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Paz pela Paz leva cultura de paz a 5 escolas e 1.700 alunos em Campina Grande

Ciclo de palestras da Guarda Civil Municipal com a Seduc levou temas como bullying, feminicídio e violência doméstica a estudantes dos anos finais entre abril e julho de 2026.

Agente da Guarda Civil Municipal toca violão sobre um pequeno palco de auditório escolar, diante de estudantes de uniforme sentados em cadeiras.
Agente da Guarda Civil Municipal conduz a palestra com música em uma escola da rede municipal de Campina Grande. Prefeitura de Campina Grande
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A Guarda Civil Municipal (GCM) de Campina Grande encerrou em julho de 2026 um ciclo do projeto Paz pela Paz na Escola que alcançou mais de 1.700 estudantes dos anos finais do ensino fundamental. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, passou por cinco escolas da rede municipal entre os meses de abril e julho, levando diretamente às salas de aula o tema da cultura de paz.

A proposta une segurança e educação em um mesmo trabalho: em vez de atuar apenas na resposta a ocorrências, a corporação leva à escola a conversa sobre prevenção da violência. O público são os anos finais, do 6º ao 9º ano, faixa em que temas como convivência, respeito e enfrentamento de abusos ganham peso crescente no cotidiano dos estudantes.

O ciclo Paz pela Paz na Escola em 2026
1.700+ estudantes alcançados nos anos finais, de abril a julho de 2026
5 escolas municipais atendidas no primeiro ciclo do projeto
266 alunos em uma etapa na Escola Municipal Roberto Simonsen
4 temas centrais empatia, bullying, feminicídio e violência doméstica

Fonte: Prefeitura de Campina Grande / Guarda Civil Municipal, 2026

Como funcionam as palestras

O formato foge da aula expositiva tradicional. As palestras são conduzidas de forma lúdica, com o uso de músicas, exemplos do dia a dia e a participação direta dos estudantes, que respondem, opinam e ajudam a construir a conversa. O coordenador da GCM que ministra os encontros usa instrumentos musicais para abrir o diálogo e aproximar o público de assuntos que costumam ser difíceis de tratar em sala.

Esse recurso tem uma função prática: ao transformar a palestra em uma atividade participativa, o projeto reduz a barreira entre o agente de segurança e o estudante e cria espaço para que temas sensíveis sejam discutidos sem constrangimento. As sessões acontecem em dias fixos da semana, pela manhã, dentro do calendário de cada unidade. É um trabalho de mediação mais do que de fiscalização, ligado ao investimento recente da cidade em equipamentos e estrutura para a Guarda.

Agente da Guarda Civil Municipal com um pandeiro e um microfone conversa com estudantes reunidos em roda no salão de uma escola.
Estudantes participam de uma atividade do projeto em uma escola de Campina Grande. Prefeitura de Campina Grande

A escolha da faixa dos anos finais não é casual. É nessa idade que crescem os conflitos entre colegas, as primeiras exposições a relações abusivas e o uso intenso das redes sociais, terreno em que o bullying se prolonga para fora da sala. Colocar um agente de segurança nesse ambiente, falando a mesma linguagem dos estudantes, é uma forma de construir confiança antes que um problema vire ocorrência policial. O projeto se apoia na ideia de que prevenir custa menos, em todos os sentidos, do que remediar.

Os temas do ciclo

O conteúdo das palestras vai além da convivência escolar e toca em formas graves de violência. Ao lado da empatia e do combate ao bullying, o ciclo abordou o feminicídio e a violência doméstica e familiar, assuntos que conectam a escola a um debate mais amplo de proteção, também presente em ações como o Agosto Lilás. Levar esses temas a adolescentes é uma aposta na prevenção pela informação, para que reconheçam sinais de abuso e saibam a quem recorrer.

