O registro oficial de pesquisas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral reunia, em 20 de agosto de 2026, 1.683 pesquisas registradas no ano, das quais 645 para presidente, feitas por 106 institutos diferentes. Só entre os dias 15 e 20 de agosto foram 24 pesquisas presidenciais, de 18 institutos. Este texto trata do registro em si, não do resultado de nenhuma delas.
Fonte: TSE, Dados Abertos, registro de pesquisas eleitorais, consultado em 20/08/2026
Há uma frase na página oficial do TSE sobre o assunto que vale mais que qualquer número acima, e quase nunca aparece quando uma pesquisa vira manchete. O tribunal escreve que a Justiça Eleitoral não realiza qualquer controle prévio sobre o resultado das pesquisas, nem gerencia ou cuida da divulgação delas, atuando somente quando é provocada por representação. Ou seja: o registro não é um selo de qualidade.
O que o registro no TSE garante, então?
Garante transparência sobre o método, não sobre o número. O artigo 33 da Lei 9.504/1997 obriga toda empresa que faça pesquisa de opinião sobre a eleição a registrar, até cinco dias antes de divulgar, sete informações: quem contratou; valor e origem dos recursos gastos; metodologia e período de realização; plano amostral e ponderação por sexo, idade, grau de instrução, nível econômico e área física, com intervalo de confiança e margem de erro; o sistema interno de controle da coleta; o questionário completo aplicado; e o nome de quem pagou, com cópia da nota fiscal.
Isso significa que, para qualquer pesquisa que você viu, existe um documento público dizendo quem pagou e que pergunta exatamente foi feita. Segundo o TSE, esse material fica à disposição de qualquer interessado pelo prazo de 30 dias, e o registro é obrigatoriamente eletrônico, pelo sistema PesqEle, disponível a qualquer hora.
Quem mais registrou pesquisa para presidente em 2026?
A concentração é alta e os nomes mais conhecidos do noticiário não são os que mais registram. No acumulado do ano, a Verita lidera com 91 pesquisas presidenciais registradas, seguida por Real Time Big Data, com 60, e Quaest, com 51. O Datafolha, muito citado, aparece com 21.
O tamanho da amostra também varia muito mais do que o debate público sugere. Entre as 645 pesquisas presidenciais registradas, a mediana é de 1.500 entrevistados, mas há registros de 300 e um de 40.500. Amostra maior não é automaticamente melhor, e amostra pequena não é automaticamente ruim: o que define a margem de erro é o plano amostral declarado, que está no registro.
Situação em que a diferença entre dois candidatos é menor que a margem de erro da pesquisa. Numa pesquisa com margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos, um resultado de 34% contra 32% não autoriza dizer que um está à frente do outro: os dois intervalos se sobrepõem. A margem de erro consta obrigatoriamente do registro no TSE, pelo inciso IV do artigo 33.
Onde o Brasil está sendo pesquisado
As 1.683 pesquisas de 2026 não se distribuem pelo país na proporção do eleitorado. Fora as 645 de alcance nacional, os estados com mais registros são Piauí, com 119, e Goiás, com 102, à frente de São Paulo, que tem 52. A Paraíba aparece com 63 registros estaduais, mais que Pernambuco, que tem 50, e quase o quádruplo de Santa Catarina, com 16. Disputa apertada gera pesquisa; tamanho do estado, nem sempre.
Pesquisas eleitorais estaduais registradas no TSE em 2026, por estado
pesquisasVer dados (27 estados)
| Estado | Pesquisas eleitorais estaduais registradas no TSE em 2026, por estado (pesquisas) |
|---|---|
| Piauí | 119 |
| Goiás | 102 |
| Rio Grande do Norte | 68 |
| Paraíba | 63 |
| Sergipe | 53 |
| São Paulo | 52 |
| Pernambuco | 50 |
| Pará | 40 |
| Rio de Janeiro | 39 |
| Paraná | 38 |
| Maranhão | 35 |
| Tocantins | 33 |
| Distrito Federal | 32 |
| Amazonas | 31 |
| Ceará | 30 |
| Mato Grosso | 29 |
| Minas Gerais | 29 |
| Mato Grosso do Sul | 28 |
| Bahia | 23 |
| Rio Grande do Sul | 22 |
| Rondônia | 22 |
| Acre | 21 |
| Espírito Santo | 21 |
| Alagoas | 19 |
| Amapá | 18 |
| Santa Catarina | 16 |
| Roraima | 5 |
Fonte: TSE, Dados Abertos, registro de pesquisas eleitorais, consultado em 20/08/2026 (exclui as 645 de alcance nacional)
O ritmo também subiu com o calendário. As pesquisas presidenciais divulgadas passaram de 10 em janeiro para 120 em julho, e agosto já somava 81 até o dia 20, com o mês pela metade. A curva acompanha o início oficial da campanha eleitoral, liberada em 16 de agosto, e tende a se adensar até outubro.
- Janeiro
10 pesquisas
Começo do ano eleitoral, antes das convenções partidárias.
- Março
91 pesquisas
Primeiro salto, com nove vezes o volume de janeiro.
- Julho
120 pesquisas
Maior mês fechado até aqui no recorte presidencial.
- Agosto
81 até o dia 20
Mês pela metade, já com a campanha liberada desde o dia 16.
Como conferir a pesquisa que você viu
O caminho é público e leva menos tempo que ler a manchete. O TSE mantém a consulta às pesquisas registradas e uma lista específica das registradas nos últimos 30 dias, que costuma bastar para achar a pesquisa do noticiário da semana. Quando um número circula sem fonte, existe ainda a validação do código de registro, que confirma se aquele protocolo existe mesmo.
O sistema é mantido pelo TSE, em Brasília, e a consulta não pede cadastro. Ao abrir o registro, três campos resolvem quase toda dúvida: quem contratou, quem pagou e a margem de erro. Os dois primeiros dizem se a pesquisa foi encomendada por um veículo de imprensa, por uma empresa ou pelo próprio grupo político interessado no resultado. O terceiro diz quanto de oscilação cabe dentro do número que virou manchete.

Enquete não é pesquisa, e é proibida na campanha
Essa é a confusão mais cara do período eleitoral. Enquete é coleta aberta, sem amostra representativa e sem margem de erro, do tipo que aparece em rede social e em site de notícia. Pesquisa tem plano amostral declarado e registro obrigatório. Não são versões da mesma coisa em tamanhos diferentes: são objetos distintos.
E a lei trata os dois de forma distinta. O parágrafo 5º do artigo 33, incluído pela Lei 12.891/2013, veda a realização de enquetes relacionadas ao processo eleitoral durante o período de campanha. Ou seja, a enquete que circula agora pedindo em quem você vota não é uma pesquisa fraca: é uma prática vedada no período.
Nada disso torna pesquisa um exercício inútil, e vale dizer o que este texto não afirma: pesquisa bem-feita é um retrato de um momento, com uma margem declarada, e não uma previsão do resultado. Quem decide é a urna, em 4 de outubro. O que o registro do TSE oferece ao leitor é a chance de checar o retrato antes de discutir a moldura, e isso está a três cliques de distância em qualquer pesquisa que apareça daqui até a eleição. Para acompanhar o conjunto, o CG em Foco mantém o painel de Eleições 2026 alimentado por esse mesmo registro do TSE, além do panorama do que está em jogo na disputa nacional e dos cargos e do calendário na Paraíba.
VerificadoContamos as pesquisas no arquivo aberto do TSE e conferimos a regra no texto da Lei 9.504/1997.
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