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Esquerda ou direita: quem tem mais força no mundo e no Brasil em 2026

Os números do Parlamento Europeu, dos governos sul-americanos e do primeiro turno brasileiro mostram a direita à frente. Mas há exceções relevantes, e o Brasil decide domingo.

O sol nasce sobre a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, com as torres e as cúpulas do Congresso Nacional ao fundo.
O Congresso Nacional ao amanhecer, em Brasília (arquivo). Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Em Brasília, em Bruxelas ou em Buenos Aires, a pergunta sobre qual campo tem mais força hoje, a esquerda ou a direita, não tem resposta num único número. Não existe um indicador oficial e atualizado que classifique todos os governos do mundo por ideologia. Mas três recortes com dados verificáveis apontam na mesma direção: a composição do Parlamento Europeu, a contagem dos governos sul-americanos e o primeiro turno da eleição brasileira de 2026. Nos três, a direita está à frente. Há, porém, exceções importantes, e o eleitor brasileiro dá a palavra final neste domingo (25), no segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Cadeiras no Parlamento Europeu eleito em 2024, por campo político
Centro-direita e direita: 375 cadeiras (52%)Esquerda e centro-esquerda: 235 cadeiras (33%)Liberais (Renew): 77 cadeiras (11%)Não inscritos: 33 cadeiras (5%) 720 cadeiras
  • Centro-direita e direita 375 cadeiras
  • Esquerda e centro-esquerda 235 cadeiras
  • Liberais (Renew) 77 cadeiras
  • Não inscritos 33 cadeiras
Fonte: Parlamento Europeu, resultados oficiais 2024-2029, julho de 2024

Europa: a direita soma maioria no Parlamento

No Parlamento Europeu, eleito em 2024 para o mandato até 2029, o maior grupo é o Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, com 188 das 720 cadeiras, segundo os resultados oficiais. Somado aos grupos à sua direita, os Patriotas pela Europa (84), os Conservadores e Reformistas (78) e a Europa das Nações Soberanas (25), o campo chega a 375 das 720 cadeiras, cerca de 52% do total.

Os grupos de centro-esquerda e esquerda, como os social-democratas, somam 235 cadeiras: os socialistas e democratas (136), os verdes (53) e A Esquerda (46). Os liberais do Renew, com 77 cadeiras, formam o fiel da balança. Eles costumam se aliar ao PPE e aos socialistas para formar maiorias. Esse arranjo de centro ainda é o que comanda a Comissão Europeia, o que mostra que maioria numérica da direita não significa, automaticamente, governo de direita. Para a conta do gráfico, a redação agrupou como direita os grupos PPE, Patriotas, Conservadores e Nações Soberanas e, como esquerda, os socialistas, os verdes e A Esquerda. Liberais e não inscritos ficaram à parte, por não se encaixarem em nenhum dos dois blocos de forma clara.

Cadeiras por grupo político no Parlamento Europeu (2024-2029)
Cadeiras por grupo político no Parlamento Europeu (2024-2029). PPE (centro-direita): 188; Socialistas e Democratas: 136; Patriotas pela Europa: 84; Conservadores e Reformistas: 78; Renew (liberais): 77; Verdes: 53; A Esquerda: 46; Não inscritos: 33; Europa das Nações Soberanas: 25. Fonte: Parlamento Europeu, resultados oficiais, julho de 2024. PPE (centro-direita) 188 Socialistas e Democratas 136 Patriotas pela Europa 84 Conservadores e Reformistas 78 Renew (liberais) 77 Verdes 53 A Esquerda 46 Não inscritos 33 Europa das Nações Soberanas 25

Fonte: Parlamento Europeu, resultados oficiais, julho de 2024

Fora da União Europeia, eleições recentes também favoreceram a direita em grandes economias. Nos Estados Unidos, o republicano Donald Trump voltou à Presidência em 2025. No Japão, o Partido Liberal Democrata, de Sanae Takaichi, venceu a eleição antecipada de fevereiro de 2026 e ampliou sua maioria na câmara baixa, segundo a Al Jazeera e o instituto International IDEA. O avanço conservador aparece em países com sistemas políticos e modelos econômicos muito diferentes, num movimento que a imprensa internacional costuma chamar de onda conservadora.

