· Campina Grande
CG em Foco

Poder

STJ restabelece reabilitação obrigatória de condenados por violência doméstica

A 6ª Turma do STJ restabeleceu a obrigatoriedade de condenados por violência doméstica participarem de grupos reflexivos de reeducação, com base na Lei Maria da Penha.

Mulheres em ato contra o feminicídio e a violência contra a mulher
Ato do Levante Mulheres Vivas contra o feminicídio e a violência contra a mulher (arquivo, dez/2025). Marcelo Camargo/Agência Brasil (CC BY 3.0, via Agência Brasil)
Hostinger — Domínio, SSL e e-mail inclusosPublicidade

A 6ª Turma do STJ restabelece obrigatoriedade de participação de condenados por violência doméstica em grupos reflexivos de reeducação. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira (19) pela Agência Brasil, a partir de caso levado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) ao Superior Tribunal de Justiça. O relator é o ministro Rogério Schietti Cruz.

A decisão em três marcos
Turma do STJ colegiado que restabeleceu a medida educativa
2006 Lei Maria da Penha base legal citada pelo Ministério Público
78% Mulheres ouvidas dizem já ter sofrido ao menos um tipo de violência

Fonte: STJ/Agência Brasil (19/9/2026); Patrícia Galvão e Locomotiva (16/9/2026)

O que muda, na leitura da peça oficial, é a resposta penal ao agressor condenado. Em vez de encerrar a consequência no aspecto retributivo da pena, o Poder Judiciário passa a exigir também a participação em programas de reeducação e em espaços de reflexão. Segundo o MP-RJ, a exigência tem base na Lei Maria da Penha, que já prevê a participação de agressores em grupos reflexivos como parte da resposta ao crime.

Quem é quem na decisão do STJ
Campo Detalhe
Tribunal 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça
Relator Ministro Rogério Schietti Cruz
Requerente Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro
Base legal citada Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006)
Medida Participação obrigatória em grupos reflexivos e reeducação

Fonte: Agência Brasil e Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha)

O que a decisão diz sobre a pena

Em declaração reproduzida pela Agência Brasil, o ministro Rogério Schietti Cruz avalia que a exigência educativa procura ir além da punição seca. “A medida visa transcender o caráter meramente retributivo da sanção e promover espaços de diálogo e reflexão que conduzam à responsabilização do agressor e à efetiva readequação comportamental, com o escopo precípuo de coibir a reiteração delitiva”, disse. O trecho divulgado não cita prazo nem detalhes de execução.

Na prática, o STJ confirma uma etapa que o Ministério Público do Rio de Janeiro descreve como já prevista em lei. A expressão usada na peça oficial é clara: trata-se de grupos reflexivos e programas de reeducação, e não de curso livre ou medida facultativa. A execução fica a cargo dos órgãos da execução penal e da rede de enfrentamento à violência nos estados, que já operam essas frentes em graus diferentes.

Cartaz em manifestação com a frase pelo fim da violência contra a mulher
Mulheres em manifestação pelo fim da violência contra a mulher (arquivo). Fernando Frazão/Agência Brasil (CC BY 3.0, via Agência Brasil)

Por que a Lei Maria da Penha entra na leitura

A Lei Maria da Penha é a Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, e cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, em consonância com o § 8º do art. 226 da Constituição Federal. O art. 7º lista formas de violência, entre elas a física, a psicológica, a sexual, a patrimonial e a moral. Entre as diretrizes do art. 8º está a integração operacional entre Poder Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública com as áreas de segurança, saúde, educação e assistência social, além de campanhas educativas de prevenção. É a esse desenho legal que o MP-RJ liga a exigência de reeducação do condenado.

Vale registrar o limite factual da notícia. A peça da Agência Brasil não informa o número do processo, a data exata do julgamento nem se a tese alcançará, automaticamente, todos os condenados do país. O que está documentado é a decisão em favor do pedido do MP-RJ e a leitura de que a resposta penal em crimes de violência de gênero deve contemplar medidas educativas e preventivas, além da punição.

