A eleição presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lula (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, no segundo turno deste domingo (25), atraiu atenção fora do país, mas poucos governantes estrangeiros tomaram partido em público. Um levantamento das manifestações públicas registradas pela imprensa entre agosto e outubro mostra dois chefes de governo em exercício a favor de Flávio, um a favor de Lula e uma maioria em silêncio. O critério aqui é estrito: só entra o que o governante disse ou fez de forma documentada, sem deduzir preferência pela ideologia de cada um.
| Governante | Cargo | Posição registrada |
|---|---|---|
| Javier Milei | Presidente da Argentina | Apoio explícito a Flávio e críticas a Lula |
| Benjamin Netanyahu | Primeiro-ministro de Israel | Parabenizou Flávio após o 1º turno |
| Matteo Salvini | Vice-premiê da Itália | Listado como apoiador de Flávio |
| Pedro Sánchez | Primeiro-ministro da Espanha | Apoio explícito a Lula |
| Donald Trump | Presidente dos EUA | Comentou a eleição, sem declarar apoio |
| Xi Jinping, Putin, Sheinbaum, Macron e outros | Diversos | Nenhuma manifestação encontrada |
Fonte: CNN Brasil, Exame, Correio Braziliense e Congresso em Foco, outubro de 2026
O apoio mais explícito veio da Argentina. O presidente Javier Milei discursou na convenção nacional do PL em julho, segundo a Exame, e em 5 de outubro parabenizou Flávio pelo resultado do primeiro turno, que chamou de histórico, e fez críticas duras a Lula nas redes sociais, segundo a CNN Brasil. Em evento em Washington, Milei chamou Flávio de querido amigo e previu a vitória dele. A diplomacia argentina sob Milei tem sido abertamente alinhada à direita na região, e a Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil e seu principal sócio no Mercosul.
No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, segundo o TSE. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também parabenizou Flávio pelo resultado e escreveu que esperava restaurar a amizade entre Israel e Brasil, segundo a CNN Brasil. Flávio promete reaproximar o Brasil de Israel, dos Estados Unidos e da Argentina. A relação Brasil-Israel se deteriorou no atual governo, que critica a ofensiva militar israelense em Gaza.

A fala de Milei e a nota do Itamaraty
Em 20 de outubro, Milei foi além do apoio. Numa publicação nas redes sociais, sugeriu que Lula poderia tentar fraudar a eleição. O Ministério das Relações Exteriores respondeu com uma nota de repúdio em que classificou a fala como uma nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro, segundo o Congresso em Foco. A Exame informou ainda que o embaixador brasileiro em Buenos Aires foi chamado a Brasília para consultas.
A Justiça Eleitoral já havia tratado do tema antes. Em 4 de outubro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, disse que o tribunal não tinha indicativo concreto de interferência internacional no processo eleitoral, segundo a Gazeta do Povo. A urna eletrônica é usada no país desde 1996, sem registro comprovado de fraude, e o resultado do primeiro turno foi totalizado no mesmo dia da votação.
- Julho de 2026
Milei na convenção do PL
O presidente argentino discursa no evento que lança a candidatura de Flávio.
- 04/10/2026
TSE descarta interferência
Kassio Nunes Marques diz não haver indicativo concreto de interferência internacional.
- 05/10/2026
Parabéns a Flávio
Milei e Netanyahu parabenizam Flávio pelo resultado do primeiro turno.
- Outubro de 2026
Sánchez apoia Lula
O premiê espanhol declara apoio ao petista nas redes sociais.
- 20/10/2026
Nota do Itamaraty
O governo brasileiro classifica fala de Milei como tentativa de ingerência externa.
Do lado de Lula, a Espanha e a oposição europeia
O único chefe de governo em exercício a declarar apoio explícito a Lula foi o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, do Partido Socialista. Nas redes sociais, ele escreveu que Lula representa um Brasil que luta contra a injustiça e a desigualdade, segundo a Exame. A social-democracia europeia é um dos principais pontos de apoio internacional do petista, que mantém relação próxima com governos de centro-esquerda do continente.
Na Itália, líderes de oposição, como Elly Schlein, do Partido Democrático, e Giuseppe Conte, do Movimento 5 Estrelas, assinaram carta em apoio a Lula, conforme levantamento do jornal Correio Braziliense. O ex-presidente colombiano Gustavo Petro, que deixou o cargo em agosto, também publicou mensagem de apoio. Nos Estados Unidos, políticos democratas se manifestaram a favor do petista, segundo a CNN Brasil, sem que o governo americano o fizesse. No Brasil, a campanha petista apostou em atos de rua, como o que reuniu apoiadores na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, com artistas e lideranças de partidos aliados.

Trump, ex-presidentes e o silêncio da maioria
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não declarou apoio formal a nenhum dos candidatos. Depois do primeiro turno, usou a rapidez da apuração brasileira para criticar o sistema de votação americano, sem citar Lula ou Flávio, segundo a CNN Brasil. Durante a pré-campanha, Flávio viajou aos Estados Unidos em busca de aproximação com o governo Trump, segundo a Reuters, num período marcado por sobretaxas americanas a produtos brasileiros. O governo Lula, por sua vez, acusou os Estados Unidos de tentar interferir na eleição, o que o Departamento de Estado nega, segundo a rádio pública americana NPR.
Fonte: Levantamento CG em Foco com base em CNN Brasil, Exame e Correio Braziliense, outubro de 2026
Fora do poder, um grupo de 11 ex-presidentes ibero-americanos, entre eles Mauricio Macri, da Argentina, Iván Duque, da Colômbia, e Vicente Fox, do México, assinou declaração de apoio a Flávio, conforme levantamento do jornal Correio Braziliense. A opositora venezuelana María Corina Machado também se manifestou a favor do candidato do PL. São apoios simbólicos, sem o peso institucional de um governo em exercício.
A maior parte dos governantes não se pronunciou. Não foram encontradas manifestações públicas sobre a disputa de Xi Jinping, da China; Vladimir Putin, da Rússia; Claudia Sheinbaum, do México; Emmanuel Macron, da França; nem dos presidentes do Chile, da Colômbia, da Bolívia e do Equador. A neutralidade diplomática é a regra entre chefes de Estado, porque o vencedor será o interlocutor oficial a partir de 2027 e qualquer gesto público pode ser lido como ingerência. Isso vale em especial para os grandes parceiros comerciais do Brasil, como China, Estados Unidos e União Europeia, que costumam esperar o resultado oficial para se manifestar, normalmente com mensagens de cumprimento ao eleito. Veja também o resultado do primeiro turno, as propostas dos dois candidatos e como a guinada à direita muda a América Latina.
VerificadoSó entram declarações e atos públicos registrados pela imprensa, com data e fonte.
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