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Açude de Boqueirão está com 49,7% da capacidade e abastece Campina Grande

Principal manancial de Campina Grande, o Açude Epitácio Pessoa opera com pouco menos da metade do volume. Dados da Agência Nacional de Águas mostram a situação hídrica da cidade e da Paraíba.

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O Açude Epitácio Pessoa, conhecido como Açude de Boqueirão, principal fonte de abastecimento de água de Campina Grande, está com 49,7% da capacidade total, segundo dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) atualizados em 6 de julho de 2026.

Em números absolutos, o reservatório acumula 231,71 hectômetros cúbicos de água, de uma capacidade total de 466,53 hectômetros cúbicos — o equivalente a pouco menos da metade do volume que a estrutura comporta.

O manancial que abastece a Rainha da Borborema

Localizado no município de Boqueirão, a cerca de 40 quilômetros de Campina Grande, o Açude Epitácio Pessoa é o coração do sistema de abastecimento da segunda maior cidade da Paraíba. Construído no leito do rio Paraíba, o reservatório atende, além de Campina Grande, diversos municípios do Cariri e do Agreste paraibano.

A capacidade de 466,53 hm³ faz do Epitácio Pessoa o quarto maior reservatório monitorado da Paraíba em volume total, atrás apenas do complexo de Coremas (Curema e Mãe d’Água) e à frente de dezenas de outros açudes.

Como Boqueirão se compara aos demais açudes da Paraíba

A ANA monitora atualmente 126 reservatórios no estado. O percentual de 49,7% coloca Boqueirão em situação intermediária no comparativo estadual, conforme os dados mais recentes:

  • Açude de Acauã (Itatuba): 85,3% da capacidade
  • Engenheiro Ávidos (Cajazeiras): 58,8%
  • Epitácio Pessoa / Boqueirão (Boqueirão): 49,7%
  • Mãe d’Água (Coremas): 48,0%
  • Curema (Coremas): 47,8%

Os números mostram um cenário desigual entre as bacias paraibanas, com açudes do Litoral e do Brejo em situação mais confortável do que os do Cariri e do Sertão.

Um histórico marcado pela seca

O Açude de Boqueirão carrega na memória de Campina Grande episódios severos de crise hídrica. Entre 2015 e 2017, o reservatório chegou a operar com menos de 3% do volume, o que levou a cidade a um dos mais duros períodos de racionamento de sua história, com abastecimento em rodízio e a captação em regime de emergência.

A recuperação dos anos seguintes, impulsionada por chuvas e pela chegada de águas da transposição do rio São Francisco ao sistema paraibano, afastou o cenário de colapso. Ainda assim, o monitoramento constante permanece essencial em uma região marcada pela irregularidade das chuvas.

O que o número significa para o cidadão

Um reservatório em torno da metade da capacidade não representa, isoladamente, situação de emergência. O acompanhamento contínuo do volume, no entanto, é o principal indicador antecipado de segurança hídrica para a população e para as atividades econômicas que dependem da água do manancial.

Os dados de volume dos açudes são atualizados periodicamente pela ANA e podem ser consultados publicamente no Sistema de Acompanhamento de Reservatórios. O CG em Foco acompanhará a evolução do nível do Boqueirão ao longo do ano.

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