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Pesquisa eleitoral: 645 já saíram para presidente e o TSE não avalia resultado

O registro na Justiça Eleitoral é obrigatório e público, mas não é um selo de qualidade: o próprio TSE informa que não faz controle prévio sobre o resultado divulgado.

Placa de concreto com a inscrição Tribunal Superior Eleitoral em frente ao edifício-sede envidraçado da corte, em dia de céu azul com nuvens.
É na Justiça Eleitoral que toda pesquisa precisa ser registrada antes de virar manchete (arquivo). Rafa Neddermeyer / Agência Brasil
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O registro oficial de pesquisas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral reunia, em 20 de agosto de 2026, 1.683 pesquisas registradas no ano, das quais 645 para presidente, feitas por 106 institutos diferentes. Só entre os dias 15 e 20 de agosto foram 24 pesquisas presidenciais, de 18 institutos. Este texto trata do registro em si, não do resultado de nenhuma delas.

O registro de pesquisas do TSE em 2026
1.683 pesquisas registradas no TSE em 2026
645 presidente as demais são estaduais
106 institutos fizeram pesquisa presidencial
5 dias antecedência prazo legal antes de divulgar

Fonte: TSE, Dados Abertos, registro de pesquisas eleitorais, consultado em 20/08/2026

Há uma frase na página oficial do TSE sobre o assunto que vale mais que qualquer número acima, e quase nunca aparece quando uma pesquisa vira manchete. O tribunal escreve que a Justiça Eleitoral não realiza qualquer controle prévio sobre o resultado das pesquisas, nem gerencia ou cuida da divulgação delas, atuando somente quando é provocada por representação. Ou seja: o registro não é um selo de qualidade.

O que o registro no TSE garante, então?

Garante transparência sobre o método, não sobre o número. O artigo 33 da Lei 9.504/1997 obriga toda empresa que faça pesquisa de opinião sobre a eleição a registrar, até cinco dias antes de divulgar, sete informações: quem contratou; valor e origem dos recursos gastos; metodologia e período de realização; plano amostral e ponderação por sexo, idade, grau de instrução, nível econômico e área física, com intervalo de confiança e margem de erro; o sistema interno de controle da coleta; o questionário completo aplicado; e o nome de quem pagou, com cópia da nota fiscal.

Isso significa que, para qualquer pesquisa que você viu, existe um documento público dizendo quem pagou e que pergunta exatamente foi feita. Segundo o TSE, esse material fica à disposição de qualquer interessado pelo prazo de 30 dias, e o registro é obrigatoriamente eletrônico, pelo sistema PesqEle, disponível a qualquer hora.

Quem mais registrou pesquisa para presidente em 2026?

A concentração é alta e os nomes mais conhecidos do noticiário não são os que mais registram. No acumulado do ano, a Verita lidera com 91 pesquisas presidenciais registradas, seguida por Real Time Big Data, com 60, e Quaest, com 51. O Datafolha, muito citado, aparece com 21.

Institutos com mais pesquisas presidenciais registradas no TSE em 2026
Verita 91 pesquisas
Real Time Big Data 60 pesquisas
Quaest 51 pesquisas
Instituto Paraná Pesquisas 26 pesquisas
AtlasIntel 25 pesquisas
100 Cidades 25 pesquisas
Datafolha 21 pesquisas

Fonte: TSE, Dados Abertos, registro de pesquisas eleitorais, consultado em 20/08/2026

O tamanho da amostra também varia muito mais do que o debate público sugere. Entre as 645 pesquisas presidenciais registradas, a mediana é de 1.500 entrevistados, mas há registros de 300 e um de 40.500. Amostra maior não é automaticamente melhor, e amostra pequena não é automaticamente ruim: o que define a margem de erro é o plano amostral declarado, que está no registro.

E
Empate técnico

Situação em que a diferença entre dois candidatos é menor que a margem de erro da pesquisa. Numa pesquisa com margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos, um resultado de 34% contra 32% não autoriza dizer que um está à frente do outro: os dois intervalos se sobrepõem. A margem de erro consta obrigatoriamente do registro no TSE, pelo inciso IV do artigo 33.

Onde o Brasil está sendo pesquisado

As 1.683 pesquisas de 2026 não se distribuem pelo país na proporção do eleitorado. Fora as 645 de alcance nacional, os estados com mais registros são Piauí, com 119, e Goiás, com 102, à frente de São Paulo, que tem 52. A Paraíba aparece com 63 registros estaduais, mais que Pernambuco, que tem 50, e quase o quádruplo de Santa Catarina, com 16. Disputa apertada gera pesquisa; tamanho do estado, nem sempre.

