Campina Grande tinha 977 estabelecimentos de saúde ativos em julho de 2026, segundo o CNES, o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde mantido pelo Ministério da Saúde. É o retrato oficial mais recente da estrutura de saúde da cidade, e ele ajuda a dimensionar o papel do município como polo médico do interior da Paraíba, para onde converge a demanda de uma vasta região que ultrapassa em muito a sua própria população.
O número reúne desde grandes hospitais até consultórios isolados, e por isso pede leitura cuidadosa. Entre os 977, estão 14 hospitais gerais, 6 hospitais especializados, 100 unidades básicas de saúde e 41 policlínicas; a maior fatia isolada, com 470, é de consultórios particulares registrados. A cidade, segunda maior da Paraíba, concentra parte relevante da rede estadual, que soma 9.349 estabelecimentos.
Fonte: CNES/DATASUS, competência julho de 2026
Quantos leitos, e quantos são do SUS
A rede hospitalar de Campina Grande tem 2.211 leitos de internação, no retrato do CNES. Desses, a maior parte é do sistema público: são 1.569 leitos do SUS, contra 642 não-SUS. A proporção importa porque mostra que, na cidade, o acesso à internação depende majoritariamente da rede pública e conveniada, e não do atendimento privado puro. É um dado que costuma escapar da percepção comum, de que a saúde privada seria maioria, e que só o cadastro oficial permite medir com segurança.
- Leitos SUS 1569
- Leitos não-SUS 642
No conjunto da Paraíba, são 9.957 leitos de internação, sendo 7.643 do SUS. Campina Grande responde, portanto, por cerca de um quinto de toda a capacidade hospitalar do estado, uma concentração coerente com a função da cidade de atender pacientes de dezenas de municípios do Agreste, do Cariri e do Curimataú que buscam ali média e alta complexidade. Essa condição de referência regional tem um efeito prático: parte da fila e da ocupação dos hospitais campinenses não vem da própria cidade, mas de quem chega de fora pela porta do SUS, o que ajuda a explicar a pressão sobre a estrutura mesmo quando a rede parece dimensionada para a população local.
Onde estão os estabelecimentos
A distribuição por tipo mostra que a maior parte do cadastro não é feita de hospitais, e sim de atenção ambulatorial e de apoio. Os consultórios isolados lideram, seguidos das clínicas de especialidade e das unidades de apoio a diagnóstico e terapia, que incluem laboratórios e serviços de imagem. Os hospitais, embora poucos em número, concentram a maior parte dos leitos e da complexidade.
O peso dos consultórios e clínicas revela o tamanho da rede privada e de especialidades que se instalou na cidade, que convive com a estrutura pública das unidades básicas e dos hospitais. É essa combinação que faz de Campina Grande um destino de saúde regional, para além dos próprios moradores. As 100 unidades básicas de saúde são a porta de entrada do SUS, o primeiro contato do paciente com o sistema, enquanto as policlínicas e os serviços de apoio a diagnóstico dão o suporte de especialidades e de exames que sustentam o encaminhamento. Ler o cadastro por camadas, da atenção básica à alta complexidade, é o que impede confundir quantidade de estabelecimentos com capacidade de internação, que se concentra em poucos endereços.

Na conta dos profissionais, o CNES aponta 5.352 registros de médicos na cidade, dos quais 3.948 atendem pelo SUS. Dentro desse total, a tabela abre categorias: são 189 registros de médico de família, quase todos no SUS, e mais de mil registros no grupo de clínico geral, além de um grande bloco de outras especialidades. É essa presença de especialistas que sustenta a atração de pacientes de fora, mas o número pede uma ressalva metodológica: são registros de vínculos, não uma contagem de pessoas únicas, porque um mesmo médico pode estar cadastrado em mais de um estabelecimento. A leitura correta é “registros de médicos no CNES”, e não “médicos diferentes atendendo na cidade”, uma distinção que evita inflar o retrato da rede.
Por que esse cadastro importa
O CNES não é um detalhe burocrático: é a base que define quanto dinheiro o município recebe do SUS, onde faltam serviços e como se planeja a saúde pública. Um número atualizado de leitos e de unidades é o que permite ao cidadão cobrar, com dado na mão, se a estrutura acompanha a demanda de uma cidade que atende muito além dos seus limites. Acompanhar esse retrato, com a competência e a fonte oficial coladas, é diferente de repetir estimativas, e conversa diretamente com a fila real de quem procura atendimento e emprego no maior polo de saúde do interior paraibano. Publicar o dado bruto do cadastro, sem adjetivo e sem promessa, é o que permite comparar de um ano para o outro se a rede cresceu, encolheu ou apenas mudou de forma. Esse acompanhamento periódico, e não o anúncio de ocasião, é o que transforma um cadastro técnico em instrumento de controle público da saúde na cidade.
Fonte oficialDados extraídos do CNES/DATASUS, do Ministério da Saúde, na competência de julho de 2026.
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