Mulheres em ato pelo fim da violência contra a mulher, com cartaz juntas mais fortes
Ato pelo fim da violência contra as mulheres (arquivo). Rovena Rosa/Agência Brasil (CC BY 3.0, via Agência Brasil)

O ciclo da violência, segundo o Ministério Público

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, a participação obrigatória em grupos reflexivos tem como finalidade reduzir a reincidência da violência doméstica e fortalecer a proteção às vítimas. A medida é descrita como ação pedagógica voltada ao autor da agressão, para romper o ciclo por meio da reflexão sobre comportamentos. O foco declarado é a responsabilização do agressor e a adequação comportamental, no vocabulário do ministro relator, e não um curso de reciclagem genérico.

O cenário em que a medida se insere aparece em pesquisa recente. Em 16 de setembro, a Agência Brasil publicou o estudo Segurança das Mulheres, dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, que ouviu 1,5 mil pessoas de 16 anos ou mais entre 22 e 30 de abril de 2026, com margem de erro de 2,8 pontos. Entre as entrevistadas, 78% já sofreram ao menos um tipo de violência, 98% adotam estratégias para reduzir riscos no dia a dia e seis em cada dez temem a violência doméstica. A pesquisa não mede a eficácia da decisão do STJ; descreve o pano de fundo.

O que dizem as mulheres ouvidas na pesquisa (2026)
Adotam estratégias de proteção 98 %
Já sofreram algum tipo de violência 78 %
Temem a violência doméstica 60 %

Fonte: Patrícia Galvão e Locomotiva, abril de 2026 (via Agência Brasil)

A rede de enfrentamento em movimento

A decisão entra num mês de ações oficiais. Em 31 de agosto, a Agência Brasil informou que ao menos 7,5 mil agentes de segurança pública, das 27 capitais e de 81 cidades do interior, participariam de dia de capacitação para atendimento de mulheres vítimas de violência. Em 11 de setembro, a mesma agência registrou que plataformas digitais teriam prazo sugerido de 15 dias para informar ao governo como funcionam seus canais de denúncia, medida que pretende qualificar o atendimento do Ligue 180.

Cronologia confirmada nas fontes oficiais
  1. 07/08/2006

    Lei Maria da Penha

    É publicada a Lei nº 11.340, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

  2. 31/08/2026

    Capacitação de agentes

    Agência Brasil informa que 7,5 mil agentes de segurança pública participariam de dia de capacitação para atender vítimas.

  3. 11/09/2026

    Canais de denúncia

    Governo pede a plataformas digitais informações sobre fluxos de denúncia para qualificar o Ligue 180.

  4. 16/09/2026

    Pesquisa de percepção

    Patrícia Galvão e Locomotiva publicam que 98% das mulheres adotam estratégias para reduzir riscos de violência.

  5. 19/09/2026

    Decisão do STJ

    A 6ª Turma restabelece a obrigatoriedade de reeducação de condenados por violência doméstica, em caso do MP-RJ.

O que a peça oficial não diz, e o que fica

A Agência Brasil não divulgou o acórdão, o número do processo nem o voto integral do ministro Rogério Schietti Cruz, e não há estatística de reincidência medida antes e depois de programas de reeducação. Sem esse dado, não é possível afirmar, nesta reportagem, o tamanho do efeito prático da medida. O que está na fonte é o eixo: a Justiça e o Ministério Público passam a tratar a reeducação do agressor como parte da resposta ao crime, ao lado da pena.

Em Campina Grande e na Paraíba, o tema também está na agenda, e a decisão nacional não substitui a rede de atendimento municipal e estadual. Quem precisa de orientação em situação de violência pode recorrer aos canais de cada estado e ao Ligue 180. Para acompanhar o debate local, veja a cobertura do Agosto Lilás em Campina Grande e o debate na Câmara sobre violência doméstica. O CG em Foco vai acompanhar como a tese confirmada no STJ se traduz em execução nos estados.

Fonte oficialSTJ (6ª Turma) e Lei Maria da Penha, via Agência Brasil, 19/09/2026.

Hostinger — Domínio, SSL e e-mail inclusosPublicidade
Geladeira Electrolux 480 L — no Mercado LivrePublicidade

Publicado em · Política de correções

Hostinger — 5 milhões de clientes em mais de 150 paísesPublicidade

Receba as principais notícias de Campina Grande

Newsletter · CG em Foco

Um resumo das notícias da cidade, da Paraíba e dos assuntos que impactam o seu dia, direto no seu e-mail. Sem spam. Cancele quando quiser.

Comentários

  • Carregando comentários…