Na 63ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Campina Grande, realizada em 25 de agosto de 2026, os parlamentares dedicaram boa parte dos discursos à ampliação dos serviços para crianças atípicas e ao enfrentamento da violência doméstica. Foram citados um investimento federal de R$ 1,922 milhão para a construção de um CAPS no Aluízio Campos e a atuação do Instituto Aurineth Alves, com terapias gratuitas para 85 crianças.
O termo crianças atípicas abrange crianças com condições como o transtorno do espectro autista, o TDAH e outros transtornos do desenvolvimento, que demandam acompanhamento especializado em saúde e educação. Em Campina Grande, a rede que atende esse público combina serviços municipais, estaduais e federais, e é justamente a costura entre essas esferas que esteve no centro do debate. O debate desta sessão, portanto, tocou menos em nomes de leis e mais na experiência concreta das famílias que dependem desses serviços no dia a dia.
Fonte: Câmara Municipal de Campina Grande, 63ª Sessão Ordinária (25/8/2026)
Investimento federal de R$ 1,922 milhão para novo CAPS
Segundo a CMCG, a vereadora Jô Oliveira informou que o Governo Federal destinou, em 2024, R$ 1,922 milhão para a construção de um CAPS no bairro Aluízio Campos. O recurso integra a estratégia de ampliar a rede de atenção precoce, que inclui o Capsinho, referência local para crianças com necessidades especiais.
O CAPS, sigla de Centro de Atenção Psicossocial, é o serviço do SUS voltado ao cuidado em saúde mental de forma territorial e comunitária. A modalidade infantojuvenil, conhecida como CAPSi, atende crianças e adolescentes com transtornos mentais e com autismo. A construção de uma nova unidade amplia a capacidade de atendimento em uma cidade que, como o restante do país, tem visto crescer a procura por diagnóstico e terapia na infância. O número de diagnósticos de autismo aumentou no país na última década, impulsionado por mais informação e por triagem mais cedo, o que pressiona serviços públicos que nem sempre acompanharam esse ritmo. Ampliar a rede, por isso, não é só erguer prédios: é também formar e fixar equipes de psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, o gargalo que os próprios vereadores apontaram como o mais difícil de resolver no curto prazo.

Demanda por vagas no CEMAIS
O parlamentar Sargento Wellington Cobra alertou que mães têm encontrado dificuldade para conseguir atendimento no CEMAIS, apontando falta de vagas e de profissionais especializados. Ele destacou o caso de uma criança com TDAH que busca atendimento no Capsinho há mais de um ano.
O CEMAIS, Centro Municipal de Atendimento Integrado à Saúde, concentra parte do atendimento especializado da rede. A queixa de fila e de falta de equipe reflete um gargalo comum em serviços de reabilitação e saúde mental: a demanda por terapias contínuas, como fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia, cresce mais rápido do que a oferta de vagas e de profissionais habilitados. A atenção precoce é o centro do problema, porque quanto antes a criança começa o acompanhamento, melhores tendem a ser os resultados no desenvolvimento e na autonomia. Uma fila longa, nesse contexto, não significa apenas espera: significa a perda de uma janela importante de intervenção, e é por isso que as famílias cobram mecanismos estáveis de financiamento que garantam a continuidade das terapias do começo ao fim do tratamento.
- 25/08/2026
63ª Sessão Ordinária
Vereadores debatem a ampliação de serviços para crianças atípicas e a demanda por vagas no CEMAIS.
- 01/09/2026
Próxima sessão
Prevista a análise de proposta de fundo municipal para vagas no CEMAIS e apoio ao Capsinho.
Apoio intergovernamental
O vereador Alexandre do Sindicato, líder da situação, reforçou a necessidade de apoio do Governo Federal para que os municípios enfrentem a demanda crescente. “Devemos nos juntar por essa causa”, declarou. A vereadora Carol Gomes acrescentou que há ausência de políticas públicas coordenadas entre as esferas federal, estadual e municipal.
O vereador Rafafá enfatizou a importância do acompanhamento diário das crianças, enquanto a vereadora Ana Cardoso ressaltou a necessidade de garantir, ao menos, a medicação básica. Já o vereador Frank Alves pediu a união dos governos estadual e federal para ampliar os atendimentos. Na divisão de responsabilidades do SUS e da assistência social, a União financia parte dos serviços e define diretrizes, os estados apoiam a média e a alta complexidade, e os municípios executam o atendimento na ponta, o que torna a coordenação entre as três esferas decisiva para que o recurso vire vaga de fato. O pano de fundo do debate dialoga com a desigualdade que atinge esse público, tema medido em escala nacional pela renda das pessoas com deficiência apurada pelo IBGE.

A fala de Sargento Wellington Cobra
O vereador Sargento Wellington Cobra resumiu a cobrança das famílias: “Faltam vagas e profissionais especializados para atender à demanda no CEMAIS”. Ele relatou que diversas mães procuraram a Câmara em busca de soluções e sugeriu a criação de parcerias entre os diferentes níveis de governo para suprir a carência de recursos humanos e estruturais. Para as mães que acompanham os filhos, o recado da tribuna foi de urgência, já que cada mês de espera pesa no desenvolvimento da criança.
A próxima sessão da Câmara, prevista para 1º de setembro de 2026, deve analisar a proposta de criação de um fundo municipal destinado ao financiamento de vagas no CEMAIS e ao apoio ao Capsinho. A Comissão de Saúde e Assistência Social receberá documentos técnicos para subsidiar projetos de lei sobre o tema, que também tem aparecido em outras pautas recentes da Câmara. Um fundo com receita própria daria previsibilidade ao custeio das terapias, hoje dependente de repasses pontuais, e é essa estabilidade que famílias e profissionais da rede dizem faltar.
Fonte oficialRelease da Câmara de Campina Grande, 63ª Sessão Ordinária, 25/08/2026.
Publicado em · Política de correções



Comentários