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Campina Grande lança o Junho Violeta contra a violência à pessoa idosa

A Secretaria de Assistência Social abriu a campanha no Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, com palestras e estímulo às denúncias pelos canais 100 e 155.

Salão com pessoas idosas sentadas em cadeiras assistindo a uma palestra, sob banner roxo do Dia Mundial contra a violência à pessoa idosa.
Lançamento da campanha Junho Violeta reúne o público idoso no Salão de Festas Eulália Quintans Meira. Prefeitura de Campina Grande
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A Prefeitura de Campina Grande lançou a campanha Junho Violeta, dedicada ao combate à violência contra a pessoa idosa. O lançamento ocorreu em 15 de junho de 2026, no Salão de Festas Eulália Quintans Meira, no bairro Aluízio Campos, e adotou o tema “Dê Visibilidade à Luta: Previna a Violência contra a Pessoa Idosa”.

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Junho Violeta

Campanha de conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa, associada ao 15 de junho, Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. A cor violeta identifica a mobilização, que reúne palestras, ações educativas e estímulo à denúncia para dar visibilidade a um problema que costuma ficar escondido dentro de casa.

A data não é aleatória. O 15 de junho marca o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, e é em torno dele que se organiza a campanha, conduzida pela Gerência da Pessoa Idosa da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas).

A campanha Junho Violeta em números
435.307 denúncias contra idosos no Brasil, de jan. 2024 a abr. 2026
15/06 Dia Mundial de conscientização da violência à pessoa idosa
100 e 155 canais para denunciar violações de direitos
Semas órgão Gerência da Pessoa Idosa conduz a campanha

Fonte: Prefeitura de Campina Grande, 15 jun. 2026

O que é a campanha Junho Violeta

Mais do que uma data comemorativa, o Junho Violeta funciona como um mês de mobilização. A proposta é dar visibilidade a um tipo de violência que raramente aparece: a que atinge a pessoa idosa, muitas vezes praticada por familiares ou cuidadores e cercada de silêncio. Ao ocupar espaços públicos com o tema, a campanha tenta romper esse silêncio e informar a própria vítima sobre seus direitos.

Palestrante ao microfone diante de banner roxo do 15 de junho e de um slide sobre tipos de violência contra a pessoa idosa.
Palestra sobre o enfrentamento da violência à pessoa idosa no lançamento da campanha. Prefeitura de Campina Grande

O lançamento reuniu o público idoso e profissionais da rede em torno de palestras educativas. A programação combinou informação e acolhimento, num formato que aproxima o tema de quem é diretamente afetado, em vez de restringir o debate a especialistas. Fazer a abertura em um salão de bairro, e não em um auditório central, também tem efeito: leva a discussão para perto de onde as pessoas vivem e reduz a barreira de acesso para quem tem dificuldade de deslocamento.

As ações previstas

A campanha não se resume ao ato de lançamento. Ela prevê um conjunto de frentes que se estende pelo mês, com foco tanto na prevenção quanto na identificação dos casos que já ocorrem.

As frentes da campanha Junho Violeta
Ação Objetivo
Palestras educativas Informar sobre o enfrentamento da violência à pessoa idosa
Capacitação de profissionais Ajudar equipes de saúde a identificar violência nas consultas
Alertas à sociedade Dar visibilidade ao problema e estimular a denúncia
Canais de denúncia Disque 100 e 155 para relatar violações de direitos

A capacitação de profissionais de saúde é uma das frentes mais estratégicas. Muitas vezes, o consultório é o único espaço em que a pessoa idosa está longe de quem a agride, e uma equipe treinada para reconhecer sinais de negligência ou maus-tratos pode ser a porta de entrada para a proteção. Formar quem atende no dia a dia amplia o alcance da campanha para além do mês de junho e transforma a rede de saúde em um ponto permanente de vigilância contra os maus-tratos.

