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Selic a 14,25% e inflação em 4,64%: o que os juros altos mudam em Campina Grande

O Copom manteve a Selic em 14,25% ao ano e o IPCA soma 4,64% em 12 meses, acima do teto da meta. Veja o que os juros altos e o dólar a R$ 5,07 pesam no crédito e no consumo em Campina Grande.

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília
Edifício-Sede do Banco Central em Brasília (imagem ilustrativa). Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
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O crédito segue caro e a inflação ainda corrói o poder de compra em Campina Grande. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 14,25% ao ano, enquanto o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial de inflação, acumulou 4,64% em 12 meses até junho de 2026, acima do teto da meta. O dólar fechou a R$ 5,07 em 30 de julho. Veja, com os dados oficiais, o que esses números significam para o bolso de quem vive na cidade.

Indicadores econômicos de referência (julho de 2026)
Indicador Valor Referência
**Selic** (meta do Copom) 14,25% a.a. vigente
Selic efetiva 14,15% a.a. julho/2026
IPCA no mês 0,16% junho/2026
IPCA em 12 meses 4,64% até junho/2026
Dólar comercial R$ 5,07 30/07/2026

Fonte: Banco Central do Brasil, Sistema Gerenciador de Séries Temporais

Por que a Selic está em 14,25%?

A Selic é a taxa básica de juros da economia e a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. Quando os preços sobem acima do desejado, o Copom mantém os juros altos para encarecer o crédito, esfriar o consumo e trazer a inflação de volta à meta. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional para 2026 é de 3,0%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%. Como o IPCA em 12 meses chegou a 4,64%, acima do teto de 4,5%, o Banco Central sustenta a taxa em patamar elevado.

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Taxa Selic

A taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. Serve de referência para os demais juros do país e é o principal instrumento de controle da inflação.

Descontada a inflação, o país convive com um dos maiores juros reais do mundo: a diferença entre a Selic de 14,25% e o IPCA de 4,64% em 12 meses deixa o ganho real acima de 9 pontos percentuais, patamar que atrai aplicações em renda fixa e ao mesmo tempo encarece o crédito para famílias e empresas. Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o regime de meta contínua de inflação: o cumprimento do alvo de 3,0% passou a ser avaliado mês a mês, pelo acumulado de 12 meses, e não mais apenas pelo fechamento do ano-calendário. Por esse critério, o índice segue estourando o teto.

Trajetória da Selic nas decisões do Copom (% ao ano). Fonte: Banco Central do Brasil.
  1. Jan 2025

    13,25%

    Ciclo de aperto ainda em curso.

  2. Jun 2025

    15,00%

    Pico do ciclo, mantido até o início de 2026.

  3. Mar 2026

    14,75%

    Começa o afrouxamento monetário.

  4. Abr 2026

    14,50%

    Segundo corte seguido.

  5. Jun 2026

    14,25%

    Terceiro corte na sequência.

  6. Jul 2026

    14,25%

    Copom mantém a taxa vigente.

A inflação está subindo ou caindo?

No mês a mês, o ritmo desacelerou ao longo de 2026. Depois de picos no primeiro trimestre, o IPCA passou de 0,58% em maio para 0,16% em junho, o menor resultado do semestre. O acúmulo de 12 meses, porém, ainda está acima do teto da meta, o que explica a cautela do Banco Central.

No IPCA, itens de peso no orçamento das famílias, como alimentação, transporte e habitação, puxam o índice em diferentes meses. A desaceleração para 0,16% em junho, o menor resultado do semestre, indica alívio pontual, mas não altera o quadro de 12 meses: o acumulado de 4,64% ainda supera o teto de 4,5% previsto para o ano, e é esse acumulado que baliza as decisões do Copom.

IPCA mês a mês em 2026 (%)
Jan 0,33%
Fev 0,70%
Mar 0,88%
Abr 0,67%
Mai 0,58%
Jun 0,16%

Fonte: IBGE / Banco Central do Brasil (série 433)

O que isso muda no bolso do campinense?

A combinação de juros altos e inflação acima do teto tem efeito direto no dia a dia. Para o consumidor de Campina Grande, financiar um carro, parcelar uma compra ou tomar um empréstimo fica mais caro enquanto a Selic segue em 14,25%. Ao mesmo tempo, a inflação de 4,64% em 12 meses reduz o poder de compra do salário, especialmente em itens de consumo frequente.