As exceções: onde a esquerda e o centro venceram

A tendência não é uniforme, e o cenário político entre direita e esquerda depende do país. No México, Claudia Sheinbaum, do Morena, foi eleita em 2024 com ampla vantagem, e no Uruguai a Frente Ampla voltou ao poder com Yamandú Orsi no mesmo ano. Na Holanda, o partido centrista D66 venceu a eleição de outubro de 2025, com recuo da extrema direita, segundo a Al Jazeera. Em Portugal, o socialista António José Seguro derrotou André Ventura, do Chega, na eleição presidencial de fevereiro de 2026, segundo o jornal South China Morning Post.

Plenário lotado durante sessão do Congresso Nacional, em Brasília, com parlamentares de pé diante da Mesa.
Sessão do Congresso Nacional em Brasília, em novembro de 2025. Lula Marques / Agência Brasil

América do Sul: a onda rosa virou

Em 2022, quando Lula venceu Jair Bolsonaro, a onda rosa estava no auge: a esquerda governava a maior parte dos países sul-americanos, entre eles Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Bolívia, como registrou a revista Foreign Policy na época. Quatro anos depois, o quadro se inverteu. Entre os países latino-americanos, o avanço da direita é nítido. Pela contagem dos governos em exercício em outubro de 2026, sete países são governados pela direita ou pela centro-direita: Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Equador, Paraguai e Bolívia.

Restam três governos de esquerda na América do Sul, e a esquerda na América Latina tem hoje menos presidentes do que a direita: o Brasil de Lula, o Uruguai de Orsi e a Venezuela, governada interinamente pela chavista Delcy Rodríguez desde a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro de 2026. O Brasil tem hoje o maior governo de esquerda da região. Segundo a Reuters, Lula chega ao segundo turno carregando as esperanças de uma esquerda latino-americana em retração.

O primeiro turno presidencial no Brasil, por campo
45,16% Lula (PT) votos válidos no primeiro turno
47,03% Flávio Bolsonaro (PL) votos válidos no primeiro turno
7,6% 3º ao 5º colocados Cury, Renan Santos, Caiado e Zema, somados

Fonte: TSE (votos) e NPR (classificação dos candidatos), outubro de 2026

Brasil: um país dividido ao meio

No primeiro turno de 4 de outubro, Lula teve 45,16% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro, 47,03%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os candidatos que ficaram do terceiro ao quinto lugar, descritos pela NPR como de direita, somaram cerca de 7,6%. Pela soma simples, os candidatos de direita reuniram mais da metade dos votos válidos, e a NPR registrou ganhos expressivos do campo no Congresso, sobretudo no Senado.

Vista do alto do plenário azul do Senado Federal, em Brasília, com senadores nas bancadas e a Mesa ao fundo.
O plenário do Senado Federal, em Brasília, durante sessão em 2025. Lula Marques / Agência Brasil

A soma, no entanto, não define o segundo turno. Eleitores de candidatos derrotados não seguem automaticamente a orientação de seus líderes, e a abstenção de 21,08% no primeiro turno, cerca de 33,4 milhões de pessoas, é maior do que a diferença entre os dois finalistas. As pesquisas da última semana, do Datafolha e da AtlasIntel, mostram empate técnico entre os dois candidatos dentro da margem de erro. Veja também como a guinada à direita muda a América Latina, o resultado do primeiro turno por estado e o que dizem as pesquisas finais.

Qualquer que seja o resultado, o próximo presidente vai governar com o Congresso Nacional eleito em 4 de outubro, que toma posse em fevereiro de 2027, em Brasília. É ali que se decidem as reformas e as mudanças constitucionais prometidas pelos dois candidatos, que exigem três quintos dos votos na Câmara e no Senado. Por isso, a correlação de forças entre esquerda e direita no Parlamento pesa tanto quanto o nome do vencedor. Um presidente de esquerda com Congresso de maioria conservadora, ou o contrário, precisa negociar cada votação importante, como ocorreu nos últimos anos.

Fonte oficialCadeiras do Parlamento Europeu e votos do TSE; contagem regional feita pela redação.

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