Os temas abordados nas palestras do projeto
Tema Foco da abordagem
Empatia na escola Convivência e respeito no ambiente escolar
Bullying Prevenção da violência entre estudantes
Feminicídio Conscientização sobre a violência letal contra a mulher
Violência doméstica e familiar Identificação e enfrentamento de abusos

Fonte: Guarda Civil Municipal de Campina Grande, 2026

A escolha de tratar feminicídio e violência doméstica com estudantes dos anos finais parte da ideia de que a prevenção começa cedo. São temas que, fora da escola, muitas vezes só chegam ao noticiário quando o crime já aconteceu, e o projeto tenta antecipar essa conversa em um ambiente de confiança. Ao nomear o feminicídio e a violência doméstica diante de turmas inteiras, a palestra também sinaliza aos estudantes que essas situações têm nome, são crimes e podem ser denunciadas, o que ajuda a quebrar o silêncio que costuma cercar esses casos dentro de casa.

O foco no bullying tem respaldo em dado oficial sobre a mesma faixa etária. Na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2015, do IBGE, 37,9% dos estudantes do 9º ano na Paraíba relataram ter se sentido humilhados por provocações de colegas raramente ou às vezes nos 30 dias anteriores à pesquisa, e outros 6,5% disseram que isso ocorreu na maior parte do tempo ou sempre. No Brasil, os índices foram de 39,2% e 7,4%. É a dimensão da violência escolar que o projeto tenta reduzir no mesmo público que atende, antes que o problema chegue à delegacia.

Escolares do 9º ano que se sentiram humilhados por colegas, na Paraíba e no Brasil
ParaíbaBrasil
0,0 11,0 22,0 33,0 44,0 Paraíba, Raramente ou às vezes: 37,9% 37,9% Brasil, Raramente ou às vezes: 39,2% 39,2% Raramente ou às vezes Paraíba, Na maior parte do tempo ou sempre: 6,5% 6,5% Brasil, Na maior parte do tempo ou sempre: 7,4% 7,4% Na maior parte do tempo ou sempre
Fonte: IBGE, PeNSE 2015 (escolares do 9º ano), tabela 6052

Um ciclo que cresceu de abril a julho

O projeto começou em abril de 2026 na Escola Municipal Lourdes Ramalho e seguiu por outras unidades ao longo dos meses seguintes. Em junho, a Escola Municipal Roberto Simonsen, no bairro São José, recebeu a etapa que atendeu 266 estudantes. O ciclo se encerrou em julho na Escola Municipal Maria das Vitórias Pires Uchôa Queiroz, no bairro Cidades, quando o total acumulado passou de 1.700 alunos nas cinco escolas.

As etapas do ciclo Paz pela Paz na Escola em 2026. Fonte: Prefeitura de Campina Grande.
  1. Abr

    Início do projeto

    As palestras começam na Escola Municipal Lourdes Ramalho, primeira unidade do ciclo.

  2. Jun

    Escola Roberto Simonsen

    266 estudantes dos anos finais participam da etapa no bairro São José.

  3. Jul

    Encerramento do ciclo

    A Escola Maria das Vitórias fecha a rodada, que soma mais de 1.700 alunos em cinco escolas.

O ritmo mostra um projeto que se firmou ao longo do primeiro semestre e ganhou escala escola a escola. A continuidade em novas unidades depende do calendário das próximas etapas, ainda não divulgado pela Prefeitura, mas o desenho atual já dá a dimensão do alcance obtido em poucos meses. A presença regular da Guarda nas escolas também dialoga com a atuação da corporação em grandes eventos, como a operação do São João, duas frentes de um mesmo trabalho de aproximação com a população.

O que o balanço ainda não detalha

Os números divulgados medem o alcance do projeto, mas não trazem a lista completa das cinco escolas, a divisão de estudantes por unidade além do dado da Roberto Simonsen, nem indicadores de resultado, como a evolução de casos de indisciplina ou de violência nas turmas atendidas. Também não há detalhamento sobre o acompanhamento posterior às palestras. São informações que ajudariam a medir o efeito da iniciativa para além do número de alunos alcançados. O CG em Foco buscará junto à Guarda Civil Municipal e à Seduc o cronograma das próximas etapas e eventuais avaliações do projeto. Sem esses recortes, o número de estudantes alcançados diz quanta gente ouviu as palestras, mas ainda não permite afirmar o quanto elas mudaram o comportamento nas escolas. Medir esse efeito exigiria acompanhar as turmas ao longo do tempo, algo que só as próximas edições e uma avaliação estruturada poderão indicar.

VerificadoDados divulgados pela Prefeitura, referentes ao ciclo de abril a julho de 2026.

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