Campina Grande foi reconhecida pela segunda vez pelo programa internacional Tree Cities of the World, que certifica cidades comprometidas com o cuidado das árvores urbanas, segundo a Prefeitura, em anúncio de 25 de março de 2026. A cidade recebeu o selo em 2024 e 2025, o que soma dois anos consecutivos na lista do programa.
Programa internacional conduzido pela Arbor Day Foundation, em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que reconhece cidades comprometidas com a gestão e o cuidado das árvores urbanas.
O reconhecimento chega junto de um retrato nacional do programa. Ainda de acordo com a Prefeitura, 51 cidades no Brasil foram certificadas na edição divulgada, um conjunto que reúne 1,4 milhão de árvores plantadas e alcança cerca de 39,6 milhões de pessoas nos municípios reconhecidos. Esses números descrevem o panorama brasileiro somado, e não o desempenho isolado de Campina Grande. A distinção importa para a leitura correta do resultado: o total de árvores citado pertence ao país, e o mérito da cidade está em ter cumprido os requisitos que a mantêm dentro dessa lista pelo segundo ano. Colocar Campina Grande nesse grupo, ao lado de dezenas de outros municípios, dá dimensão de escala ao que costuma ser tratado como pauta local.
Fonte: Prefeitura de Campina Grande, mar. 2026
O que o selo reconhece
O Tree Cities of the World funciona como uma certificação para governos locais que tratam a arborização urbana como política permanente, e não como ação pontual. O foco recai sobre a forma como a cidade planeja, cuida e amplia sua cobertura verde, do plantio de mudas à manutenção de praças e canteiros. Por isso, mais do que celebrar o número de árvores, o programa observa a existência de uma rotina de gestão dedicada ao verde da cidade. A lógica premia constância: não basta um plantio de grande porte em um único ano, é preciso demonstrar que existe estrutura para cuidar do que foi plantado e para seguir ampliando as áreas verdes ao longo do tempo. Esse desenho torna a repetição do selo um sinal mais forte do que a estreia, porque exige que a cidade sustente o padrão de um ano para o outro.
Os cinco critérios oficiais
O selo não é concedido por autodeclaração. Segundo o site oficial do programa, mantido pela Arbor Day Foundation, toda cidade certificada precisa comprovar, no ano de referência, cinco padrões de reconhecimento definidos internacionalmente. O primeiro é estabelecer responsabilidade formal: a cidade precisa de uma declaração escrita das lideranças municipais delegando a um setor ou conselho a responsabilidade pelo cuidado das árvores. O segundo é ter regras em vigor, ou seja, uma lei ou política oficial que regule a gestão de árvores e florestas urbanas, incluindo boas práticas e penalidades para o descumprimento. O terceiro padrão é conhecer o que existe: manter um inventário ou avaliação atualizada do patrimônio arbóreo local, base para o planejamento de longo prazo. O quarto é destinar recursos, com orçamento anual dedicado à execução rotineira do plano de manejo das árvores. O quinto e último padrão é celebrar as conquistas, com uma celebração anual das árvores que amplie a consciência da população e reconheça quem contribui para o programa.
| Padrão | O que exige |
|---|---|
| Responsabilidade | Declaração formal que delega a um setor ou conselho o cuidado das árvores |
| Regras em vigor | Lei ou política municipal que regule a gestão de árvores e florestas urbanas |
| Inventário atualizado | Avaliação do patrimônio arbóreo local para embasar o planejamento |
| Orçamento dedicado | Recurso anual destinado à execução do plano de manejo das árvores |
| Celebração anual | Evento anual que reconhece o trabalho e engaja a população |
Fonte: Tree Cities of the World / Arbor Day Foundation, padrões de reconhecimento.
A Prefeitura de Campina Grande não detalhou, em seu comunicado, como cada um desses cinco padrões foi comprovado localmente, nem qual órgão avaliador conferiu a documentação enviada pela gestão municipal. O que o anúncio confirma é o resultado, a manutenção do selo por dois ciclos seguidos, e não o passo a passo da avaliação técnica.
Para Campina Grande, repetir a certificação sinaliza continuidade. Manter o selo por dois anos seguidos indica que o reconhecimento de 2024 não foi episódio isolado, e sim parte de um trabalho que se estendeu ao ano seguinte, cumprindo de novo os cinco padrões do programa. A gestão associa o resultado a frentes de arborização, cuidado dos espaços públicos e educação ambiental, temas que aparecem com frequência no discurso da secretaria responsável pela área e que dialogam diretamente com os padrões de regras, plantio e celebração previstos pelo programa. Renovar o selo depende de a cidade manter, de um ciclo para o outro, o conjunto de práticas que o programa avalia, o que reduz a chance de o reconhecimento virar conquista de uma única temporada.

