· Campina Grande
CG em Foco

Economia

Vendas do varejo caem 0,8% em julho com a 'ressaca' da Copa do Mundo

O varejo restrito recuou 0,8% em julho ante junho, segundo o IBGE. Móveis e eletrodomésticos lideraram a queda, efeito da antecipação de compras antes da Copa do Mundo.

Loja com camisas da seleção brasileira e clientes durante o período da Copa do Mundo.
Comércio de artigos da Copa: compras concentradas antes dos jogos. Antônio Cruz/Agência Brasil
Hostinger — Domínio, SSL e e-mail inclusosPublicidade

O varejo restrito brasileiro recuou 0,8% em julho de 2026 ante junho, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada em 15 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda interrompe a sequência de altas do setor e é explicada pelo instituto como efeito da antecipação de compras antes da Copa do Mundo, disputada em junho e julho. O resultado do mês contrariou o ritmo do acumulado do ano, que segue positivo.

No acumulado de 12 meses até julho, o varejo restrito soma alta de 1,6%, enquanto no ano de 2026 a variação acumulada é de 1,8%. Já a média móvel trimestral, que suaviza oscilações de curto prazo, ficou em -0,1%, sinal de perda de fôlego no volume de vendas do período mais recente. A leitura combinada mostra um setor que ainda cresce no médio prazo, mas que travou na virada do segundo para o terceiro trimestre.

O varejo de julho em três números
-0,8% Varejo restrito em julho ante junho de 2026
+1,6% Acumulado 12 meses setor ainda cresce no médio prazo
-0,1% Média móvel trimestral trimestre praticamente plano

Fonte: IBGE, Pesquisa Mensal de Comércio, via Agência Brasil, setembro de 2026

O varejo ampliado, que inclui o atacado e o comércio de veículos, seguiu trajetória distinta: subiu 0,4% em julho ante junho e acumula alta de 1,2% em 12 meses. A divergência entre o restrito e o ampliado no mês sugere que parte da retração das vendas diretas ao consumidor não se repetiu no fluxo mais amplo do comércio, que envolve também a etapa de atacado e o giro de estoques entre empresas.

Quais setores puxaram a queda

Entre as atividades que puxaram o resultado de julho, móveis e eletrodomésticos lideraram, com recuo de 4,9% ante junho. Livros, jornais, revistas e papelaria caíram 4,2%; tecidos, vestuário e calçados recuaram 2,7%; e outros artigos pessoais e domésticos perderam 2,2%. Hiper e supermercados, que incluem alimentos, bebidas e fumo, tiveram a variação mais modesta entre as quedas, de -0,2%, o que indica que o consumo de itens essenciais resistiu melhor ao movimento do mês.

Variação das vendas por setor em julho, ante junho de 2026
Farmacêuticos e perfumaria 0,6%
Informática e comunicação 0,6%
Combustíveis e lubrificantes 0,3%
Hiper e supermercados -0,2%
Outros artigos pessoais -2,2%
Tecidos, vestuário e calçados -2,7%
Livros, jornais e papelaria -4,2%
Móveis e eletrodomésticos -4,9%

Fonte: IBGE, Pesquisa Mensal de Comércio, julho de 2026

Nem todos os segmentos recuaram. Farmacêuticos e perfumaria subiram 0,6%, mesmo patamar de equipamentos de escritório, informática e comunicação, enquanto combustíveis e lubrificantes avançaram 0,3%. O quadro misto confirma que a retração de julho não foi generalizada: concentrou-se em bens duráveis, vestuário e papelaria, e não alcançou com a mesma força drogarias, informática e postos de combustível. O comportamento das drogarias tende a ser mais resiliente a variações de agenda, porque a compra de medicamentos e de itens de higiene não se antecipa nem se adia por causa de um evento esportivo. Equipamentos de escritório e informática, por sua vez, respondem mais à demanda corporativa e de produtividade, menos exposta ao calendário do consumidor final. Já os combustíveis seguem a lógica de deslocamento e rotina, que muda pouco em períodos de Copa, e ajudam a explicar por que o varejo ampliado terminou o mês no azul, sustentado também pelo giro do atacado e pela venda de veículos.

