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Copom decide juros nesta semana e mercado projeta Selic a 13,75%

O Copom se reúne em 15 e 16 de setembro. O mercado projeta um corte de 0,25 ponto na Selic, hoje em 14% ao ano, o que levaria a taxa a 13,75%.

Tela de aplicativo de banco com opções de pagamento por Pix.
Movimentação financeira no dia a dia dos brasileiros (imagem ilustrativa). Bruno Peres/Agência Brasil

A Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, está em 14% ao ano, patamar em vigor desde agosto de 2026. O mercado financeiro, porém, projeta que o Comitê de Política Monetária do Banco Central, que se reúne na sede do banco em Brasília, reduza a taxa em 0,25 ponto percentual, levando-a a 13,75% ao ano, na reunião marcada para os dias 15 e 16 de setembro. A previsão consta do último Boletim Focus, divulgado em 14 de setembro, e não deve ser lida como decisão consumada: quem define a taxa é o Copom, e o anúncio sai no fim da reunião.

Se a redução se confirmar, será o quinto corte consecutivo do ciclo de afrouxamento monetário. Em agosto, o Copom já havia cortado 0,25 ponto, da Selic de 15% para 14%. Antes disso, a taxa tinha ficado parada em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, no maior patamar do ciclo. A sequência de cortes marca a transição de uma política monetária restritiva para uma postura gradualmente mais frouxa, ainda com cautela.

A decisão de juros desta semana em três números
14% Selic hoje ao ano, em vigor desde agosto de 2026
13,75% Projeção do mercado para depois da reunião de 15 e 16 de setembro
0,25 p.p. Corte esperado quinta redução consecutiva, se confirmada

Fonte: Boletim Focus e Banco Central, via Agência Brasil, setembro de 2026

O que a Selic significa no bolso

A Selic não é apenas um número técnico. Ela organiza o custo do dinheiro na economia. Quando a taxa sobe, o crédito fica mais caro e o financiamento de bens se encarece. Quando ela cai, em tese, o empréstimo tende a ficar um pouco mais barato ao longo do tempo, embora o efeito nem sempre apareça de imediato nas prateleiras dos bancos. É por isso que a decisão do Copom costuma ser acompanhada de perto por quem tem dívida ou pretende financiar uma compra grande nos próximos meses.

Para quem vive em Campina Grande, como em qualquer cidade da Paraíba, o dia a dia do crédito é o mesmo. Parcelar uma compra no cartão, financiar um carro, tomar um empréstimo pessoal ou quitar uma dívida no cheque especial: todos esses contratos respondem, direta ou indiretamente, ao patamar da Selic. Com a taxa em 14% ao ano, o crédito ainda é caro, mesmo com a trajetória de cortes em curso, e o alívio esperado chega devagar à ponta.

Símbolo metálico do Banco Central em relevo sobre parede de granito.
Símbolo do Banco Central, em Brasília, em cuja sede o Copom define a taxa Selic. Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Do outro lado da balança, a Selic mais baixa remunera menos as aplicações de renda fixa. Quem tem dinheiro aplicado em CDB, Tesouro Direto ou poupança sente o corte com o rendimento menor no fim do mês. É o preço de um ciclo de afrouxamento: o crédito tende a aliviar, e a remuneração da poupança, a encolher. Para o poupador, o recado prático é revisar onde deixa o dinheiro à medida que a taxa cai, já que aplicações que rendiam bem com juros altos perdem atratividade quando a Selic recua.

S
Selic

Taxa básica de juros da economia, definida pelo Copom a cada 45 dias. Ela serve de piso para o custo do crédito e para o rendimento da renda fixa, e é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.

O que o mercado espera

O Boletim Focus é a sondagem semanal do Banco Central com agentes do mercado financeiro. A edição divulgada em 14 de setembro projeta, para o fim de 2026, uma Selic de 13,75% ao ano, o que corresponderia ao corte de 0,25 ponto na reunião de 15 e 16 de setembro. O mesmo Focus aponta para o ano um IPCA (inflação oficial) de 4,90%, ante 5% na semana anterior, e um crescimento do PIB de 1,89%, ante 1,93% na leitura anterior. O dólar é projetado a R$ 5,20, estável por 13 semanas seguidas. Esse desenho, de inflação cedendo e atividade morna, é o que sustenta a aposta em juros menores.

Para 2027, o Focus projeta um IPCA de 4,30% e um PIB de 1,45%. As projeções para o ano seguinte completam o retrato de um mercado que enxerga inflação em desaceleração e crescimento econômico mais modesto, o que costuma abrir espaço para juros menores ao longo do tempo. O ritmo lento da atividade também aparece em outros indicadores, como a prévia do PIB medida pelo IBC-Br, e ajuda a explicar por que o Banco Central tem espaço para cortar sem alarde.

A trajetória recente da Selic
  1. jun 2025 a mar 2026

    Selic parada em 15%

    A taxa básica de juros ficou no maior patamar do ciclo, em 15% ao ano.

  2. ago 2026

    Quarto corte, Selic a 14%

    O Copom reduziu a taxa em 0,25 ponto, de 15% para 14% ao ano, na quarta redução seguida.

  3. 15 e 16 set 2026

    Nova reunião do Copom

    O mercado projeta mais um corte de 0,25 ponto, o que levaria a Selic a 13,75% ao ano.

O que olhar nesta semana

A reunião do Copom de 15 e 16 de setembro é o marco do calendário econômico desta semana. O mercado projeta o corte, mas a decisão final depende da avaliação do comitê sobre o cenário de inflação, câmbio e atividade. O resultado é divulgado no fim do encontro, e não antes, junto com o comunicado em que o Banco Central explica os motivos da decisão e sinaliza os próximos passos. Analistas também vão ler o placar da votação e o tom do texto: um comunicado mais cauteloso pode indicar cortes menores adiante, enquanto um tom mais confiante reforçaria a expectativa de novas reduções até o fim do ano, quando o próprio Focus já projeta a Selic em 13,75%.

A tabela abaixo resume as projeções do Focus para o conjunto de indicadores em 2026. Ela organiza, em uma leitura só, o que o mercado espera da economia no ano corrente: inflação abaixo de 5%, juros em queda, crescimento modesto e câmbio estável. O quadro dialoga com a inflação recente, que teve deflação em agosto, como mostrou o IPCA do mês.

O que o Boletim Focus projeta para a economia em 2026
Indicador Projeção para 2026
IPCA (inflação) 4,90%
PIB (crescimento) 1,89%
Selic (fim do ano) 13,75%
Dólar R$ 5,20

Fonte: Boletim Focus, Banco Central, 14 de setembro de 2026

O cenário, em síntese, é o de uma economia em transição: a Selic caminha para o quinto corte, a inflação projeta desaceleração e o crescimento do PIB segue contido. A decisão de 15 e 16 de setembro dará o próximo passo nessa trajetória, e o mercado, por enquanto, aguarda com relativa confiança a Selic a 13,75% ao ano.

Fonte oficialApurado no Boletim Focus do Banco Central, via Agência Brasil.

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