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Vestido de Mãe Bernadete é doado ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro

O filho da ialorixá quilombola entregou ao museu um vestido branco com detalhes em azul, durante a 3ª edição do Diálogos da Reconstrução, segundo a Agência Brasil.

Grupo de pessoas reunidas em um salão, ao lado de um vestido branco com detalhes em azul exposto em um suporte.
Cerimônia de doação da indumentária de Mãe Bernadete ao Museu Nacional. Felipe Cohen / Projeto Museu Nacional Vive

O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, recebeu uma peça de uso pessoal de Mãe Bernadete, ialorixá e líder da comunidade quilombola Pitanga de Palmares, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador (BA). Segundo a Agência Brasil, trata-se de um vestido branco com detalhes azuis, doado pelo filho dela, o professor Jurandy Pacífico dos Santos, durante a 3ª edição do Diálogos da Reconstrução, realizada nesta semana no bairro de São Cristóvão.

De acordo com a Agência Brasil, o museu consultou Jurandy sobre a possibilidade da doação. Ele aceitou e escolheu a peça, que, segundo o relato, considera mais do que uma roupa: parte da identidade, da espiritualidade e da memória da família e da comunidade. Gestor cultural e líder do Quilombo Pitanga de Palmares, ele assinou o termo de doação durante a cerimônia. Em texto citado pela agência, Jurandy escreveu que a memória de Mãe Bernadete permanece viva porque o legado dela continua. Ele também lembrou o histórico de falta de reconhecimento do povo quilombola pelo sistema, segundo a reportagem.

Escadaria interna de um palácio com andaimes metálicos montados nas paredes, durante obra de restauro.
O Paço de São Cristóvão em obras, em abril de 2025 (arquivo). Tomaz Silva / Agência Brasil

“A doação da indumentária não é apenas a doação de um objeto”, disse Jurandy, segundo a Agência Brasil. Ele afirmou que a peça representa a ancestralidade e a dedicação da mãe, a quem atribui 72 anos de defesa dos direitos humanos, dos quilombos e do território. “Estamos compartilhando com o Brasil e com o mundo um pedaço da nossa história”, declarou. Mãe Bernadete morreu em agosto de 2023, informou a agência.

O que é o Diálogos da Reconstrução

O Diálogos da Reconstrução chegou à 3ª edição com o tema Memórias, Saberes e Patrimônios Quilombolas no Museu Nacional. Segundo a Agência Brasil, a proposta foi reunir lideranças quilombolas de diferentes regiões para discutir a preservação da memória, a produção cultural e a transmissão de conhecimentos. O evento foi realizado com o Projeto Museu Nacional Vive, a Unesco, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Cultural Vale, e teve transmissão ao vivo pelo canal do museu no YouTube.

Participaram da cerimônia, conforme as legendas da Agência Brasil, a vice-diretora do Museu Nacional/UFRJ, Juliana Sayão, a diretora do Instituto Cultural Vale, Luciana Gondim, e a presidente da Associação de Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro (Acquilerj), Bia Nunes. A programação incluiu um debate sobre mulheres na luta pela terra, com Selma dos Santos Dealdina Mbaye, coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq.

Para a diretora de Integração Museu e Sociedade, Thais Mayumi Pinheiro, a iniciativa busca “reforçar o compromisso da instituição com a construção de um museu plural e democrático”, segundo a Agência Brasil. O gestor das novas exposições do Projeto Museu Nacional Vive, Caio Gonçalves Dias, afirmou que o papel do museu é “criar condições para que esses saberes sejam reconhecidos, respeitados e apresentados”. A instituição diz que o objetivo é preservar as práticas quilombolas como patrimônios vivos.

Marcos do Museu Nacional, segundo a Agência Brasil.
  1. 1818

    Criação

    D. João VI cria o museu, que funciona no Campo de Santana.

  2. 1892

    Paço de São Cristóvão

    O museu passa a ocupar o palácio na Quinta da Boa Vista.

