A Petrobras anunciou um reajuste médio de 7,2% no querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, com validade a partir deste domingo, 1º de novembro, segundo a Agência Brasil. O aumento corresponde a R$ 0,45 por litro em relação ao preço do mês anterior. É o terceiro reajuste mensal seguido para cima do combustível usado em aviões e helicópteros.
O que a Petrobras alegou
Segundo a Agência Brasil, a estatal atribui o reajuste à alta da cotação internacional do combustível, em meio à intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio e à redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia. São esses os fatores apontados pela empresa para o novo preço cobrado das distribuidoras, que revendem o produto às companhias aéreas.
Em nota, a Petrobras afirmou que as variações acumuladas no Brasil são menores do que as observadas no exterior. De acordo com a empresa, no mercado internacional os preços mudam quase diariamente, enquanto aqui o reajuste do QAV é mensal. A companhia disse que aplica uma fórmula paramétrica prevista em contrato, que suaviza as oscilações de curto prazo das cotações.

A Agência Brasil informou que a Petrobras tem participação de cerca de 85% da produção nacional de QAV. O mercado de querosene de aviação, no entanto, é aberto à concorrência, e outras empresas também podem produzir e importar o combustível. O preço anunciado pela estatal vale para as vendas feitas nas suas refinarias às distribuidoras.
O peso do combustível nas contas das empresas aéreas também aparece na matéria. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas Aéreas, citada pela Agência Brasil, a participação do QAV nos custos operacionais das companhias brasileiras subiu de cerca de 30% para mais de 45% desde o início dos conflitos no Oriente Médio. A reportagem não informou se haverá mudança no preço das passagens.
Três meses seguidos de alta
O reajuste de novembro vem depois de dois aumentos maiores. Em setembro, segundo a Agência Brasil, a Petrobras elevou o preço médio do QAV em 13,9%, cerca de R$ 0,68 a mais por litro, com variação entre 14,34% em São Luís e 13,51% em Canoas (RS). Naquele mês, o preço nas refinarias ficou entre R$ 5,44 e R$ 5,70 por litro.
Em outubro, o reajuste médio foi de 11,76%. De acordo com a Agência Brasil, o preço por litro passou de R$ 5,585 em setembro para R$ 6,242 em outubro. Esse valor era 74% maior que o de 1º de março, quando o litro custava R$ 3,592 nas refinarias da Petrobras. Na época, a estatal também atribuiu a alta à guerra no Oriente Médio e aos problemas logísticos causados no setor de petróleo.
Na matéria de setembro, a Agência Brasil havia calculado uma alta acumulada de 53,3% no ano, ou R$ 1,94 a mais por litro. As reportagens apontaram a instabilidade no Estreito de Ormuz, rota por onde passa parte do petróleo exportado pelo Oriente Médio, como o principal fator para a redução da oferta e a alta das cotações.

A sequência de preços divulgada pela Agência Brasil mostra a trajetória do combustível desde março. Os dados se referem ao preço de refinaria, aquele cobrado pela Petrobras das distribuidoras, e não ao valor final pago pelas companhias aéreas, que inclui margens de distribuição e tributos.
- 1º de março
Referência inicial
O litro do QAV custava R$ 3,592 nas refinarias da Petrobras.
- 1º de setembro
Alta de 13,9%
Aumento de cerca de R$ 0,68 por litro, em média.
- 1º de outubro
Alta de 11,76%
O litro passa de R$ 5,585 para R$ 6,242.
- 1º de novembro
Alta de 7,2%
Aumento de R$ 0,45 por litro em relação a outubro.
Como o preço é definido
Segundo a Petrobras, o reajuste mensal segue o que está previsto nos contratos com as distribuidoras. A fórmula leva em conta as cotações internacionais do combustível e distribui as variações ao longo do tempo, em vez de repassá-las a cada dia. Por isso, de acordo com a empresa, as mudanças no Brasil chegam de forma mais gradual que no exterior.
É a regra de cálculo prevista no contrato entre a Petrobras e as distribuidoras. Segundo a estatal, ela usa as cotações internacionais e suaviza as oscilações de curto prazo, com reajuste uma vez por mês.
O percentual de novembro é o menor dos três últimos reajustes, mas o preço segue em alta. A tendência de alta continua ligada, segundo a estatal, ao cenário internacional do petróleo. Outros preços de combustíveis e ações do governo sobre o tema estão na editoria de economia, e o noticiário nacional está em Brasil.
Na conta das empresas, o custo do combustível é uma das despesas que mais pesam. Pelos números da associação das aéreas, citados pela Agência Brasil, o QAV passou a representar mais de 45% dos custos operacionais, ante cerca de 30% antes dos conflitos. Isso significa que quase metade do que as companhias gastam para manter os aviões voando está ligada ao combustível, segundo a entidade.
O preço anunciado vale de forma média para o país. Em setembro, a Agência Brasil mostrou que o valor por região varia conforme o ponto de entrega, com o maior reajuste em São Luís e o menor em Canoas. Para novembro, a reportagem informou apenas o percentual médio e o valor de R$ 0,45 por litro, sem detalhar a variação entre as refinarias e os pontos de venda.
A Petrobras costuma divulgar o novo preço do QAV no primeiro dia de cada mês, quando ele passa a valer. Foi assim em setembro, em outubro e agora em novembro, segundo as reportagens da Agência Brasil. A revisão de preço mensal, segundo a empresa, segue a fórmula prevista nos contratos com as distribuidoras.
Fonte oficialReajuste anunciado pela Petrobras, via Agência Brasil.
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