A Prefeitura de Campina Grande apresentou em 7 de agosto de 2026 um balanço da implantação do novo VLT que mostra dois efeitos da readequação do projeto: o impacto sobre as moradias caiu 82,2% e o custo previsto da obra despencou. Pela intermediação da gestão municipal, o número de famílias afetadas caiu de 932 para 165, e o valor estimado da obra passou de R$ 108 milhões para R$ 3,8 milhões.
Sigla de veículo leve sobre trilhos, um transporte público que circula sobre linha férrea dentro da cidade. Tem capacidade maior que a do ônibus e menor que a do metrô, e costuma aproveitar trechos de malha ferroviária já existentes.
O anúncio foi feito na manhã de sexta-feira, quando o chefe de Gabinete do prefeito, Waldeny Santana, reuniu-se com o secretário de Planejamento, Marcus Nogueira, responsável por apresentar o balanço. Segundo a Prefeitura, foi a readequação social e financeira do projeto que permitiu preservar centenas de lares e, ao mesmo tempo, reduzir o gasto público com a obra, sem interromper o avanço da implantação do sistema.
Fonte: Prefeitura de Campina Grande, ago. 2026
Uma redução de mais de quatro quintos no impacto
O dado central do balanço é a queda no número de famílias que precisarão sair de casa por causa da obra. No desenho original, a passagem do veículo leve sobre trilhos atingiria 932 famílias instaladas em comunidades próximas aos trilhos. Com as adequações apresentadas pela Prefeitura, esse número caiu para 165 famílias, o que representa uma redução de 82,2%. Em termos práticos, mais de quatro em cada cinco lares que seriam removidos permanecerão onde estão, um resultado que a gestão atribui à revisão do traçado e do alcance da intervenção sobre a linha férrea.
A mesma revisão que diminuiu o número de remoções também mexeu na conta da obra. O custo que estava projetado em R$ 108 milhões foi recalculado para R$ 3,8 milhões, uma economia de R$ 104,2 milhões em relação ao valor anterior. A Prefeitura trata os dois movimentos como parte de um único esforço de otimização: ao reduzir a extensão das desapropriações e das obras de realocação, cai junto o volume de recursos necessário para viabilizar a passagem do sistema pela área urbana. A diferença de R$ 104,2 milhões entre o custo antigo e o novo equivale a mais de vinte e sete vezes o valor recalculado, um salto que a gestão atribui diretamente ao novo desenho do projeto.

O contraste entre os dois valores ajuda a dimensionar a mudança. A tabela abaixo reúne, lado a lado, os números do projeto antes e depois da readequação, tanto no impacto social quanto no custo estimado.
| Indicador | Projeto original | Projeto readequado |
|---|---|---|
| Famílias afetadas | 932 | 165 |
| Custo previsto da obra | R$ 108 milhões | R$ 3,8 milhões |
| Famílias com termo assinado | não se aplica | 121 |
Fonte: Prefeitura de Campina Grande, ago. 2026
O destino das famílias que serão realocadas
Além de reduzir o número de atingidos, a Prefeitura afirma já ter definido o acolhimento das 165 famílias que ainda serão realocadas. O destino é o Residencial Ivandro Cunha Lima Filho, para onde as mudanças devem ocorrer, segundo a gestão, de forma organizada e acompanhada. Até a data do balanço, 121 famílias já haviam assinado o termo de mudança, adesão que a Prefeitura apresenta como sinal de diálogo com a comunidade instalada ao longo do percurso. Restam, portanto, 44 famílias sem termo assinado entre as 165 que ainda serão transferidas, um passo que a gestão diz conduzir de forma segura e acompanhada até a conclusão das mudanças.
Ao comentar o balanço, o chefe de Gabinete, Waldeny Santana, resumiu o que a gestão define como prioridade da intervenção. Ele afirmou que o compromisso é “fazer o projeto do VLT sair do papel aliando desenvolvimento, respeito às pessoas e zelo pelo dinheiro público”. A fala conecta os dois eixos do anúncio, a preservação de moradias e a redução de custos, e coloca a realocação das famílias restantes como parte do mesmo pacote de responsabilidade apresentado pela Prefeitura.
O anúncio se soma a outras frentes de mobilidade urbana e de obras que a cidade acompanha neste ano, como as obras da avenida Plínio Lemos, a entrega de 20 novos ônibus à frota e a nova sinalização viária instalada pela STTP. O VLT é apresentado pela gestão como uma peça de longo prazo desse conjunto, voltada a estruturar o transporte público sobre a malha ferroviária que corta a área urbana e a ligar bairros hoje dependentes do ônibus, com capacidade de transporte maior por viagem.
O que ainda não foi divulgado
O balanço concentra-se no impacto social e no custo, e deixa de fora informações que ajudam a dimensionar a obra como um todo. A Prefeitura não informou a extensão em quilômetros do trecho, o número de estações previstas, nem o prazo de conclusão das obras. Também não detalhou o valor total do investimento no VLT, o cronograma de execução e a fonte dos recursos, ou seja, qual esfera de governo executa e financia o sistema, já que o papel descrito para a gestão municipal é o de intermediação e readequação do projeto. O calendário de mudança das 165 famílias para o novo residencial tampouco foi divulgado. Esses pontos poderão ser acompanhados nas próximas atualizações da obra, quando ficará mais claro o tamanho e o ritmo da implantação do sistema na cidade.
Fonte oficialInformação apurada em fonte oficial: a Prefeitura de Campina Grande.
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