Na ponta, esse custo aparece em linhas de crédito específicas. Financiamentos de veículos, crédito consignado, cheque especial e parcelamentos no cartão têm as taxas influenciadas pela Selic, e quanto maior a taxa básica, mais caro fica o custo final de quem recorre ao crédito no comércio da cidade. Para as empresas locais, o capital de giro também encarece, o que tende a segurar investimentos e contratações enquanto a política monetária seguir restritiva. Do outro lado do balcão, o mesmo juro elevado remunera melhor as aplicações em renda fixa, e é essa dupla face que faz a Selic ser sentida de formas opostas por quem toma e por quem poupa dinheiro na cidade.

Agente do Procon-CG em frente a uma revenda de gás de cozinha, com o carro de fiscalização do órgão em primeiro plano, em Campina Grande.
Revenda de gás de cozinha fiscalizada pelo Procon-CG em Campina Grande. Procon-CG / Prefeitura de Campina Grande

E o dólar a R$ 5,07?

A cotação do dólar influencia o preço de produtos importados e de insumos usados pela indústria e pelo comércio local, dos combustíveis a equipamentos eletrônicos. Com a moeda americana a R$ 5,07, parte dessa pressão chega às prateleiras e ajuda a explicar por que alguns preços custam a ceder mesmo com a inflação mensal em queda.

Os combustíveis são um dos canais mais visíveis dessa transmissão, já que os preços de referência da gasolina e do diesel acompanham a paridade internacional, medida em dólar. Foi justamente nesse item que o Procon-CG concentrou sua pesquisa de julho, ao mapear a diferença de preços entre os postos da cidade e mostrar quanto o consumidor pode poupar apenas escolhendo onde abastecer.

O que os números pesam no bolso do campinense
R$ 5,07 dólar comercial cotação de 30/07/2026
R$ 64,00 economia ao abastecer pesquisa do Procon-CG em julho
30% variação no etanol entre postos da cidade

Fonte: Banco Central do Brasil e Procon-CG, jul. 2026

O que o mercado projeta para o fim de 2026?

A cada semana, o Banco Central reúne as estimativas de dezenas de instituições financeiras no Relatório Focus, o boletim que consolida as projeções do mercado financeiro para os principais indicadores. Na edição de 31 de julho de 2026, a mediana das projeções apontava a Selic em 13,75% ao ano no fechamento de 2026, abaixo dos 14,25% então vigentes e coerente com o afrouxamento monetário em curso. Para a inflação, o mercado projetava um IPCA de 5,03% no acumulado de 2026, ainda acima do teto de 4,5% da meta, sinal de que os analistas não viam o índice de volta ao intervalo até o fim do ano. Já a taxa de câmbio projetada era de R$ 5,20 por dólar ao final de 2026, um pouco acima da cotação de R$ 5,07 registrada em 30 de julho. Para o campinense, essas projeções ajudam a ler o horizonte: juros ainda altos, inflação persistente acima da meta e a moeda norte-americana sem alívio à vista tendem a manter caro o custo do crédito e pressionado o preço dos importados por mais alguns meses.

Como acompanhar os preços em Campina Grande

Na prática, a diferença de preço entre estabelecimentos pode pesar tanto no bolso quanto a própria inflação. Em Campina Grande, o Procon-CG divulga pesquisas mensais de preços: em julho de 2026, o órgão apontou que o consumidor podia economizar até R$ 64,00 ao escolher onde abastecer o veículo, com variação de mais de 30% no preço do etanol na cidade. Comparar preços antes de comprar é uma das formas de proteger o poder de compra enquanto os juros seguem altos e a inflação acima da meta.

Fachada verde da sede do Procon-CG, com a bandeira da Paraíba ao lado da entrada, em Campina Grande.
A sede do Procon-CG, órgão que divulga as pesquisas mensais de preços na cidade. Procon-CG / Prefeitura de Campina Grande

Enquanto a inflação em 12 meses não volta para dentro da meta, a tendência é de juros altos por mais tempo, com reflexo no crédito e no consumo em Campina Grande. Acompanhar os números oficiais do Banco Central e do IBGE ajuda o leitor a entender o próprio orçamento antes de decidir gastar ou financiar. Comparar preços e o custo total do crédito antes de fechar qualquer compra parcelada segue sendo a defesa mais imediata do orçamento doméstico, sobretudo em itens de consumo frequente, em que a diferença entre estabelecimentos pesa tanto quanto a própria inflação do período.

VerificadoInformação checada com fontes independentes: o Banco Central e o IBGE.

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