A ‘ressaca’ da Copa do Mundo

O IBGE aponta a Copa do Mundo como principal fio explicativo. Segundo Cristiano Santos, analista do instituto, a antecipação de compras em maio, antes da competição de junho e julho, reduziu a demanda no mês passado. Consumidores adiantaram a compra de televisores e do álbum de figurinhas, itens fortemente associados à agenda esportiva, o que tirou volume das vendas de julho, quando os jogos já estavam em andamento ou se encerrando.

Carro sendo abastecido em posto de combustíveis com preços expostos ao fundo
Combustíveis subiram 0,3% em julho, na contramão dos bens duráveis. Rovena Rosa/Agência Brasil

A leitura ajuda a entender por que eletrodomésticos, revistas e vestuário foram os mais atingidos. Televisores concentram a compra ligada ao evento; a papelaria carrega o álbum de figurinhas; e o vestuário reúne camisas e itens de torcida adquiridos antes do início dos jogos. O ponto central da explicação do IBGE é que se trata de uma troca de calendário, e não de queda de renda ou de perda de confiança do consumidor: o gasto saiu de julho e entrou em maio.

Varejo restrito e ampliado: as principais variações da PMC
Indicador Variação
Restrito no mês -0,8%
Restrito em 12 meses 1,6%
Restrito no ano de 2026 1,8%
Ampliado no mês 0,4%
Ampliado em 12 meses 1,2%

Fonte: IBGE, Pesquisa Mensal de Comércio, julho de 2026

Nível elevado, ritmo em desaceleração

Apesar do tropeço mensal, o nível geral do comércio segue elevado. O setor está 10,6% acima do patamar pré-pandemia, referência de fevereiro de 2020, e apenas 1,5% abaixo do pico de março de 2026, que equivale ao nível de dezembro de 2025. Em volume, o varejo opera perto do topo recente, e não em queda livre. Vale notar ainda que móveis e eletrodomésticos, mesmo com -4,9% no mês, acumulam alta de 3,9% em 12 meses, o maior avanço entre os setores da série de julho. A leitura reforça o argumento do instituto de que o recuo mensal reflete um ajuste de calendário de compras, e não uma inversão estrutural da demanda por bens duráveis no país. Em outras palavras, o consumidor adiantou a compra da televisão, mas a procura por móveis e eletrodomésticos ao longo de um ano inteiro segue em terreno positivo.

O sinal mais estrutural, porém, está na desaceleração do acumulado de 12 meses. Em março de 2026, o varejo restrito acumulava 2,3% nessa base; em julho, o número caiu para 1,6%, uma perda de 0,7 ponto percentual em quatro meses. O ritmo do consumo também dialoga com o custo do crédito, tema tratado na cobertura sobre a decisão de juros do Copom, e com os gargalos de investimento apontados no levantamento da CNI sobre infraestrutura. Somada à média móvel trimestral em -0,1%, a leitura descreve um comércio que cresce menos do que crescia, ainda que longe de um cenário de retração aberta. Para quem acompanha a renda das aplicações, o efeito dos juros sobre o bolso aparece detalhado em quanto rende a renda fixa hoje.

Fonte oficialDados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE, divulgados em 15/09/2026.

Hostinger — Domínio, SSL e e-mail inclusosPublicidade
Bicicleta GTS Pro M5 — no Mercado LivrePublicidade

Publicado em · Política de correções

Hostinger — 5 milhões de clientes em mais de 150 paísesPublicidade

Receba as principais notícias de Campina Grande

Newsletter · CG em Foco

Um resumo das notícias da cidade, da Paraíba e dos assuntos que impactam o seu dia, direto no seu e-mail. Sem spam. Cancele quando quiser.

Comentários

  • Carregando comentários…