Brasil e Estados Unidos voltarão a negociar as tarifas americanas sobre produtos brasileiros em um encontro bilateral durante a reunião do G20, marcada para 30 de setembro e 1º de outubro de 2026, em Milwaukee, nos Estados Unidos. Pelo Brasil participa o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Marcio Elias Rosa; pelos Estados Unidos, o representante comercial (USTR), Jamieson Greer. Os detalhes da pauta do encontro ainda não foram divulgados pelos dois lados.
O encontro acontece em um período de tensão comercial aberto em julho de 2026. Naquele mês, os Estados Unidos aplicaram uma sobretaxa de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros, entre eles ferro, aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola e máquinas elétricas, exceto no segmento de aviação. Segundo o governo dos Estados Unidos, a medida respondeu a supostas práticas comerciais que restringiam a atuação de exportadores norte-americanos no Brasil.
Fonte: MDIC, via Agência Brasil, setembro de 2026
Ainda em 2026, o lado americano anunciou uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre outros produtos. A justificativa apresentada pelos Estados Unidos foi a de que o Brasil não adotaria mecanismos eficazes contra a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. As duas medidas, somadas, compõem o pacote tarifário que pesa sobre as exportações brasileiras e que está no centro da agenda entre os dois governos. O Brasil contesta o conjunto das sobretaxas e defende que a solução passa pela negociação direta, sem retaliação automática.
Como o diálogo foi retomado
A retomada do diálogo em nível de chefes de Estado ocorreu em 21 de agosto de 2026. Nessa data, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump conversaram por telefone por cerca de 1h20. O tom foi descrito como cordial, e os dois mandatários acordaram retomar as negociações bilaterais, abrindo caminho para o trabalho técnico que se seguiu entre as equipes dos dois países. Foi o contato de mais alto nível desde a abertura do contencioso e destravou a agenda que se seguiria nas semanas seguintes.
- 21 ago 2026
Telefonema entre presidentes
Lula e Trump conversam por cerca de 1h20 e acordam retomar o diálogo.
- 31 ago 2026
Reunião virtual
Marcio Elias Rosa e Jamieson Greer iniciam formalmente a renegociação.
- 30 set e 1 out 2026
Encontro no G20
Reunião bilateral em Milwaukee, com pauta ainda não divulgada.
Dez dias depois, em 31 de agosto de 2026, o ministro Marcio Elias Rosa e o representante comercial Jamieson Greer tiveram uma reunião virtual para dar início formal à renegociação. O encontro marcado para o G20, em Milwaukee, é a etapa seguinte desse processo. A pauta específica de setembro, no entanto, ainda não foi revelada, e o que se sabe até agora é o compromisso de manter o canal de diálogo aberto entre as duas equipes.
Os produtos atingidos
A lista de itens alcançados pela sobretaxa de 25% abrange setores centrais da pauta exportadora brasileira. Ferro e aço, vestuário e calçados figuram entre os produtos industriais e têxteis; açúcar e etanol representam o polo agroindustrial; e produtos farmacêuticos, maquinário agrícola e máquinas elétricas, exceto aviação, completam o conjunto citado no anúncio de julho. A sobretaxa adicional de 12,5% alcança outros produtos, segundo a justificativa apresentada pelo governo dos Estados Unidos. Por concentrarem bens industriais, têxteis e agroindustriais, essas cadeias empregam de forma intensa e respondem por parte relevante das vendas externas do país, o que explica a atenção do setor produtivo ao desfecho da negociação. A aviação, expressamente excluída da lista de julho, é o principal contraponto a esse conjunto.

Do ponto de vista do calendário comercial, o encontro de Milwaukee tem data definida, mas conteúdo em aberto. A reunião do G20 concentra agenda multilateral e bilateral, e os dois países aproveitaram o formato para retomar a conversa sobre tarifas. O ministério responsável pela agenda comercial brasileira é o Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, enquanto a representação americana é liderada pelo USTR, Jamieson Greer, que participou da reunião virtual de 31 de agosto. O formato do G20 costuma reunir, no mesmo período, encontros multilaterais entre as maiores economias e conversas bilaterais reservadas, o que dá a Brasil e Estados Unidos a oportunidade de tratar do tema fora de uma cúpula específica sobre tarifas. A escolha de Milwaukee como sede reforça o caráter técnico da rodada, centrada em comércio e indústria.
O que está em jogo
A sequência de contatos entre agosto e setembro mostra um esforço de reabertura do diálogo bilateral. A conversa telefônica de 21 de agosto fixou o compromisso de retomar as negociações; a reunião virtual de 31 de agosto transformou o compromisso em agenda técnica; e o encontro no G20 é o próximo marco, com a presença dos dois responsáveis diretos pela política comercial de cada país. Até que haja um acordo, porém, o quadro tarifário em vigor permanece, e as sobretaxas continuam a incidir sobre a pauta exportadora.
Enquanto a negociação avança, o efeito das tarifas ajuda a explicar a cautela do comércio exterior brasileiro em um ano de câmbio pressionado. O tema conversa com a agenda macroeconômica doméstica, do custo do crédito discutido na decisão de juros do Copom aos gargalos apontados no levantamento da CNI sobre infraestrutura, passando pelo consumo interno retratado nas vendas do varejo em julho. O desfecho das tarifas, contudo, dependerá do que Brasil e Estados Unidos acertarem em Milwaukee, e os dois governos afirmam manter o canal de diálogo aberto até lá. Para o exportador, o intervalo entre as reuniões é de incerteza: os contratos em vigor seguem sujeitos às sobretaxas, sem garantia sobre o resultado da rodada de setembro. Uma eventual redução das alíquotas, ou a exclusão de novos produtos da lista, só passará a valer se sair do encontro de Milwaukee um entendimento formal entre as duas partes envolvidas.
Fonte oficialInformações do MDIC e da Agência Brasil, publicadas em 15/09/2026.
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