A inflação oficial de agosto fechou em -0,32%, a menor taxa desde agosto de 2022, quando o índice alcançou -0,36%. O dado do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi divulgado nesta sexta-feira (11) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com referência ao mês de agosto. No mês anterior, em julho, o índice havia ficado em 0,07%. Em agosto de 2025, a variação tinha sido de -0,11%.
- Com deflação no mês 4
- Com alta no mês 5
O que pesou no índice
Dos nove grupos de preços pesquisados pelo IBGE, quatro apresentaram deflação em agosto: alimentação e bebidas (-0,34%), habitação (-1,87%), transportes (-0,86%) e comunicação (-0,09%). Os outros cinco subiram, com destaque para despesas pessoais (1,30%), artigos de residência (0,64%), educação (0,47%), saúde e cuidados pessoais (0,23%) e vestuário (0,12%).
O grupo de habitação teve a deflação mais profunda para um mês de agosto desde o início do Plano Real, em 1994. O impacto foi de -0,29 ponto percentual no IPCA do mês. A conta de luz caiu, em média, 7,63%, puxada pelo Bônus de Itaipu.
| Grupo | Variação (%) | Impacto (p.p.) |
|---|---|---|
| Habitação | -0,29 | |
| Transportes | -0,17 | |
| Alimentação e bebidas | -0,07 | |
| Comunicação | 0 | |
| Vestuário | 0 | |
| Saúde e cuidados pessoais | 0,03 | |
| Educação | 0,03 | |
| Artigos de residência | 0,02 | |
| Despesas pessoais | 0,13 |
Fonte: IBGE, IPCA de agosto de 2026 (divulgado em 11/09/2026)
O índice de difusão, que mede quanto a inflação está espalhada, ficou em 54%. Ou seja, 54% dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE registraram aumento de preço. Em julho, o índice tinha sido de 50%. O espalhamento subiu, portanto, mesmo com a taxa mensal negativa.
Bônus de Itaipu e a conta de luz
A explicação da queda da habitação está no Bônus de Itaipu, desconto recebido pelos consumidores na conta de luz de agosto. O mecanismo distribui o saldo positivo da conta de comercialização da hidrelétrica estatal Itaipu e vira crédito nas contas de energia. Segundo o IBGE, a conta de luz foi o que mais puxou o indicador para baixo no mês, com a menor variação para um mês de agosto de todo o Plano Real. O analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, afirmou que o bônus é restrito ao mês de agosto e que a conta de luz virá com a devolução em setembro, com tendência de alta no próximo mês.

Alimentos: terceira queda seguida
A queda em alimentação e bebidas foi a terceira seguida. Em julho, o grupo havia recuado 0,67%; em junho, 0,24%. Em agosto, a variação foi de -0,34%, com impacto de -0,07 ponto percentual no IPCA.
As maiores quedas no grupo, segundo o IBGE, foram batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%), tomate (-10,94%), ovo de galinha (-4,15%) e café moído (-1,86%). Os alimentos são o grupo de maior peso no índice, com cerca de 21,5% da cesta mensal de consumo pesquisada.
Fonte: IBGE, IPCA de agosto de 2026, divulgado em 11/09/2026
No gráfico, os números indicam a magnitude da queda de cada item no mês.
Para o leitor que acompanha o preço da cesta no varejo, o resultado de agosto dialoga com o levantamento do Dieese e da Conab sobre as capitais, no mesmo mês. As duas medições usam recortes e metodologias diferentes, e por isso não se substituem.

Transportes e preços monitorados
No grupo transportes, o maior impacto para a baixa partiu das passagens aéreas, que recuaram 13,17%, com -0,11 ponto percentual no IPCA do mês. Só a conta de luz teve peso negativo maior. Os combustíveis variaram -0,86%: caíram o etanol (-3,95%), o óleo diesel (-0,80%) e a gasolina (-0,59%). O gás veicular, em sentido contrário, subiu 2,62%.
O transporte por aplicativo recuou 4,57%. Nesse cálculo, o IBGE informou que adiciona à variação apurada em agosto parte do resultado de julho que, segundo o instituto, não foi apropriado no mês anterior. Nos dois desagregamentos da pesquisa, o grupo serviços subiu 0,03% e o de preços monitorados, que inclui a conta de luz, caiu 1,26%.
Acumulado de 12 meses e a meta
Com a deflação de agosto, o IPCA acumula 4,22% em 12 meses, o menor valor desde março de 2026 (4,14%). Em julho, a soma estava em 4,44%. A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%.
Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados, e não apenas o alcançado no fim de dezembro. A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos. O IPCA de agosto, isoladamente, não muda o marco da regra.
No Boletim Focus, sondagem do Banco Central com agentes do mercado financeiro da última terça-feira (8), a projeção para a inflação de agosto era de -0,23%. O IPCA fechou abaixo dessa estimativa. Para o fim de 2026, a expectativa do mercado, citada pela Agência Brasil, é de 5%.
Fonte: IBGE, IPCA e INPC de agosto de 2026, divulgados em 11/09/2026
INPC no mesmo dia e o efeito no salário
O IBGE divulgou no mesmo dia o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que ficou em -0,32% em agosto e soma 3,98% em 12 meses. O INPC apura a inflação para famílias com renda de um a cinco salários mínimos. O IPCA olha lares de um a 40 salários mínimos. No INPC, os alimentos pesam cerca de 25%, mais que no IPCA (cerca de 21%), porque as famílias de menor renda gastam proporcionalmente mais com comida. O salário mínimo em vigor é de R$ 1.621. Para o uso do índice no dia a dia, o CG em Foco detalhou o comparativo entre INPC e IPCA. O panorama de juros e preços em setembro e a cesta nas capitais em agosto completam o quadro do mês.
O que o dado mostra, e o que ele não mostra
A deflação de agosto é um fato medido pelo IPCA e divulgado nesta sexta-feira (11). Ela não significa, sozinha, queda generalizada de preços no varejo de todas as cidades nem fim da inflação no ano. O índice de difusão subiu, e o analista do IBGE já apontou efeito de bônus pontual na conta de luz. O dado serve para ler o preço consumido pelas famílias no mês de agosto, com a mesma régua do IBGE, e para situar o acumulado de 12 meses dentro do intervalo da meta.
Fonte oficialIBGE, IPCA e INPC de agosto de 2026, divulgados em 11/09/2026.
Publicado em · Política de correções



Comentários