O maior evento de artesanato da Paraíba terminou no azul. O 42º Salão do Artesanato Paraibano, realizado em Campina Grande durante o São João de 2026, fechou com vendas superiores a R$ 3,5 milhões, um recorde que superou a meta da organização. O resultado confirma o artesanato como um dos motores da economia criativa no período junino, quando a cidade recebe o maior fluxo de visitantes do ano.
Promovido pelo Programa do Artesanato Paraibano, do Governo da Paraíba, em parceria com o Sebrae, o salão reuniu mais de 500 artesãos de várias regiões do estado. Foram 24 dias de funcionamento, de 11 de junho a 4 de julho, na Avenida Brasília, na entrada da cidade, das 15h às 22h.

A edição de 2026 teve as bonequeiras como tema central. Divulgação / Sebrae-PB
A edição foi dedicada às bonequeiras. Sob o tema “Bonequeiras, Arte de Viver, Vida de Brincar”, o evento homenageou dez bonequeiras de diferentes municípios da Paraíba, entre elas Josileide dos Santos, artesãs que transformam tecido, linha e retalho em bonecas que retratam a cultura, as tradições e o cotidiano do estado, segundo a Agência Sebrae de Notícias. A boneca de pano virou o símbolo da edição e um dos itens mais procurados pelos visitantes.
Fonte: PAP e Sebrae-PB, 2026
O calendário não é casual. A montagem do salão durante o São João aproveita o maior fluxo turístico do ano em Campina Grande, e o evento faz parte da programação oficial d’O Maior São João do Mundo, que recebe visitantes de todo o país no mês de junho. Ao funcionar em paralelo à festa, na Avenida Brasília, na entrada da cidade, das 15h às 22h, a mostra capta parte desse público antes ou depois da programação junina, o que ajuda a explicar por que a feira concentra em poucas semanas uma fatia expressiva das vendas anuais de muitos expositores.
O papel do Sebrae na parceria vai além do apoio ao evento. A entidade atua na capacitação dos artesãos, na organização da produção e no acesso a mercado, frentes que buscam transformar o trabalho manual em atividade econômica formal e com maior valor agregado, fortalecendo o empreendedorismo artesanal. É esse tipo de suporte que ajuda o artesão a precificar a peça, a organizar o estoque para o pico de vendas e a manter o negócio funcionando fora do período junino. Antes mesmo do encerramento, a organização já projetava um novo recorde, dessa vez de público: segundo Marielza Rodriguez, gestora do Programa do Artesanato Paraibano, a expectativa era de mais de 100 mil visitantes ao longo dos 24 dias de funcionamento, um patamar que geraria, nas palavras da gestora, “conexões que geram negócios o ano inteiro”, segundo reportagem do Paraíba Total de 9 de junho de 2026.
| Indicador | Marca |
|---|---|
| Vendas | Mais de R$ 3,5 milhões (recorde) |
| Artesãos | Mais de 500 |
| Dias de evento | 24 (11/6 a 4/7) |
| Alimentos arrecadados | Cerca de 7 toneladas |
| Tema | Bonequeiras |
Fonte: PAP e Sebrae-PB, 2026
Além das vendas, o salão movimentou uma ação social. Ao longo dos 24 dias, o evento arrecadou cerca de sete toneladas de alimentos, doadas a entidades que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social. A entrada era gratuita, com opção de doação solidária de 1 kg de alimento não perecível, além de espaço infantil e estacionamento para o público, segundo a Agência Sebrae de Notícias.
A gratuidade e a estrutura de apoio ajudam a explicar o volume de visitantes. Sem cobrança de ingresso, com área reservada às crianças e vagas de estacionamento, o salão se posiciona como passeio de família, e não apenas como ponto de compra. A arrecadação de alimentos, atrelada ao próprio funcionamento da feira, transforma o fluxo de público em doação, num modelo que soma a movimentação comercial a uma contrapartida social ao longo de quase um mês de atividade.
- 11 jun
Abertura
O salão abre na Avenida Brasília, no início do São João de Campina Grande.
- Junho
Pico junino
A feira capta o maior fluxo turístico do ano, das 15h às 22h.
- 4 jul
Encerramento
Após 24 dias, o evento fecha com recorde de R$ 3,5 milhões em vendas.
Na 42ª edição, o salão se firmou como a principal vitrine do artesanato do estado. A cada ano, a mostra reúne técnicas que vão do bordado ao couro, do barro à renda, e funciona como ponto de encontro entre quem produz no interior e quem compra em Campina Grande. Para muitos expositores, os dias de evento respondem por parte relevante da renda anual.
Essa diversidade de técnicas dá a medida do setor no estado. A Paraíba concentra tradições distintas conforme a região: a renda renascença e o bordado no Cariri, o couro e a cerâmica no sertão, o barro figurativo herdeiro da escola de mestres do Nordeste. Ao reunir todas essas linhas num só espaço, o salão funciona como um mostruário do que o estado produz à mão, e permite ao visitante comparar preços, acabamentos e origens sem sair de Campina Grande, algo que, no resto do ano, exigiria percorrer vários municípios.

Bonecas de pano, simbolo da 42a edicao do Salao. Divulgação / Sebrae-PB
A escolha das bonequeiras como tema deu rosto a esse trabalho. As bonecas de pano, vestidas com estampas juninas e chitas coloridas, sintetizam uma tradição passada de mãe para filha e hoje transformada em produto com identidade regional, procurado por turistas como lembrança da festa. Ao pôr as bonequeiras no centro da 42ª edição, a organização deslocou para a vitrine principal um ofício quase sempre invisível, feito em casa, entre a costura e o cuidado com os filhos, e o apresentou como patrimônio cultural e fonte de renda ao mesmo tempo. A programação também aproximou o artesanato da moda: um desfile levou à passarela peças autorais feitas a partir do trabalho manual dos expositores, mostrando que a produção que nasce nas bancadas da Paraíba pode ganhar circuitos de maior valor agregado. Ao transformar bordado, renda e tecido em roupa de assinatura, o artesão sai da condição de fornecedor de lembrança barata e passa a disputar um mercado que paga mais pela peça.
Para o setor, o recorde tem peso concreto. Cada real vendido no salão vira renda direta para o artesão e sua família, num período em que Campina Grande concentra turistas e consumo. A concentração das vendas em poucas semanas, porém, expõe a dependência do calendário: quando o fluxo junino se esvazia, o artesão que vive da feira precisa de canais que sustentem a receita no resto do ano. É aí que entra a estrutura permanente da cidade. O desafio, agora, é manter o fluxo depois que as luzes do São João se apagam, com pontos de venda permanentes como a Vila do Artesão, onde os ateliês funcionam o ano inteiro e recebem quem procura a peça fora da temporada da festa. O próximo balanço, na edição seguinte, dirá se o recorde de 2026 vira patamar ou fica como exceção.
VerificadoInformação checada com fontes independentes: o Governo da Paraíba e o jornal A União.
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