  3. 2 de setembro de 2018

    Incêndio

    O fogo atinge o palácio e a maior parte do acervo.

  4. Agosto de 2024

    Espaço provisório

    O museu inaugura local para receber alunos de escolas.

  5. Abril de 2025

    Novo aporte

    O BNDES anuncia mais R$ 50 milhões para a obra.

  6. Outubro de 2026

    Doação

    O museu recebe a indumentária de Mãe Bernadete.

A reconstrução do acervo

A doação ocorre no processo de recomposição do acervo do museu, atingido por um incêndio na noite de 2 de setembro de 2018. Segundo reportagem da Agência Brasil de abril de 2025, a instituição perdeu cerca de 85% do acervo, que reunia mais de 20 milhões de itens. Em setembro de 2024, a agência informou que o museu precisava de cerca de 10 mil peças doadas para as novas exposições e já tinha obtido 1.815. A mesma reportagem informou que as obras emergenciais foram de setembro de 2018 a agosto de 2019 e que os trabalhos de fachada e telhado começaram em novembro de 2021.

O acervo do Museu Nacional em números, segundo a Agência Brasil.
20 milhões itens no acervo antes do incêndio de 2018 (Agência Brasil, abril de 2025)
cerca de 85% do acervo perdido no incêndio de 2 de setembro de 2018 (Agência Brasil, abril de 2025)
1.815 peças doadas de cerca de 10 mil necessárias, em setembro de 2024 (Agência Brasil)

O financiamento da obra também foi detalhado pela Agência Brasil em abril de 2025, quando o BNDES anunciou mais R$ 50 milhões não reembolsáveis. Na ocasião, o orçamento da restauração era de R$ 516 milhões, dos quais R$ 347 milhões já tinham sido captados. Os recursos foram destinados ao restauro do Paço de São Cristóvão, à readequação do prédio da Biblioteca Central e a ações de divulgação do museu.

Orçamento da restauração do Museu Nacional em abril de 2025, em milhões de reais.
Orçamento total 516 mi
Valor já captado 347 mi
Restante a captar 170 mi
Total aportado pelo BNDES 100 mi

Fonte: Agência Brasil, 2 de abril de 2025

Segundo a mesma reportagem, o BNDES somou R$ 100 milhões ao projeto com três operações: R$ 21,7 milhões em 2018, R$ 28,3 milhões em 2020 e R$ 50 milhões em 2025. A previsão divulgada era de entrega parcial em 2026 e conclusão total da obra em 2028. O diretor-presidente do Instituto Cultural Vale, Hugo Barreto, que representa o comitê executivo do Projeto Museu Nacional Vive, afirmou na época que o aporte garantia a continuidade das obras sem risco de atraso. O banco informou que buscava parceiros para criar um fundo patrimonial de longo prazo para o museu, independente do orçamento da União.

Uma instituição de 1818

O Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio, abriga o museu desde 1892, segundo a Agência Brasil. A instituição foi criada em 1818 por D. João VI e funcionava no Campo de Santana. O palácio foi residência da família imperial de 1808 a 1889 e sediou a Assembleia Constituinte de 1891. O museu integra o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.

Fachada amarela de um palácio diante de um jardim com estátua e palmeiras, sob céu nublado.
Fachada do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em 2023 (arquivo). Tomaz Silva / Agência Brasil

Em agosto de 2024, a Agência Brasil registrou a inauguração de um espaço provisório para receber alunos de escolas, depois de seis anos sem local permanente de visitação. O espaço abriu com a exposição Um Museu de Descobertas, segundo a agência. Outras notícias de memória e patrimônio estão em cultura e, no noticiário nacional, em Brasil. A doação da indumentária de Mãe Bernadete passa a integrar o acervo que o museu reúne para as novas exposições, segundo a agência.

Fonte oficialInformações do Museu Nacional/UFRJ, via Agência Brasil.

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