A Prefeitura de Campina Grande, por meio da Secretaria de Obras (Secob), iniciou no sábado, 25, os trabalhos de intervenção emergencial na linha férrea da Passagem de Nível 23, localizada na avenida Vinte e Sete de Julho, número 1.500, no bairro de Bodocongó. Segundo o release oficial, a ação deve ser concluída no início da semana seguinte. Os reparos começaram após a identificação de um solapamento severo na via férrea, registrado em relatório técnico e fotográfico emitido no dia 22 pela Secob e comunicado oficialmente à Ferrovia Transnordestina Logística, concessionária responsável pelo trecho.
Segundo a vistoria, o problema foi causado por uma falha no sistema de drenagem temporário da travessia entre a avenida Vinte e Sete de Julho e a rua Gustavo Teixeira Vilarim. A situação, informa o release, foi agravada pelas chuvas intensas ocorridas nos últimos dias, que sobrecarregaram o escoamento. Com a obstrução do fluxo das águas, ocorreu uma erosão hídrica que retirou o material de sustentação da estrutura e deixou dormentes e trilhos sem suporte, quadro que motivou a resposta imediata da Secob. A Passagem de Nível 23 fica em um ponto onde a via urbana cruza a linha férrea no mesmo plano, trecho de circulação de veículos e pedestres, o que ampliou a preocupação da administração com a segurança no local. Segundo a Prefeitura, a drenagem provisória da travessia havia sido montada durante obras anteriores e não resistiu ao volume de água concentrado em pouco tempo.

Como funcionou a resposta da Prefeitura
A sequência descrita pela Prefeitura mostra uma resposta escalonada. Primeiro, a Secob vistoriou o local e registrou o dano em relatório técnico e fotográfico, no dia 22. Em seguida, comunicou o problema à concessionária da ferrovia. Diante do risco, iniciou por conta própria a intervenção emergencial no sábado, 25, voltada a restabelecer o sistema de drenagem local. A administração municipal informou que a atuação da Secob se deu em caráter de urgência, sem esperar pela resposta da ferrovia, justamente para evitar que a erosão avançasse sobre a estrutura da via. O relatório técnico emitido no dia 22, com registro fotográfico, serviu de base para a notificação enviada à concessionária e para dimensionar a extensão do dano antes do início dos trabalhos.
Segundo o secretário municipal de Obras, Joab Machado, a decisão de agir de imediato teve como foco a segurança. “Nosso compromisso é com a segurança da população. Por isso, agimos de forma imediata para evitar acidentes tanto na linha férrea quanto na via pública. Vamos acompanhar de perto até a conclusão definitiva dos reparos”, destacou o secretário.
- 22 jul
Vistoria e relatório
Secob emite relatório técnico e fotográfico do solapamento e comunica a concessionária.
- 25 jul
Início dos reparos
Prefeitura começa a intervenção emergencial na Passagem de Nível 23.
- Semana seguinte
Conclusão prevista
Restabelecimento do sistema de drenagem local, segundo o release.
A parte que cabe à concessionária
A intervenção da Prefeitura tem caráter emergencial, voltada a estancar o risco imediato. A correção definitiva, porém, envolve a Ferrovia Transnordestina Logística. Segundo o release, a administração municipal já havia solicitado à concessionária a apresentação de um cronograma físico detalhado para a correção definitiva, com prazo máximo de cinco dias úteis.
A distinção entre os dois papéis ajuda a entender o alcance da ação. A drenagem provisória foi refeita pela Secob para conter a erosão e permitir a circulação com segurança no curto prazo. Já a solução estrutural da travessia, que evitaria a repetição do problema em novos episódios de chuva forte, depende do plano que a ferrovia foi instada a apresentar. Embora a linha seja operada por uma concessionária privada, os impactos de uma falha recaem sobre o espaço público municipal, o que levou a Prefeitura a assumir a contenção imediata e, ao mesmo tempo, cobrar formalmente a solução estrutural de quem detém a concessão.
Fonte: Prefeitura de Campina Grande, jul. 2026
O contexto das chuvas
O episódio ilustra o efeito das chuvas sobre a infraestrutura urbana. Sistemas de drenagem provisórios, montados durante obras, são especialmente sensíveis a volumes elevados de água em pouco tempo: quando o escoamento falha, a água encontra caminhos alternativos e passa a carregar o solo, num processo de erosão que compromete o que estiver apoiado sobre ele, de trilhos a pavimentos. Passagens de nível, pontos onde uma via urbana cruza a linha férrea no mesmo plano, exigem atenção redobrada porque concentram dois tipos de tráfego sobre a mesma estrutura, e qualquer comprometimento do solo sob os trilhos afeta ao mesmo tempo a circulação de trens e a de veículos e pedestres na avenida.
A relação entre chuvas e infraestrutura também aparece na gestão dos recursos hídricos da região, como no acompanhamento do nível do açude de Boqueirão, que mede o outro lado dessa equação: a água que abastece a cidade. No caso de Bodocongó, o desafio foi o oposto, conter o excesso de água concentrado numa travessia. O bairro é o mesmo por onde passa o canal recém-aberto pela administração municipal, e o acompanhamento das obras urbanas em curso pode ser conferido também no balanço da revitalização do Centro.

O que ainda não foi divulgado
O release não informou se houve interrupção da circulação de trens no trecho durante os reparos nem se a via pública sobre a passagem de nível chegou a ser bloqueada ao tráfego. Também não detalhou o custo da intervenção emergencial nem se a concessionária já havia respondido à solicitação de cronograma até a publicação do comunicado. Igualmente não foram informados o número de equipes e de máquinas empregadas nos reparos nem a extensão exata do trecho afetado pela erosão na Passagem de Nível 23.
Com os reparos em andamento, a Prefeitura afirmou que acompanhará o local até a conclusão definitiva, etapa que dependerá do plano a ser apresentado pela concessionária da ferrovia.
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