A taxa de desocupação do Brasil ficou em 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor resultado para o período desde o início da série, em 2012. O dado foi divulgado na sexta-feira, 30 de outubro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, e se refere ao trimestre de julho a setembro, segundo a Agência Brasil. A taxa era de 5,4% no segundo trimestre e de 5,6% no mesmo período de 2025.
Menos desocupados, mais gente trabalhando
O número de pessoas desocupadas chegou a 5,6 milhões no trimestre, de acordo com a Agência Brasil. Isso representa uma queda de 4%, ou 234 mil pessoas a menos, em relação ao segundo trimestre, quando eram 5,9 milhões. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, quando havia 6 milhões de desocupados, a redução foi de 417 mil pessoas, ou 6,9%.
A sequência mostra queda contínua da taxa nas duas comparações que o IBGE usa: contra o trimestre imediatamente anterior, a redução foi de 0,2 ponto percentual, e contra o mesmo trimestre de 2025, de 0,4 ponto percentual. Em números absolutos, o país terminou setembro com menos desocupados do que em junho e do que em setembro do ano passado, de acordo com os dados publicados pela Agência Brasil.
Na outra ponta, a população ocupada somou 103,6 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica da pesquisa. O aumento foi de 0,6% sobre o trimestre anterior, o equivalente a 581 mil pessoas, e de 1,2% sobre o mesmo período do ano passado, o que corresponde a 1,2 milhão de trabalhadores a mais, segundo os dados do IBGE publicados pela Agência Brasil.

O nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas em idade de trabalhar que estão de fato trabalhando, ficou em 59%, também recorde. O indicador subiu 0,2 ponto percentual em relação ao segundo trimestre, quando estava em 58,8%, e ficou estável na comparação com o terceiro trimestre de 2025, quando marcava 58,7%.
A desocupação, no conceito usado pelo IBGE, considera quem não está trabalhando mas procurou emprego e estava disponível para começar. Quem não procura vaga não entra na conta dos desocupados. Por isso a taxa pode cair tanto porque mais pessoas conseguem trabalho quanto porque menos pessoas procuram. Neste trimestre, a queda veio junto com o aumento recorde da população ocupada.
| Indicador | 3º tri 2025 | 2º tri 2026 | 3º tri 2026 |
|---|---|---|---|
| Taxa de desocupação | 5,6% | 5,4% | 5,2% |
| Desocupados | 6 milhões | 5,9 milhões | 5,6 milhões |
| Nível de ocupação | 58,7% | 58,8% | 59% |
| Taxa de informalidade | 37,8% | 37,4% | 37,5% |
| Informais | 38,7 milhões | 38,6 milhões | 38,8 milhões |
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil (30/10/2026)
Informalidade estável
A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o que corresponde a 38,8 milhões de trabalhadores, segundo a Agência Brasil. No segundo trimestre, a taxa era de 37,4%, com 38,6 milhões de informais. No terceiro trimestre de 2025, era de 37,8%, com 38,7 milhões. Na prática, o número de informais variou pouco, enquanto a ocupação total cresceu.
São considerados trabalhadores informais pelo IBGE, entre outros, os empregados do setor privado e os trabalhadores domésticos sem carteira assinada, os empregadores e os trabalhadores por conta própria sem CNPJ e quem ajuda em negócio da família sem receber remuneração. O grupo inclui atividades que vão do comércio de rua ao trabalho por aplicativo.

Renda e massa salarial
O rendimento médio real, que desconta a inflação, ficou em R$ 3.790 por mês no trimestre, de acordo com a Agência Brasil. O valor ficou estável em relação ao segundo trimestre e subiu 3,6% na comparação com o mesmo período de 2025, uma alta de R$ 131.
A massa de rendimento, que soma o que todos os trabalhadores ocupados recebem, chegou a R$ 387,5 bilhões, o maior valor da série histórica. O total cresceu 1,5% sobre o trimestre anterior, o equivalente a R$ 5,6 bilhões, e 4,7% sobre o terceiro trimestre de 2025, ou R$ 17,5 bilhões a mais. A combinação de mais gente trabalhando com renda média maior que a de um ano antes explica o recorde da massa, segundo os números divulgados.
A série histórica da PNAD Contínua começa em 2012, o que permite comparar cada trimestre com o mesmo período dos anos anteriores e evitar distorções sazonais, como as contratações temporárias de fim de ano. É por isso que o IBGE destaca que o resultado é o menor para um terceiro trimestre, e não apenas o menor de todos os trimestres. Outros indicadores da economia estão na editoria de economia, e o noticiário nacional, em Brasil.
Para o trabalhador da Paraíba, os números divulgados pela Agência Brasil se referem ao país como um todo. O IBGE publica na PNAD Contínua trimestral os resultados por estado, mas a matéria sobre esta divulgação não traz o recorte paraibano, e por isso este texto não apresenta um número para o estado. O emprego com carteira assinada em Campina Grande é acompanhado mês a mês pelo Novo Caged, do Ministério do Trabalho, que mede outra coisa: o saldo entre admissões e desligamentos no emprego formal, e não a taxa de desocupação de toda a população. As duas pesquisas usam métodos diferentes e não devem ser comparadas diretamente: a PNAD ouve domicílios e inclui trabalhadores informais, enquanto o Caged registra apenas vínculos formais informados pelas empresas.
Fonte oficialDados da PNAD Contínua do IBGE, via Agência Brasil.
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