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Arraial da Saúde Mental leva os CAPS ao Parque do Povo no São João de CG

Evento da rede de saúde mental integra a programação do São João com quadrilhas, teatro e música feitos por usuários dos CAPS, na Pirâmide do Parque do Povo.

Mulher com vestido junino colorido segura um coração de tecido no palco, cercada por músicos com instrumentos, sob painel do São João.
Apresentação da quadrilha da Rede de Atenção Psicossocial no palco do Arraial da Saúde Mental. Prefeitura de Campina Grande
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A Prefeitura de Campina Grande realizou o Arraial da Saúde Mental, evento que levou as apresentações culturais dos usuários da rede de saúde mental ao coração do São João da cidade. A atividade aconteceu em 19 de junho de 2026, a partir das 14h30, na Pirâmide do Parque do Povo, e integrou a programação de O Maior São João do Mundo.

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RAPS (Rede de Atenção Psicossocial)

Conjunto de serviços do SUS voltados ao cuidado em saúde mental, que inclui os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), ambulatórios e outros pontos de atenção. A proposta é oferecer tratamento em liberdade e na comunidade, com foco na convivência e na reinserção social, em vez do isolamento em instituições fechadas.

O arraial não é um evento à parte do tratamento: segundo a Prefeitura, faz parte do projeto terapêutico da rede. A ideia é usar a cultura, e em especial a festa junina, como ferramenta de cuidado, ao criar, nas palavras da publicação oficial, “espaços de convivência, socialização e participação cultural para os usuários”.

O Arraial da Saúde Mental em números
7 apresentações culturais na programação do arraial
6 serviços da RAPS CAPS e ambulatório com atrações próprias
19/06 data sexta-feira, a partir das 14h30
Parque do Povo local na Pirâmide, dentro do São João
8 CAPS ativos no CNES, toda a rede municipal

Fonte: Prefeitura de Campina Grande, 19 jun. 2026; CNES/Ministério da Saúde, 11 ago. 2026

Cultura como parte do cuidado

A aposta em levar os usuários dos CAPS ao palco do maior evento da cidade tem uma lógica clínica. A convivência e a participação social são reconhecidas como parte do tratamento em saúde mental, e um palco no Parque do Povo dá a esse cuidado uma dimensão pública que o consultório não alcança. Ao ocupar o mesmo espaço da festa que reúne a cidade, o arraial também trabalha contra o estigma, ao mostrar os usuários como artistas e não como pacientes. O gesto tem valor simbólico: durante décadas, o cuidado em saúde mental no país aconteceu longe dos olhos, em instituições fechadas, e ver esse público no centro da maior festa da cidade inverte essa lógica de exclusão. Para as famílias, que acompanham o tratamento de perto, é também a chance de ver o parente celebrado em vez de escondido.

Duas mulheres se abraçam sorrindo em ambiente decorado com bandeirinhas juninas coloridas.
Momento de convivência durante o Arraial da Saúde Mental, no Parque do Povo. Prefeitura de Campina Grande

Para quem faz tratamento na rede, subir ao palco é também um exercício de protagonismo. O ensaio de uma quadrilha, a montagem de um teatro ou a preparação de uma banda mobilizam rotina, disciplina e trabalho em grupo, elementos que o cuidado em saúde mental busca fortalecer. O resultado que chega ao público é a festa, mas o processo que a antecede é parte do próprio tratamento.

As atrações vieram dos CAPS

A programação foi construída pelos serviços da rede, cada um com uma apresentação própria. O evento reuniu quadrilhas temáticas, teatro musical, banda e programação poética, todos produzidos dentro dos Centros de Atenção Psicossocial e do ambulatório de saúde mental do município.

As apresentações do arraial, por serviço da rede
Serviço da rede Apresentação
CAPSisinho Quadrilha Temática
CAPS AD II Banda Saber Viver
CAPS III Reviver Oficina de Talentos
CAPS AD III IJ Teatro Musical
CAPS II Novos Tempos Quadrilha Semeando Sorrisos
Ambulatório de Saúde Mental Programação Poética
RAPS Grande Quadrilha da RAPS

A diversidade das atrações reflete a própria organização da rede. Há serviços voltados ao uso de álcool e outras drogas, os CAPS AD, e unidades de atenção mais intensiva, como o CAPS III, que funciona em regime de maior cobertura. Somam-se a eles outros CAPS e o ambulatório de saúde mental, cada um com seu público e sua rotina de atendimento. Cada serviço chegou ao arraial com uma linguagem artística diferente, da quadrilha ao teatro e à poesia, o que transforma o palco num retrato da rede inteira reunida em um só lugar. Reunir todos na mesma programação também cria, entre os próprios serviços, um senso de pertencimento a algo maior do que cada unidade isolada.

Quantos CAPS atendem Campina Grande hoje

Além dos serviços que subiram ao palco do arraial, a rede de saúde mental do município é maior. Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), sistema oficial do Ministério da Saúde, Campina Grande tem 8 CAPS ativos cadastrados, em consulta feita em 11 de agosto de 2026. A lista inclui o CAPS Novos Tempos, o CAPS AD Álcool e Drogas Psicoativas, o CAPSi Viva Gente, o CAPS III Reviver, o CAPSi Centro Campinense de Intervenção Precoce e o CAPS AD III Novos Caminhos, unidades que corresponderam aos serviços presentes no arraial, além de duas unidades descentralizadas nos distritos, o CAPS de Galante e o CAPS I de São José da Mata, que levam a rede para fora da área central. O CNES não traz, no registro consultado, um indicador pronto de cobertura RAPS por habitante para o município: esse número, quando calculado pelo Ministério da Saúde, cruza o total de CAPS com a população do território de referência, e não foi divulgado para Campina Grande na consulta feita para esta reportagem.

Duas pessoas dançam de mãos dadas e sorrindo sob bandeirinhas juninas laranjas e azuis.
Público dança ao som da festa junina durante a programação do arraial. Prefeitura de Campina Grande

A escolha do Parque do Povo, e não de um espaço reservado, reforça o caráter de inclusão do evento, que dialoga com outras frentes da rede municipal, como as reunidas no Plano Municipal de Saúde e o reforço da atenção durante o São João. A ligação com a festa é parte da estratégia: a cidade que celebra o São João abre espaço, no mesmo palco, para quem costuma ficar às margens.

Uma homenagem na edição

A edição foi dedicada à memória de Chiquinha, descrita pela Prefeitura como “figura emblemática da Rede de Saúde Mental” do município. A homenagem dá ao evento uma camada afetiva e reforça o vínculo entre a rede e as pessoas que a construíram ao longo dos anos. Nomear a edição em memória de uma figura da própria rede é, também, uma forma de registrar a história do serviço e de lembrar que por trás da política pública há trajetórias concretas, de usuários e de trabalhadores que ajudaram a moldar o cuidado em saúde mental na cidade.

O que ainda não foi divulgado

O material oficial informa a programação e os serviços participantes, mas não detalhou o número de usuários envolvidos, o total de participantes esperados nem os investimentos aplicados na atividade. Também não foi divulgado se o arraial faz parte de um calendário fixo da rede ou se cada edição é organizada de forma pontual. São informações que ajudariam a dimensionar o alcance da iniciativa dentro da política de saúde mental do município e a acompanhar sua continuidade nas próximas edições. O CG em Foco buscará esses dados junto à Secretaria Municipal de Saúde e à Secretaria Executiva de Saúde Mental.

VerificadoApurado no site da Prefeitura de Campina Grande e no CNES/Ministério da Saúde.

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