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Selic a 14% e inflação em 4,44%: o que os juros mais baixos mudam em Campina Grande

O Copom cortou a Selic para 14% ao ano e o IPCA em 12 meses recuou a 4,44%, de volta ao teto da meta. Veja o efeito no crédito, no consumo e no emprego em Campina Grande.

Atendentes e trabalhadores nos guichês do Sine Municipal de Campina Grande, sob um painel de senhas.
No Sine Municipal, trabalhadores buscam as vagas abertas em Campina Grande enquanto os juros seguem altos. Secom / Prefeitura de Campina Grande
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O crédito começa a ceder, mas ainda pesa no bolso de quem vive em Campina Grande. O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou a taxa Selic para 14,00% ao ano na reunião de 6 de agosto, e o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial de inflação, recuou para 4,44% em 12 meses até julho de 2026, de volta para dentro do teto da meta. O dólar comercial fechou a R$ 5,13 em 4 de setembro. Veja, com os dados oficiais, o que esses números significam para o dia a dia da cidade.

Indicadores econômicos de referência (setembro de 2026)
Indicador Valor Referência
Selic (meta do Copom) 14,00% a.a. desde 06/08/2026
IPCA no mês 0,07% julho/2026
IPCA em 12 meses 4,44% até julho/2026
Meta de inflação 3,0% (teto 4,5%) 2026
Dólar comercial R$ 5,13 04/09/2026

Fonte: Banco Central do Brasil, Sistema Gerenciador de Séries Temporais

Por que o Copom cortou a Selic para 14%?

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia e a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. Com os preços desacelerando ao longo de 2026, o Copom passou a reduzir os juros aos poucos, num movimento de afrouxamento que já dura alguns meses. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional para o ano é de 3,0%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%. Como a inflação em 12 meses voltou para baixo desse teto, o comitê ganhou espaço para cortar a taxa de 14,25% para 14,00% ao ano em agosto.

Mesmo em queda, o país ainda convive com um dos maiores juros reais do mundo, ou seja, o que sobra da Selic depois de descontada a inflação. Com a taxa em 14,00% e o IPCA de 4,44% em 12 meses, o ganho real segue perto de 9 pontos percentuais, patamar que remunera bem as aplicações e ao mesmo tempo mantém caro o crédito para famílias e empresas. Desde janeiro de 2025 o Brasil adota o regime de meta contínua, em que o cumprimento do alvo de 3,0% é avaliado mês a mês, pelo acumulado de 12 meses, e não mais só no fechamento do ano.

Trajetória da Selic nas decisões do Copom (% ao ano). Fonte: Banco Central do Brasil.
  1. Jun 2025

    15,00%

    Pico do ciclo de aperto monetário.

  2. Mar 2026

    14,75%

    Começa o afrouxamento.

  3. Abr 2026

    14,50%

    Segundo corte seguido.

  4. Jun 2026

    14,25%

    Terceiro corte na sequência.

  5. Ago 2026

    14,00%

    Copom leva a taxa a 14% ao ano.

A inflação voltou para dentro da meta?

Sim, pelo critério que o Banco Central acompanha. A meta de inflação tem teto de 4,5%, e o IPCA em 12 meses recuou de 4,64% em junho para 4,44% em julho de 2026, voltando a caber dentro do intervalo de tolerância. No mês a mês, o ritmo dos preços também perdeu força: depois de picos no primeiro trimestre, o índice caiu para 0,07% em julho, o menor resultado do ano.

IPCA mês a mês em 2026 (%)
Jan 0,33%
Fev 0,70%
Mar 0,88%
Abr 0,67%
Mai 0,58%
Jun 0,16%
Jul 0,07%

Fonte: IBGE / Banco Central do Brasil (série 433)

Ainda assim, a trégua é recente e desigual entre os grupos do índice. Itens de peso no orçamento das famílias, como alimentação, transporte e habitação, entram e saem da conta em meses diferentes, e é por isso que o Banco Central prefere cortar os juros com cautela, em julho de 2026 a inflação ainda estava acima do teto. Para quem quer entender o que cada índice mede, vale separar o IPCA do INPC, que baliza reajustes de salário e benefícios.

O que muda no crédito e no consumo em Campina Grande?

Para o consumidor da cidade, a Selic mais baixa começa a baratear o crédito, mas devagar. Financiar um carro, parcelar uma compra ou tomar um empréstimo continua caro enquanto a taxa básica segue em 14,00% ao ano, e o alívio na inflação apenas segura a perda do poder de compra em itens de consumo frequente. As linhas de crédito mais sensíveis, como cheque especial, consignado e parcelamento no cartão, ainda vão levar meses para refletir o corte de agosto.

Consumidores sentados diante de estandes de bancos em um mutirão de renegociação de dívidas em Campina Grande.
Mutirão de renegociação de dívidas reúne bancos e consumidores em Campina Grande. Secom / Prefeitura de Campina Grande

Do outro lado do balcão, o mesmo juro elevado remunera melhor as aplicações em renda fixa, e é essa dupla face que faz a Selic ser sentida de formas opostas por quem toma e por quem poupa dinheiro na cidade. Quem tem dívida sente o peso do custo; quem consegue guardar encontra ganhos ainda atrativos, como mostram as contas de quanto rende a renda fixa neste patamar de juros.

O que os números pesam no bolso do campinense
14,00% Selic ao ano meta vigente desde agosto
4,44% inflação em 12 meses IPCA até julho de 2026
860 vagas no Sine início de setembro em Campina Grande

Fonte: Banco Central do Brasil e Prefeitura de Campina Grande, 2026

E o emprego na cidade?

No mercado de trabalho local, o retrato de setembro é de oferta aquecida. O Sine Municipal, ligado à Prefeitura de Campina Grande, iniciou o mês com 860 vagas de emprego cadastradas em empresas parceiras, das quais 104 são exclusivas para pessoas com deficiência e 450 concentradas em uma única empresa de telemarketing. É um sinal de que, mesmo com juros altos, a atividade na cidade segue gerando oportunidades para quem procura recolocação.

Emprego e crédito andam juntos na economia da cidade. Quando a renda aparece, o financiamento volta a girar, e é por isso que eventos como os feirões de veículos ganham fôlego quando a Selic recua: taxas de crédito um pouco menores ajudam a fechar negócio. Vale acompanhar tanto a taxa básica quanto as vagas abertas no Sine para ler o momento do bolso na cidade.

Vista aérea do Parque do Povo tomado por centenas de carros durante um feirão de veículos em Campina Grande.
Feirão de veículos no Parque do Povo movimenta o crédito automotivo em Campina Grande. Secretaria de Desenvolvimento Econômico / Prefeitura de Campina Grande

E o dólar mais barato ajuda?

O dólar comercial influencia o preço de produtos importados e de insumos usados pela indústria e pelo comércio local, dos combustíveis a equipamentos eletrônicos. A moeda americana recuou de R$ 5,20, no fim de agosto, para R$ 5,13 em 4 de setembro, e esse movimento tira um pouco da pressão sobre alguns preços, embora o repasse às prateleiras seja gradual.

Enquanto a inflação segue dentro da meta e a Selic desce em ritmo lento, a tendência é de crédito ainda caro, porém menos apertado, e de consumo cauteloso em Campina Grande. Comparar o custo total de um financiamento antes de fechar qualquer compra parcelada continua sendo a defesa mais imediata do orçamento doméstico, sobretudo em itens de maior valor, em que os juros pesam tanto quanto a própria inflação do período.

VerificadoInformação checada com fontes oficiais: o Banco Central, o IBGE e a Prefeitura de Campina Grande.

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