O Hospital Universitário Alcides Carneiro, o HUAC, é uma das principais estruturas de saúde pública de Campina Grande e da região. Identificado no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) pelo código 2676060, o hospital tem 136 leitos cadastrados, e o próprio cadastro registra que todos os 136 são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). É um dado que resume a vocação da unidade: um hospital inteiramente público, sem leitos reservados a planos ou atendimento particular, num município que é polo de saúde para dezenas de cidades vizinhas.
Estabelecimento que, além de prestar assistência, forma profissionais de saúde por meio de programas de residência e estágios ligados a uma universidade. No caso do HUAC, o vínculo é com a Universidade Federal de Campina Grande, e a gestão é feita pela Ebserh, estatal criada em 2011 para administrar a rede federal de hospitais universitários.
A administração do HUAC combina duas camadas que costumam gerar confusão. O hospital é vinculado à Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e gerido pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a estatal federal que assumiu os hospitais universitários do país. No campo próprio do CNES, porém, a gestão aparece classificada como municipal, uma categoria administrativa do cadastro que não significa que a prefeitura opere o hospital. Por isso, o mais preciso é dizer que o CNES registra a gestão como municipal enquanto a Ebserh informa ser a responsável institucional pela operação, cada afirmação atribuída ao seu sistema de origem.
Fonte: CNES (leitos) e Ebserh (especialidades, abrangência e residências), 2024 a 2026
O número de leitos exige um cuidado de leitura, porque há três contagens oficiais que não devem ser somadas nem confundidas. O CNES informa 136 leitos existentes na competência mais recente. A Ebserh, em balanço institucional de 2025, cita 130 leitos ativos. E um documento assistencial de 2015 descrevia uma estrutura de 160 leitos, dois deles já desativados à época. Cada valor tem uma data e um sentido próprios: o cadastro atual, o indicador de gestão recente e a fotografia assistencial antiga. A tabela a seguir separa as três fontes para deixar a comparação transparente.
| Fonte | Leitos | Referência |
|---|---|---|
| CNES, cadastro atual | 136 existentes, 136 SUS | competência de 2026 |
| Ebserh, balanço institucional | 130 ativos | ano de 2025 |
| Documento assistencial | 160, sendo 2 desativados | ano de 2015 |
Fonte: CNES e Ebserh, consulta em agosto de 2026
Dentro dessa estrutura estão os leitos complementares, grupo que o CNES usa para reunir registros de terapia intensiva e suporte ventilatório. Na consulta atual, esse grupo soma 34 leitos existentes, dos quais 29 pelo SUS. É um número que deve ser citado como total do conjunto complementar, e não automaticamente como unidade de terapia intensiva isolada, já que o próprio cadastro não separa a UTI estrita na saída consultada. O documento assistencial de 2015, por sua vez, mencionava 23 leitos de cuidados intensivos, uma referência histórica que ajuda a dimensionar a área, mas não descreve necessariamente a capacidade de hoje.
Um hospital de média e alta complexidade
O HUAC não é uma unidade básica: é um hospital de média e alta complexidade, com um leque de especialidades que o coloca entre os serviços mais completos do interior paraibano. A Ebserh informa 65 áreas de atuação médica, das quais 43 são especialidades. A lista inclui cardiologia e cardiologia pediátrica, oncologia e oncologia pediátrica, neurologia e neurocirurgia, hemodinâmica e cardiologia intervencionista, radiologia intervencionista, além de pronto atendimento adulto e infantil. Essa combinação de procedimentos de alta densidade tecnológica com formação de médicos é o que caracteriza um hospital universitário e o distingue da rede municipal de pronto atendimento e das unidades básicas de saúde.

O tamanho da operação aparece na produção assistencial. Segundo a Ebserh, de janeiro a outubro de 2025 o HUAC realizou 82.176 consultas ambulatoriais, 3.438 internações e 3.333 cirurgias, além de 272.202 exames de análises clínicas. São números institucionais divulgados pela própria estatal, e não uma extração fechada dos sistemas de produção do SUS, cujo painel público não retornou o recorte do estabelecimento durante esta apuração. Ainda assim, a ordem de grandeza confirma o papel do hospital como retaguarda de procedimentos que a atenção básica não resolve, do exame de imagem à cirurgia especializada. Esse peso conversa diretamente com o plano municipal de saúde de Campina Grande e com as obras em UBS, CAPS e no Hospital Pedro I, que compõem a mesma rede.
- Municípios atendidos 184 municípios
- Demais municípios 39 municípios
Referência para toda uma região
A abrangência regional é o traço que mais distingue o HUAC de um hospital de porte apenas local. A Ebserh informa que, em 2024, o hospital atendeu pacientes de 184 municípios paraibanos, o equivalente a 82,5% das 223 cidades do estado. O documento assistencial mais antigo já registrava a chegada de pacientes de microrregiões do Rio Grande do Norte e de Pernambuco, o que reforça a condição do hospital como referência para além das fronteiras da Paraíba. Para o morador de Campina Grande, isso significa dividir a estrutura com uma população de referência muito maior do que a da cidade, num arranjo típico dos polos de saúde do interior nordestino.
O HUAC também é um centro de formação. A Ebserh contabiliza nove programas de residência médica e um programa de residência multiprofissional, com 94 residentes, 113 docentes e 138 preceptores. Cada médico formado ali tende a permanecer na rede de saúde do estado, o que faz do hospital não apenas um prestador de serviço, mas um fornecedor contínuo de profissionais para o SUS paraibano. Essa dupla função, assistência e ensino, é o que sustenta a designação de hospital universitário e ajuda a explicar por que a unidade concentra procedimentos que exigem equipe especializada.
Consolidados os dados, o retrato é de um hospital público integral, de alta complexidade e alcance estadual, sustentado por uma estrutura de ensino. Acompanhar esses indicadores na fonte primária, o CNES e os balanços da Ebserh, é a forma mais concreta de dimensionar o que o HUAC representa para o SUS em Campina Grande e no conjunto da Paraíba, ao lado de outras unidades de referência como o Hospital Clipsi, 100% SUS.
Fonte oficialApurado no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e nos balanços da Ebserh.
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