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Campina Grande adere ao Plano Juventude Negra Viva do governo federal

A cidade tornou-se o 104º município do país a assinar a adesão ao plano federal que enfrenta a violência letal contra a juventude negra, com a Capoeira nas Escolas como frente local já em curso.

Grupo de crianças e adolescentes com uniforme branco de capoeira posa com autoridades na entrada da Secretaria de Cultura de Campina Grande.
Grupo do projeto Capoeira nas Escolas e autoridades na assinatura da adesão, na sede da Secult, em Campina Grande. Prefeitura de Campina Grande
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A Prefeitura de Campina Grande assinou a adesão ao Plano Juventude Negra Viva, política do governo federal coordenada pelo Ministério da Igualdade Racial. Com o ato, firmado em 19 de junho de 2026, a cidade tornou-se o 104º município do país a integrar o plano, entre mais de 5.500 existentes no Brasil.

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Plano Juventude Negra Viva

Conjunto de políticas públicas do governo federal voltado à redução das vulnerabilidades que afetam a juventude negra brasileira e ao enfrentamento da violência letal alicerçada no racismo estrutural. Reúne ações de diferentes ministérios em torno de educação, cultura, trabalho, saúde e segurança, articuladas com estados e municípios que aderem à política.

A adesão insere Campina Grande numa rede nacional de municípios que se comprometem a executar, no território, as diretrizes desenhadas pela União. Na prática, o município passa a alinhar programas próprios aos eixos do plano, sem precisar construir do zero uma metodologia: o desenho federal já vem pactuado, e cabe à cidade adaptá-lo à sua realidade e à sua rede de serviços.

O Plano Juventude Negra Viva em números
104º município Campina Grande na adesão nacional, entre mais de 5.500
11 eixos de atuação do plano coordenado pela União
217 ações pactuadas com 18 ministérios e 43 metas
107 escolas da rede municipal com Capoeira nas Escolas

Fonte: Prefeitura de Campina Grande e Ministério da Igualdade Racial, 19 jun. 2026

O que é o Plano Juventude Negra Viva?

O plano é a principal política federal voltada à população jovem negra. Segundo o Ministério da Igualdade Racial, trata-se de um conjunto de políticas públicas que busca “a redução das vulnerabilidades que afetam a juventude negra brasileira e a violência letal alicerçada no racismo estrutural”. A estrutura reúne 11 eixos de atuação e 217 ações pactuadas com 18 ministérios, com 43 metas distribuídas entre as pastas.

A política nasceu de um processo participativo. Ouviu cerca de 6 mil jovens em caravanas que percorreram os 26 estados e o Distrito Federal, e foi formalizada a partir de um grupo de trabalho interministerial. É esse desenho que os municípios passam a executar quando assinam a adesão, como fez Campina Grande.

Cinco pessoas sentadas a uma mesa de madeira durante a mesa de abertura do evento, diante de parede de tijolos com decoração junina.
Mesa de abertura do encontro que marcou a adesão da cidade ao plano federal. Prefeitura de Campina Grande

O ponto de partida da política tem data e norma definidas. A cronologia ajuda a situar em que estágio a adesão de Campina Grande entra, três anos depois de o governo federal instalar o grupo que desenhou o plano.

Do desenho federal à adesão de Campina Grande. Fonte: Ministério da Igualdade Racial e Prefeitura de Campina Grande.
  1. 2023

    Grupo de trabalho

    O Decreto nº 11.444, de 21 de março, cria o grupo interministerial que desenha o plano.

  2. 2024

    Lançamento

    Após caravanas que ouviram cerca de 6 mil jovens nos 26 estados e no Distrito Federal, o plano é lançado.

  3. 2026

    Adesão de Campina Grande

    Em 19 de junho, a cidade assina a adesão e passa a ser o 104º município a integrar a política.

O que a adesão muda em Campina Grande?

Na cidade, a frente já em curso ligada ao plano é o projeto Capoeira nas Escolas, apontado na assinatura como a ação municipal alinhada à política federal. Segundo a Prefeitura, a iniciativa está presente nas 107 escolas da rede municipal de ensino e usa a capoeira, manifestação de matriz afro-brasileira, como ferramenta pedagógica e de convivência dentro das unidades.

Ao amarrar a capoeira à adesão, o município conecta uma prática cultural que já existia na rede a uma política nacional de enfrentamento ao racismo. O efeito prático que se espera é o de dar a essa frente um lastro federal, com metas e eixos definidos fora do município, e de abrir caminho para que outros programas locais de educação, cultura e esporte sejam lidos sob a mesma diretriz.

Dois adolescentes de uniforme branco jogam capoeira numa roda ao ar livre, cercados por colegas que tocam instrumentos.
Roda de capoeira do projeto que a Prefeitura mantém na rede municipal de ensino. Prefeitura de Campina Grande

Essa articulação dialoga com outras apostas da rede na área, como o trabalho de educação em tempo integral e a formação de gestores escolares conduzida pela Secretaria de Educação. São frentes distintas, mas que passam a compartilhar um mesmo horizonte de política pública quando a cidade entra na rede do plano federal.

Quem participou da assinatura

O ato reuniu representantes municipais e federais. Pela União esteve Tiago Santana, secretário de Políticas Públicas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo, ligado ao Ministério da Igualdade Racial. Pelo município participaram os secretários Anny Karenine, de Cultura, e Asfora Neto, de Educação, além de Ronaldo Neto, de Esportes, e do coordenador de Comunicação, Marcos Alfredo.

Também integraram o encontro a jornalista, professora e pesquisadora de questões étnico-raciais Carla Borba e o coordenador do projeto Capoeira nas Escolas, conhecido como Mestre Pequeno. A composição, que somou gestão pública, academia e lideranças culturais, sinaliza o caráter intersetorial da política, que atravessa educação, cultura e esporte no desenho federal.

Homem de terno cinza e gravata azul concede entrevista diante de um celular, do lado de fora de um prédio público.
Representante do governo federal fala à imprensa no dia da adesão ao plano. Prefeitura de Campina Grande

A presença de um representante federal na assinatura reforça o vínculo direto entre a cidade e o Ministério da Igualdade Racial, que coordena a política. É esse elo que dá à adesão um sentido para além do gesto simbólico, ao inscrever Campina Grande num programa com orçamento e prazos definidos em âmbito nacional.

O que ainda não foi divulgado

O material oficial informa a adesão e a frente da capoeira, mas não detalhou metas locais nem prazos específicos para Campina Grande dentro dos 11 eixos do plano. Também não foram divulgados os recursos que a cidade receberá ou aplicará na política, nem quais outros programas municipais de saúde, trabalho e segurança serão vinculados formalmente ao Juventude Negra Viva. São informações que ajudariam a medir o alcance concreto da adesão, que por ora se apoia sobretudo no projeto de capoeira já existente nas escolas. Sem metas, prazos e valores próprios, o que se registra é o compromisso formal da cidade com a política, um passo cujo tamanho na rede municipal ainda depende de números que o poder público não divulgou. O CG em Foco buscará esses dados junto às secretarias envolvidas e ao Ministério da Igualdade Racial.

VerificadoApurado no site da Prefeitura e no portal do Ministério da Igualdade Racial.

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