Negociadores do Irã e mediadores do Catar tiveram no domingo (1º), em Doha, o terceiro dia seguido de conversas para buscar um acordo que encerre a guerra, segundo a Agência Brasil, com base em informação de uma autoridade ligada às discussões ouvida pela agência Reuters. De acordo com a Agência Brasil, a guerra foi iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã e já dura oito meses. As conversas acontecem dois dias antes das eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para terça-feira (3).
Segundo a Agência Brasil, há preocupação de que o conflito volte a se intensificar depois da votação americana. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o país não lançará novos ataques contra o Irã antes da eleição e afirmou que as negociações com Teerã têm sido produtivas, mas não descartou novas ações militares depois do pleito, de acordo com a mesma reportagem.
O que dizem as partes
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse no domingo que as negociações estão em andamento e avançando, com o objetivo de manter as consultas com os mediadores do Catar, segundo a Agência Brasil. Ele afirmou que Teerã está preparada para defesa e diplomacia. Em declarações à mídia estatal iraniana, citadas pela Agência Brasil, Araqchi disse que a discussão sobre uma “proposta de dois dias” continua, sem conclusão definitiva.
Em entrevista à rede Al Jazeera no sábado (31), citada pela Agência Brasil, Araqchi disse que negociadores iranianos e catarianos elaboraram uma proposta para reabrir o Estreito de Ormuz em até dois dias depois de um possível acordo com Washington. Sobre o papel do Catar, o chanceler afirmou que o Irã faz o “melhor” no processo e espera “racionalidade” do outro lado, para que a diplomacia tenha prioridade.
Do lado americano, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse no sábado que Trump ainda não decidiu sobre novos ataques ao Irã, mas que preferiria resolver o conflito pela via diplomática, segundo a Agência Brasil. A reportagem informa que as negociações em Doha foram coordenadas por meio de contatos regulares com Washington.
- 30 de outubro
Mediadores em Teerã
Mediadores do Catar conversam com autoridades iranianas na capital do Irã.
- 31 de outubro
Conversas vão para Doha
Mojtaba Khamenei ordena prontidão das Forças Armadas; Rubio diz que Trump ainda não decidiu sobre ataques.
- 1º de novembro
Terceiro dia seguido
Araqchi diz que as negociações avançam, sem conclusão definitiva.
- 3 de novembro
Eleição nos EUA
Votação de meio de mandato; Trump disse que não haverá ataques antes dela.
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, ordenou no sábado que as Forças Armadas estivessem preparadas para qualquer ataque, segundo a Agência Brasil. Depois disso, as Forças Armadas iranianas anunciaram medidas para reforçar a prontidão. A reportagem registra que o Irã já afirmou que revidaria novos ataques atingindo alvos dos EUA e de Israel em países vizinhos.
De acordo com a Agência Brasil, os mediadores do Catar estiveram em Teerã na sexta-feira (30) para conversar com autoridades iranianas e, no sábado, levaram as negociações para Doha. A reportagem informa que a guerra continua afetando o abastecimento global de petróleo e se espalhando pelo Oriente Médio. Mais notícias de política e relações internacionais estão na editoria Poder.

O efeito no combustível do Brasil
Os reflexos do conflito chegam ao Brasil pelo preço do querosene de aviação (QAV), o combustível usado por aviões e helicópteros. Em 1º de novembro, a Petrobras anunciou reajuste médio de 7,2% no QAV vendido às distribuidoras, o equivalente a R$ 0,45 por litro em relação ao mês anterior, segundo a Agência Brasil. Em nota, a empresa atribuiu o aumento à alta da cotação internacional, “em um cenário de intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio”, e citou também a redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia.
Segundo reportagem da Agência Brasil de 1º de outubro, o preço médio do QAV nas refinarias da Petrobras passou de R$ 5,585 por litro em setembro para R$ 6,242 em outubro, alta de 11,76%. O valor de outubro ficou 74% acima do preço de 1º de março, de R$ 3,592 por litro, dia seguinte ao início dos ataques militares dos EUA e de Israel ao Irã, de acordo com a mesma reportagem. A Petrobras responde por cerca de 85% da produção nacional de QAV, mas o mercado é aberto a outras produtoras e importadoras.
| Período | Preço por litro |
|---|---|
| 1º de março de 2026 | |
| Setembro de 2026 | |
| Outubro de 2026 |
Fonte: Petrobras, via Agência Brasil (reportagem de 1º de outubro de 2026).
A principal causa da alta, segundo a Agência Brasil, é a instabilidade no Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% da produção internacional de petróleo e gás antes da guerra. A redução da oferta pressionou os preços. A reportagem lembra que a Petrobras reduziu o preço do QAV em junho e julho, quando EUA e Irã pareciam próximos de um acordo, e voltou a subir em agosto, setembro e outubro.
Peso nos custos das companhias aéreas
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), citada pela Agência Brasil, o combustível representava cerca de 30% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras antes do conflito. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que essa participação passou a mais de 45% depois do início da guerra. O reajuste do QAV é mensal no Brasil, e a Petrobras afirma que a fórmula prevista em contrato amortece oscilações de curto prazo.

Em nota, a Petrobras afirmou que as variações acumuladas no Brasil são menores que as do mercado internacional, onde os reajustes chegam a ser diários desde o início do conflito, segundo a Agência Brasil. Em maio, a empresa permitiu que as distribuidoras parcelassem o aumento para aliviar o caixa das companhias aéreas. Outros indicadores que afetam o bolso estão na editoria Economia.
As reportagens da Agência Brasil usadas nesta matéria não trazem dados específicos sobre Campina Grande ou a Paraíba. O reajuste do QAV vale para as vendas da Petrobras às distribuidoras em todo o país, e o desfecho das conversas em Doha depende de um eventual acordo com Washington, segundo os relatos citados pela agência.
Fonte oficialRelatos da Agência Brasil e nota da Petrobras.
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