A conquista dialoga com outras iniciativas ambientais acompanhadas ao longo do ano na cidade, como o esforço de reciclagem no período junino e os mutirões de limpeza em canais e bairros, que compõem o mesmo campo de atuação sobre o ambiente urbano. Em conjunto, essas frentes ajudam a explicar por que a cidade voltou a aparecer na lista.
- 2024
Primeiro reconhecimento
Campina Grande recebe o selo Tree Cities of the World pela primeira vez.
- 2025
Selo mantido
A cidade é certificada de novo, no segundo ano consecutivo do programa.
- 25/03/2026
Anúncio da Prefeitura
A gestão divulga o reconhecimento e o panorama nacional de 51 cidades.
A leitura da gestão
À frente da pasta que cuida do tema, o secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma), Dorgival Vilar, tratou o resultado como sinal de continuidade das políticas ambientais da cidade. Segundo ele, o selo confirma uma linha de trabalho voltada ao verde urbano e à preservação dos espaços públicos.
O secretário associou ainda o reconhecimento a um trabalho coletivo e ao compromisso de tornar a cidade cada vez mais verde e sustentável. A fala posiciona o selo menos como troféu e mais como estímulo para dar sequência às ações de arborização urbana já em curso, dentro de uma agenda que a gestão descreve como permanente. Ao enquadrar a conquista como esforço compartilhado, a secretaria sugere que o cuidado com o verde não se resume ao plantio institucional, mas depende também da participação dos moradores na conservação de praças, canteiros e árvores de calçada espalhados pelos bairros.

Por que a arborização pesa
O interesse por certificações como essa vai além do simbólico. A cobertura verde influencia diretamente a qualidade de vida nas cidades, com efeito sobre temperatura, sombreamento, drenagem da água da chuva e bem-estar de quem circula pelas ruas. Em uma região marcada por calor e escassez hídrica, o cuidado com árvores e áreas verdes ganha peso prático, e não apenas estético. Árvores bem distribuídas ajudam a reduzir a sensação térmica em dias quentes, protegem calçadas e fachadas do sol direto e favorecem a permanência das pessoas em espaços públicos. Em ruas e praças arborizadas, o pedestre encontra sombra, o solo absorve melhor a água das chuvas e o ambiente fica menos hostil nos períodos mais secos do ano, quando o clima do semiárido pesa sobre a rotina da cidade. É justamente esse tipo de efeito prático que os cinco padrões do Tree Cities of the World tentam capturar, ao exigir planejamento, orçamento e inventário, e não apenas boa vontade pontual. Na prática, isso significa gestão do verde com estrutura permanente, plantio e manutenção contínuos de praças e canteiros, e educação ambiental que envolva a população, as três frentes que a própria Sesuma associa ao resultado.
Assim, aparecer duas vezes seguidas na lista posiciona Campina Grande ao lado de outras cidades brasileiras que passaram a tratar o verde como parte da infraestrutura urbana. O reconhecimento também conversa com indicadores mais amplos de bem-estar acompanhados na cidade, como o resultado no Índice de Progresso Social, que mede o quanto as políticas públicas chegam de fato ao morador.
O que ainda não foi divulgado
O balanço da Prefeitura confirma a certificação, mas deixa lacunas relevantes para dimensionar o esforço local. Não foi informado o número de árvores plantadas especificamente em Campina Grande, já que o dado de 1,4 milhão se refere ao conjunto das 51 cidades brasileiras. Também não foram detalhados, pela gestão municipal, os documentos específicos apresentados para comprovar cada um dos cinco padrões oficiais do programa, nem a posição da cidade dentro da lista nacional. Ficou de fora, ainda, a área verde total do município em números atualizados, indicador que permitiria comparar a evolução ano a ano. O dado firme, por ora, é a permanência na lista: com o reconhecimento em 2024 e 2025, Campina Grande soma dois anos consecutivos em um programa internacional que avalia o cuidado das cidades com suas árvores a partir de critérios técnicos definidos pela Arbor Day Foundation e pela FAO. Acompanhar a abertura desses números nas próximas edições é o que permitirá transformar o selo em diagnóstico útil sobre onde a cidade avança e onde ainda precisa plantar mais.
Fonte oficialApurado em comunicado da Prefeitura e nos critérios do Tree Cities of the World.
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