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Renda de quem tem deficiência é 70% da de quem não tem, aponta o Censo do IBGE

Trabalhadores com deficiência recebem, em média, R$ 2.053 por mês, contra R$ 2.890 de quem não tem deficiência. O nível de ocupação também é quase metade, mostra o Censo 2022.

Pessoas com deficiência, algumas em cadeiras de rodas, em ato público
O Censo 2022 mapeou o acesso das pessoas com deficiência ao trabalho e à renda. (arquivo) Paulo Pinto/Agência Brasil
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Os dados do Censo 2022 do IBGE, divulgados pela Agência Brasil, colocam um número no que já se sentia na prática: quem tem deficiência ganha menos e trabalha menos. O rendimento médio mensal dos trabalhadores com deficiência é de R$ 2.053, o equivalente a 70% dos R$ 2.890 recebidos, em média, por quem não tem deficiência. A diferença não é um detalhe estatístico, porque ela se repete no acesso ao emprego e resiste até nos setores que pagam melhor.

O retrato da renda e do trabalho
70% Da renda R$ 2.053 contra R$ 2.890 de quem não tem deficiência
29% Nível de ocupação ante 55,8% das pessoas sem deficiência
13,71 mi Em idade de trabalhar das quais 3,97 milhões estavam ocupadas

Fonte: IBGE, Censo 2022, via Agência Brasil (18/9/2026)

O contraste no nível de ocupação é o mais duro. Entre as pessoas com deficiência, apenas 29% estavam ocupadas, quase metade dos 55,8% registrados entre as pessoas sem deficiência. Em números absolutos, das 13,71 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar, só 3,97 milhões tinham ocupação. É uma fatia enorme de gente fora do mercado formal de trabalho, um contingente que o Censo agora dimensiona com precisão e que ajuda a explicar por que a renda média fica tão abaixo da registrada no resto da população.

O acesso ao trabalho varia com o tipo de deficiência

O Censo mostra que não há um bloco único, porque o acesso ao emprego muda bastante conforme o tipo de deficiência. O maior nível de ocupação aparece entre pessoas com dificuldade de enxergar, e o menor entre as pessoas com deficiência mental ou intelectual, uma distância que revela quanto as barreiras de acessibilidade e de preconceito pesam de forma desigual sobre cada grupo.

Nível de ocupação por tipo de deficiência (%)
Enxergar 35,9%
Ouvir 27,5%
Pegar objetos 17,7%
Caminhar/subir 17,2%
Mais de uma 15,6%
Mental/intelectual 12,9%

Fonte: IBGE, Censo 2022, via Agência Brasil (18/9/2026)

A leitura do gráfico é direta: quanto maior a barreira à autonomia no dia a dia, menor o acesso ao trabalho. Pessoas com dificuldade de enxergar chegam a 35,9% de ocupação, enquanto entre as com deficiência mental ou intelectual o índice cai para 12,9%, menos de um em cada oito. Quem acumula mais de um tipo de deficiência fica em 15,6%, também abaixo da média do grupo. O padrão sugere que políticas de inclusão precisam ser desenhadas por tipo de deficiência, e não como uma receita única para todos.

A diferença resiste onde o salário é maior

Seria natural supor que a distância de renda desaparece nos setores mais bem pagos, mas não é o que os dados do IBGE mostram. Mesmo na administração pública, na educação e na saúde, que são segmentos de remuneração média mais alta e com regras de cotas para pessoas com deficiência, a diferença de rendimento persiste e continua visível.

Rendimento médio mensal: com e sem deficiência
Recorte Com deficiência Sem deficiência Proporção
Rendimento geral R$ 2.053 R$ 2.890 70%
Adm. pública, educação e saúde R$ 3.223 R$ 4.146 78%

Fonte: IBGE, Censo 2022, via Agência Brasil (18/9/2026)

No conjunto desses setores, o trabalhador com deficiência recebe em média R$ 3.223, contra R$ 4.146 de quem não tem deficiência. A proporção sobe para 78%, um pouco melhor do que a média geral, mas ainda longe da igualdade. O recado é que nem os espaços com política de inclusão e piso salarial mais alto conseguem zerar a diferença de renda, o que indica que o problema não se resolve só com a porta de entrada no emprego, mas também com a progressão de carreira e o cargo que a pessoa alcança dentro de cada organização.

A renda da casa também muda

O efeito não fica só no contracheque individual, porque ele molda a economia do domicílio inteiro. Nos lares com pelo menos uma pessoa com deficiência, 55,7% da renda vêm do trabalho. Nos domicílios sem pessoas com deficiência, essa parcela sobe para 78,4%, uma diferença que mostra o quanto essas famílias dependem de outras fontes para fechar o mês.

Pessoas em cadeiras de rodas reunidas em ato público sobre direitos das pessoas com deficiência
Ato por direitos das pessoas com deficiência, em imagem de arquivo. Paulo Pinto/Agência Brasil

A parte que falta na renda desses domicílios é preenchida por aposentadorias, pensões e benefícios, como o BPC, o Benefício de Prestação Continuada. Isso não é, por si só, um problema, porque são políticas que existem justamente para garantir renda a quem tem menos acesso ao trabalho. Mas o dado revela uma dependência maior de transferências e uma exposição também maior a qualquer mudança nas regras desses benefícios. Quando o desenho da Previdência ou dos benefícios assistenciais muda, é essa fatia da população que sente primeiro, e costuma ser também a que tem menos margem para absorver o impacto.

Vale o cuidado de sempre com o que a estatística diz e o que ela não diz. Os números do Censo 2022 retratam a foto de um ano-base e não medem, isoladamente, o efeito de programas recentes de inclusão nem projetam tendência para os próximos anos. O que está confirmado é o tamanho da distância: em renda, em ocupação e na composição da renda familiar, a população com deficiência aparece sistematicamente atrás, e é essa lacuna que as políticas públicas têm pela frente.

Por que isso importa para Campina Grande

O quadro é nacional, mas o desafio é local. Em Campina Grande e na Paraíba, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho passa pelos mesmos gargalos apontados pelo IBGE: acessibilidade, transporte, qualificação e cumprimento da Lei de Cotas. Os dados servem de régua para cobrar políticas municipais e estaduais que ataquem a diferença na ponta, e não apenas no discurso.

Para quem acompanha os benefícios ligados a esse público, o CG em Foco mantém o calendário de pagamentos do INSS e as mudanças na aposentadoria especial julgada pelo STF. O tema da inclusão também esteve na pauta local, no debate da Câmara sobre atendimento a crianças atípicas. O CG em Foco vai acompanhar como esses números se traduzem em política pública na cidade.

Fonte oficialIBGE, Censo Demográfico 2022, divulgado pela Agência Brasil em 18 de setembro de 2026.

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Publicado em · Política de correções

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