Pesquisas eleitorais estaduais registradas no TSE em 2026, por estado

pesquisas
Rondônia: 22 pesquisas Acre: 21 pesquisas Amazonas: 31 pesquisas Roraima: 5 pesquisas Pará: 40 pesquisas Amapá: 18 pesquisas Tocantins: 33 pesquisas Maranhão: 35 pesquisas Piauí: 119 pesquisas Ceará: 30 pesquisas Rio Grande do Norte: 68 pesquisas Paraíba: 63 pesquisas Pernambuco: 50 pesquisas Alagoas: 19 pesquisas Sergipe: 53 pesquisas Bahia: 23 pesquisas Minas Gerais: 29 pesquisas Espírito Santo: 21 pesquisas Rio de Janeiro: 39 pesquisas São Paulo: 52 pesquisas Paraná: 38 pesquisas Santa Catarina: 16 pesquisas Rio Grande do Sul: 22 pesquisas Mato Grosso do Sul: 28 pesquisas Mato Grosso: 29 pesquisas Goiás: 102 pesquisas Distrito Federal: 32 pesquisas
5–28 28–51 51–73 73–96 96–119 sem dado
Ver dados (27 estados)
EstadoPesquisas eleitorais estaduais registradas no TSE em 2026, por estado (pesquisas)
Piauí119
Goiás102
Rio Grande do Norte68
Paraíba63
Sergipe53
São Paulo52
Pernambuco50
Pará40
Rio de Janeiro39
Paraná38
Maranhão35
Tocantins33
Distrito Federal32
Amazonas31
Ceará30
Mato Grosso29
Minas Gerais29
Mato Grosso do Sul28
Bahia23
Rio Grande do Sul22
Rondônia22
Acre21
Espírito Santo21
Alagoas19
Amapá18
Santa Catarina16
Roraima5

Fonte: TSE, Dados Abertos, registro de pesquisas eleitorais, consultado em 20/08/2026 (exclui as 645 de alcance nacional)

O ritmo também subiu com o calendário. As pesquisas presidenciais divulgadas passaram de 10 em janeiro para 120 em julho, e agosto já somava 81 até o dia 20, com o mês pela metade. A curva acompanha o início oficial da campanha eleitoral, liberada em 16 de agosto, e tende a se adensar até outubro.

Pesquisas presidenciais divulgadas por mês, com registro no TSE
  1. Janeiro

    10 pesquisas

    Começo do ano eleitoral, antes das convenções partidárias.

  2. Março

    91 pesquisas

    Primeiro salto, com nove vezes o volume de janeiro.

  3. Julho

    120 pesquisas

    Maior mês fechado até aqui no recorte presidencial.

  4. Agosto

    81 até o dia 20

    Mês pela metade, já com a campanha liberada desde o dia 16.

Como conferir a pesquisa que você viu

O caminho é público e leva menos tempo que ler a manchete. O TSE mantém a consulta às pesquisas registradas e uma lista específica das registradas nos últimos 30 dias, que costuma bastar para achar a pesquisa do noticiário da semana. Quando um número circula sem fonte, existe ainda a validação do código de registro, que confirma se aquele protocolo existe mesmo.

O sistema é mantido pelo TSE, em Brasília, e a consulta não pede cadastro. Ao abrir o registro, três campos resolvem quase toda dúvida: quem contratou, quem pagou e a margem de erro. Os dois primeiros dizem se a pesquisa foi encomendada por um veículo de imprensa, por uma empresa ou pelo próprio grupo político interessado no resultado. O terceiro diz quanto de oscilação cabe dentro do número que virou manchete.

Homem pressiona a tecla verde de confirmação de uma urna eletrônica de treinamento, com a tela mostrando um candidato fictício para deputado estadual.
Urna de treinamento do TSE em demonstração aberta, na rodoviária de Brasília. Valter Campanato / Agência Brasil

Enquete não é pesquisa, e é proibida na campanha

Essa é a confusão mais cara do período eleitoral. Enquete é coleta aberta, sem amostra representativa e sem margem de erro, do tipo que aparece em rede social e em site de notícia. Pesquisa tem plano amostral declarado e registro obrigatório. Não são versões da mesma coisa em tamanhos diferentes: são objetos distintos.

E a lei trata os dois de forma distinta. O parágrafo 5º do artigo 33, incluído pela Lei 12.891/2013, veda a realização de enquetes relacionadas ao processo eleitoral durante o período de campanha. Ou seja, a enquete que circula agora pedindo em quem você vota não é uma pesquisa fraca: é uma prática vedada no período.

Nada disso torna pesquisa um exercício inútil, e vale dizer o que este texto não afirma: pesquisa bem-feita é um retrato de um momento, com uma margem declarada, e não uma previsão do resultado. Quem decide é a urna, em 4 de outubro. O que o registro do TSE oferece ao leitor é a chance de checar o retrato antes de discutir a moldura, e isso está a três cliques de distância em qualquer pesquisa que apareça daqui até a eleição. Para acompanhar o conjunto, o CG em Foco mantém o painel de Eleições 2026 alimentado por esse mesmo registro do TSE, além do panorama do que está em jogo na disputa nacional e dos cargos e do calendário na Paraíba.

VerificadoContamos as pesquisas no arquivo aberto do TSE e conferimos a regra no texto da Lei 9.504/1997.

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Publicado em · Política de correções

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