A Guarda Civil Municipal (GCM) de Campina Grande encerrou em julho de 2026 um ciclo do projeto Paz pela Paz na Escola que alcançou mais de 1.700 estudantes dos anos finais do ensino fundamental. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, passou por cinco escolas da rede municipal entre os meses de abril e julho, levando diretamente às salas de aula o tema da cultura de paz.
A proposta une segurança e educação em um mesmo trabalho: em vez de atuar apenas na resposta a ocorrências, a corporação leva à escola a conversa sobre prevenção da violência. O público são os anos finais, do 6º ao 9º ano, faixa em que temas como convivência, respeito e enfrentamento de abusos ganham peso crescente no cotidiano dos estudantes.
Fonte: Prefeitura de Campina Grande / Guarda Civil Municipal, 2026
Como funcionam as palestras
O formato foge da aula expositiva tradicional. As palestras são conduzidas de forma lúdica, com o uso de músicas, exemplos do dia a dia e a participação direta dos estudantes, que respondem, opinam e ajudam a construir a conversa. O coordenador da GCM que ministra os encontros usa instrumentos musicais para abrir o diálogo e aproximar o público de assuntos que costumam ser difíceis de tratar em sala.
Esse recurso tem uma função prática: ao transformar a palestra em uma atividade participativa, o projeto reduz a barreira entre o agente de segurança e o estudante e cria espaço para que temas sensíveis sejam discutidos sem constrangimento. As sessões acontecem em dias fixos da semana, pela manhã, dentro do calendário de cada unidade. É um trabalho de mediação mais do que de fiscalização, ligado ao investimento recente da cidade em equipamentos e estrutura para a Guarda.

A escolha da faixa dos anos finais não é casual. É nessa idade que crescem os conflitos entre colegas, as primeiras exposições a relações abusivas e o uso intenso das redes sociais, terreno em que o bullying se prolonga para fora da sala. Colocar um agente de segurança nesse ambiente, falando a mesma linguagem dos estudantes, é uma forma de construir confiança antes que um problema vire ocorrência policial. O projeto se apoia na ideia de que prevenir custa menos, em todos os sentidos, do que remediar.
Os temas do ciclo
O conteúdo das palestras vai além da convivência escolar e toca em formas graves de violência. Ao lado da empatia e do combate ao bullying, o ciclo abordou o feminicídio e a violência doméstica e familiar, assuntos que conectam a escola a um debate mais amplo de proteção, também presente em ações como o Agosto Lilás. Levar esses temas a adolescentes é uma aposta na prevenção pela informação, para que reconheçam sinais de abuso e saibam a quem recorrer.
| Tema | Foco da abordagem |
|---|---|
| Empatia na escola | Convivência e respeito no ambiente escolar |
| Bullying | Prevenção da violência entre estudantes |
| Feminicídio | Conscientização sobre a violência letal contra a mulher |
| Violência doméstica e familiar | Identificação e enfrentamento de abusos |
Fonte: Guarda Civil Municipal de Campina Grande, 2026
A escolha de tratar feminicídio e violência doméstica com estudantes dos anos finais parte da ideia de que a prevenção começa cedo. São temas que, fora da escola, muitas vezes só chegam ao noticiário quando o crime já aconteceu, e o projeto tenta antecipar essa conversa em um ambiente de confiança. Ao nomear o feminicídio e a violência doméstica diante de turmas inteiras, a palestra também sinaliza aos estudantes que essas situações têm nome, são crimes e podem ser denunciadas, o que ajuda a quebrar o silêncio que costuma cercar esses casos dentro de casa.
O foco no bullying tem respaldo em dado oficial sobre a mesma faixa etária. Na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2015, do IBGE, 37,9% dos estudantes do 9º ano na Paraíba relataram ter se sentido humilhados por provocações de colegas raramente ou às vezes nos 30 dias anteriores à pesquisa, e outros 6,5% disseram que isso ocorreu na maior parte do tempo ou sempre. No Brasil, os índices foram de 39,2% e 7,4%. É a dimensão da violência escolar que o projeto tenta reduzir no mesmo público que atende, antes que o problema chegue à delegacia.
Um ciclo que cresceu de abril a julho
O projeto começou em abril de 2026 na Escola Municipal Lourdes Ramalho e seguiu por outras unidades ao longo dos meses seguintes. Em junho, a Escola Municipal Roberto Simonsen, no bairro São José, recebeu a etapa que atendeu 266 estudantes. O ciclo se encerrou em julho na Escola Municipal Maria das Vitórias Pires Uchôa Queiroz, no bairro Cidades, quando o total acumulado passou de 1.700 alunos nas cinco escolas.
- Abr
Início do projeto
As palestras começam na Escola Municipal Lourdes Ramalho, primeira unidade do ciclo.
- Jun
Escola Roberto Simonsen
266 estudantes dos anos finais participam da etapa no bairro São José.
- Jul
Encerramento do ciclo
A Escola Maria das Vitórias fecha a rodada, que soma mais de 1.700 alunos em cinco escolas.
O ritmo mostra um projeto que se firmou ao longo do primeiro semestre e ganhou escala escola a escola. A continuidade em novas unidades depende do calendário das próximas etapas, ainda não divulgado pela Prefeitura, mas o desenho atual já dá a dimensão do alcance obtido em poucos meses. A presença regular da Guarda nas escolas também dialoga com a atuação da corporação em grandes eventos, como a operação do São João, duas frentes de um mesmo trabalho de aproximação com a população.
O que o balanço ainda não detalha
Os números divulgados medem o alcance do projeto, mas não trazem a lista completa das cinco escolas, a divisão de estudantes por unidade além do dado da Roberto Simonsen, nem indicadores de resultado, como a evolução de casos de indisciplina ou de violência nas turmas atendidas. Também não há detalhamento sobre o acompanhamento posterior às palestras. São informações que ajudariam a medir o efeito da iniciativa para além do número de alunos alcançados. O CG em Foco buscará junto à Guarda Civil Municipal e à Seduc o cronograma das próximas etapas e eventuais avaliações do projeto. Sem esses recortes, o número de estudantes alcançados diz quanta gente ouviu as palestras, mas ainda não permite afirmar o quanto elas mudaram o comportamento nas escolas. Medir esse efeito exigiria acompanhar as turmas ao longo do tempo, algo que só as próximas edições e uma avaliação estruturada poderão indicar.
VerificadoDados divulgados pela Prefeitura, referentes ao ciclo de abril a julho de 2026.
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