A Prefeitura de Campina Grande realizou a segunda edição do projeto São João Acolhedor, que leva jovens com síndrome de Down para o atendimento aos turistas durante O Maior São João do Mundo. A ação, divulgada em 19 de junho de 2026, atua no Parque do Povo e na Central de Atendimento ao Turista, no Parque Evaldo Cruz.
Projeto da Prefeitura de Campina Grande que insere jovens com síndrome de Down no atendimento aos visitantes da festa junina, em parceria com a Apae e a Redepharma. Une duas frentes: qualificar o acolhimento ao turista e abrir uma experiência de trabalho para um grupo que costuma encontrar barreiras no mercado.
Coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sede), o projeto trata a hospitalidade como parte da política de turismo. Em vez de tratar o acolhimento como detalhe, coloca pessoas treinadas para orientar quem chega, num evento que recebe milhares de visitantes de fora do estado e do país todos os anos. O São João de Campina Grande é uma das maiores festas populares do país e movimenta a economia da cidade por semanas, o que dá ao trabalho de hospitalidade turística um peso concreto: um turista bem orientado circula mais, gasta mais e volta. Amarrar a esse esforço um projeto de inclusão é uma forma de fazer a política de turismo carregar também um objetivo social.
A dimensão desse trabalho de acolhimento ficou clara quando a Prefeitura e a produtora Arte Produções fecharam a conta da edição: 3.450.689 pessoas passaram pelo Maior São João do Mundo ao longo de 33 noites de festa no Parque do Povo, encerradas em 5 de julho de 2026, um público 6,7% maior do que o registrado em 2025, quando o evento já havia somado mais de 3,2 milhões de visitantes, segundo balanço divulgado pela Prefeitura em 6 de julho de 2026. É esse volume de gente circulando pela cidade, boa parte vinda de fora do estado, que dá escala ao papel dos pontos de atendimento em que atuam os jovens do São João Acolhedor.
Fonte: Prefeitura de Campina Grande, 19 jun. 2026
Quem faz o acolhimento
O centro do projeto são os jovens da Apae de Campina Grande. São eles que percorrem o Parque do Povo orientando o público e repassando informações sobre a festa, e que atuam também na Central de Atendimento ao Turista. A escolha desloca esse grupo do papel de assistido para o de trabalhador, o que muda a forma como a cidade e o visitante os enxergam. Pessoas com síndrome de Down enfrentam, historicamente, altas barreiras de acesso ao emprego formal, muitas vezes por preconceito ou pela falta de oportunidades de qualificação. Dar-lhes uma função pública e visível, no maior evento da cidade, é um gesto que contraria essa exclusão e ajuda a normalizar a presença dessas pessoas em postos de acessibilidade e atendimento ao público.

Colocar esses jovens na linha de frente de um evento do porte do São João tem um efeito que vai além do atendimento. Dá visibilidade pública a pessoas com deficiência em uma função de responsabilidade, e transforma a festa em um espaço de convivência entre visitantes e um grupo que raramente ocupa esse tipo de posição. Para o visitante, o contato com esses atendentes é também uma forma de contato com a diversidade da cidade, e não apenas com a festa. Para os participantes, a experiência de lidar com o público, seguir uma rotina e assumir uma tarefa concreta é um treino de autonomia difícil de reproduzir fora de um ambiente real de trabalho.
A parceria por trás do projeto
O São João Acolhedor se sustenta em três atores, cada um com um papel definido. A Prefeitura coordena e insere a ação na programação oficial; a Apae prepara os participantes; e a Redepharma entra como parceira privada, com a meta declarada de capacitar e abrir caminho para o mercado de trabalho. Essa divisão de tarefas é o que dá sustentação à iniciativa: o poder público oferece o palco e a coordenação, a entidade especializada garante o acompanhamento adequado dos jovens, e a empresa privada aporta a perspectiva de continuidade profissional depois que a festa acaba.
| Ator | Papel no projeto |
|---|---|
| Prefeitura (Sede) | Coordena o projeto e o insere na programação do São João |
| Apae de Campina Grande | Prepara e acompanha os jovens participantes |
| Redepharma | Parceira, com meta de capacitar e inserir no mercado |
A presença de um parceiro privado com foco em inserção no mercado de trabalho é o que dá ao projeto um horizonte para além da festa. A experiência no São João funciona como uma vitrine e um treino em ambiente real, e o projeto dialoga com outras frentes de inclusão e cultura da cidade, como o Arraial da Saúde Mental e o roteiro cultural para além do São João, além da agenda de sustentabilidade do Recicla São João.

O que a Prefeitura destacou
Para a gestão, o projeto reforça uma marca que a cidade tenta construir para além do tamanho da festa. A secretária de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Tâmela Fama, associou o São João Acolhedor à ideia de uma festa inclusiva ao comentar a iniciativa. O discurso ganhou reforço numérico depois do balanço final do evento: entre as pesquisas de opinião encomendadas pela Prefeitura junto ao Instituto 6Sigma, a aprovação entre turistas ficou em 97,5%, e a avaliação da cidade como destino turístico chegou a 94%, segundo o mesmo balanço de 6 de julho de 2026 que confirmou o público recorde da 43ª edição.
A fala resume a aposta da gestão em transformar a turismo inclusivo em parte da identidade do evento, e não em uma ação pontual. A continuidade do projeto, agora em segunda edição, é o que dá lastro a esse discurso, ao mostrar que a iniciativa se repetiu de um ano para o outro, e não ficou restrita a um gesto único de estreia. Os números de público e de aprovação turística, ainda que não detalhem o projeto de inclusão em si, mostram o tamanho do evento em que essa aposta foi testada pela segunda vez.
O que ainda não foi divulgado
O material oficial informa a parceria e os pontos de atendimento, mas não detalhou quantos jovens participam da edição de 2026, o número de turistas atendidos especificamente pela equipe do São João Acolhedor nem quantos participantes de edições anteriores foram efetivamente contratados após a experiência. Também não foram divulgados os critérios de seleção e a duração da capacitação oferecida pela Redepharma. São informações que ajudariam a medir o efeito do projeto sobre a empregabilidade dos participantes e a separar o resultado concreto do discurso de inclusão. O CG em Foco buscará esses dados junto à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo e à Apae de Campina Grande.
VerificadoInformação apurada no site oficial da Prefeitura de Campina Grande.
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