de cada deputado, mês a mês, com o nome do fornecedor e o tipo de gasto. Os mesmos números estão nos dados abertos que serviram a esta reportagem, à disposição de qualquer pessoa. As notas de 2026 seguem sendo lançadas; até julho, a conta da bancada paraibana somava R$ 2,47 milhões.
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