Banner do 15 de junho ao lado de painel na parede com os tipos de violência contra a pessoa idosa e um slide projetado.
Painel da campanha lista os tipos de violência contra a pessoa idosa no salão do evento. Prefeitura de Campina Grande

Um problema que cresce e se esconde

Os números dão a dimensão do desafio. Segundo a Prefeitura, entre janeiro de 2024 e abril de 2026 foram registradas 435.307 denúncias de violações de direitos contra idosos no país, conforme a plataforma gov.br. O dado é nacional, mas ajuda a entender por que a mobilização se repete a cada ano: trata-se de um problema difuso, subnotificado e que tende a crescer com o envelhecimento da população. Boa parte dos casos nunca chega a virar denúncia, seja pela dependência da vítima em relação a quem a agride, seja pelo medo ou pela vergonha de expor um familiar.

A campanha se conecta a outras frentes da rede voltadas à população idosa e à proteção de grupos vulneráveis, como o Centro de Convivência do Idoso, o Agosto Lilás contra a violência à mulher e o Plano Municipal de Saúde. São políticas distintas, mas que compartilham a lógica de tornar visível o que costuma ficar escondido.

Quem participou e onde denunciar

O lançamento reuniu autoridades e especialistas ligados ao tema. Estiveram presentes Fabio Thoma, secretário municipal de Assistência Social, Júlio César Araújo, presidente da Comissão da Pessoa Idosa da OAB de Campina Grande, a médica geriatra Luciana Maranhão, que ministrou palestra no evento, e Rosemary Torres, gerente da Pessoa Idosa. A presença conjunta da gestão pública, da advocacia e da medicina reforça o caráter intersetorial da política de proteção. Não por acaso: enfrentar a violência contra o idoso exige atuação em várias frentes ao mesmo tempo, da assistência social que acolhe a vítima ao sistema de justiça que responsabiliza o agressor, passando pela saúde que identifica os sinais. Cada uma dessas áreas enxerga uma parte do problema, e a campanha tenta costurá-las em torno de uma mesma agenda, para que a denúncia não se perca no caminho entre um serviço e outro.

O que a lei obriga a fazer

A campanha se apoia numa base legal já madura. O Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003) define, no art. 4º, que “nenhuma pessoa idosa será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão” e que “é dever de todos prevenir a ameaça ou violação aos direitos da pessoa idosa”, segundo o texto atualizado disponibilizado pela Câmara dos Deputados. Não é uma obrigação vaga: a lei detalha o que conta como violência e a quem cabe agir quando ela aparece.

O art. 19 vai além da definição e cria uma obrigação concreta para quem trabalha na ponta do atendimento. Serviços de saúde públicos e privados têm notificação compulsória: ao suspeitar ou confirmar violência contra uma pessoa idosa, precisam comunicar o caso à autoridade sanitária e a pelo menos um dos seguintes órgãos, autoridade policial, Ministério Público, Conselho Municipal, Conselho Estadual ou Conselho Nacional da Pessoa Idosa, conforme a redação dada pela Lei nº 14.423/2022. O § 1º do mesmo artigo fecha a definição legal de violência como “qualquer ação ou omissão praticada em local público ou privado que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico”: uma moldura ampla o suficiente para cobrir tanto a agressão física quanto a negligência silenciosa dentro de casa.

É essa engrenagem legal que dá sentido à frente de capacitação de profissionais de saúde citada pela Prefeitura: não se trata de boa vontade, mas de uma obrigação já prevista em lei desde 2003 e reforçada em 2022, que a campanha tenta transformar em prática efetiva na rede municipal.

O que ainda não foi divulgado

O material oficial informa o tema, as ações e os canais de denúncia, mas não detalhou o número de casos registrados em Campina Grande, a agenda completa das atividades do mês nem quantos profissionais serão capacitados na rede. Também não foi divulgado o balanço das denúncias recebidas no município ou o tempo de resposta a elas. São informações que ajudariam a medir a dimensão local do problema e a avaliar a resposta da rede às denúncias registradas na cidade. O CG em Foco buscará esses dados junto à Secretaria Municipal de Assistência Social.

VerificadoInformação apurada no site oficial da Prefeitura de Campina Grande.

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