Noventa e oito estudantes da Escola Municipal CEAI João Pereira de Assis, em Campina Grande, receberam kits esportivos do Projeto Futebol de Rua pela Educação. A entrega ocorreu em 10 de julho de 2026, na quadra da própria escola, dentro da edição batizada de Futebol de Rua pela Educação XII 3.0, e foi conduzida pela Secretaria Municipal de Educação (Seduc), chefiada pelo secretário Asfora Neto, em parceria com o programa que dá nome à ação.
Projeto que usa o esporte como instrumento de aprendizagem e convivência. Em vez de tratar o futebol apenas como competição, propõe atividades que trabalham respeito, cooperação e permanência do aluno na escola, articuladas ao dia a dia da rede de ensino.
Cada kit é composto por camiseta, bermuda e chuteiras. Mais do que a peça de roupa, o material funciona como um convite: reforça o pertencimento ao grupo e dá a estudantes que nem sempre têm equipamento próprio a condição de participar das atividades esportivas em igualdade com os colegas. Numa escola pública, a diferença entre ter e não ter uma chuteira é, muitas vezes, a diferença entre entrar em campo e ficar de fora. Ao padronizar o material, o projeto tira essa barreira do caminho e coloca todos na mesma linha de largada, um gesto de inclusão social dentro da rede municipal de ensino.
Fonte: Prefeitura de Campina Grande, 10 jul. 2026
Como foi a entrega
A distribuição reuniu os alunos na quadra coberta da escola, muitos deles com os coletes do projeto, que trazem o desenho de um campo. Um a um, os estudantes receberam os pacotes com o material esportivo diante dos colegas. A escolha de fazer a entrega na própria quadra, e não numa cerimônia distante, dá ao momento um caráter de pertencimento: o material chega onde ele vai, de fato, ser usado. Ao fundo, monitores acompanham a turma, entre eles Bárbara Lopes, responsável por prestar suporte pedagógico ao projeto, sinal de que a ação não se resume à distribuição pontual, mas se apoia em pessoas que seguem com os alunos.

Ações como essa costumam ganhar significado justamente pelo símbolo: um par de chuteiras pode ser o detalhe que faz um adolescente voltar no dia seguinte. É essa lógica que o projeto tenta explorar, ao aproximar o esporte da rotina escolar, terreno em que se exercitam habilidades socioemocionais como respeito, cooperação e trabalho em equipe. O uniforme cumpre um papel parecido, ao dar identidade ao grupo e diluir as diferenças de poder aquisitivo que ficam evidentes quando cada aluno joga com a roupa que tem em casa. Vestidos igual, os estudantes entram em quadra como time, e não como uma soma de individualidades.
O que o projeto se propõe a trabalhar
Segundo a Prefeitura, a iniciativa vai além da prática esportiva e mira o desenvolvimento integral do estudante. A ideia é usar o que o esporte tem de melhor, a disciplina do treino, a divisão de funções em campo e a experiência de ganhar e perder, como conteúdo educativo, e não apenas como recreação no contraturno:
| O que o projeto trabalha | Como |
|---|---|
| Inclusão social | Esporte como porta de entrada e espaço de convívio |
| Permanência escolar | Fortalece o vínculo do aluno com a escola |
| Habilidades socioemocionais | Respeito, cooperação e trabalho em equipe |
| Desenvolvimento integral | Une o corpo e a aprendizagem no mesmo projeto |
O elo entre esporte e permanência escolar é o coração da proposta. A evasão escolar costuma crescer nos anos finais do ensino fundamental, faixa em que estão muitos dos alunos contemplados, entre eles Douglas Emanuel, de 13 anos, aluno do 8º ano. Atividades que dão motivo para o estudante querer estar na escola funcionam como uma barreira contra o abandono. O raciocínio é simples: um aluno que tem um compromisso esportivo, um time e um horário de treino cria um vínculo a mais com a instituição, e esse vínculo pesa na decisão de continuar estudando. É por isso que projetos assim são tratados menos como lazer e mais como política de educação, ainda que o cronômetro seja o de uma partida.
Um projeto de alcance nacional
O Futebol de Rua pela Educação não é exclusivo de Campina Grande. De acordo com a Prefeitura, a iniciativa já beneficiou mais de 3.500 crianças em todo o país. A etapa na Escola CEAI João Pereira de Assis é o recorte local de um programa que roda em diferentes cidades e alcança crianças e adolescentes sob os mesmos padrões, o que ajuda a explicar a padronização dos kits e dos materiais. Estar dentro de uma rede nacional tem uma vantagem prática para o município: a metodologia e os padrões já vêm testados, e a cidade entra para adaptá-los à sua realidade, em vez de construir tudo do zero. Para o estudante, o efeito é o de fazer parte de algo maior do que a sua escola, com colegas espalhados por outras cidades sob as mesmas regras.

A ação também dialoga com o esforço da rede municipal na área da educação, marcado por investimentos como os do PDDE Municipal e por resultados como o avanço na alfabetização registrados na cidade. São frentes distintas, mas que compartilham o mesmo objetivo de manter a criança dentro da escola.
O que ainda não foi divulgado
O material oficial informa o número de estudantes contemplados nesta etapa, mas não detalhou o custo da ação, a origem dos recursos nem o cronograma de atendimento a outras unidades escolares da rede. Também não foi divulgado se o projeto prevê acompanhamento pedagógico dos alunos ao longo do ano, além da entrega dos kits, nem quais serão as próximas escolas municipais atendidas em Campina Grande. São informações que ajudariam a medir o alcance real da iniciativa na rede municipal, que reúne dezenas de escolas e creches. Sem elas, o que se registra é a entrega em uma escola, um passo cujo tamanho no conjunto da rede ainda depende de números que a Secretaria não divulgou. O CG em Foco buscará esses dados junto à Secretaria de Educação.
VerificadoInformação apurada no site oficial da Prefeitura de Campina Grande.
Publicado em · Política de correções



Comentários