A fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos abriu duas novas frentes nesta semana. O Itamaraty convocou a encarregada de negócios da Argentina em Brasília, Maria Emília Cortés, para dar explicações sobre a participação do governo de Javier Milei na saída do senador, segundo duas fontes do governo ouvidas pela Reuters e publicadas pela Agência Brasil. No Rio de Janeiro, dois advogados entraram com uma ação popular para suspender o salário e as verbas que o Senado paga a Flávio.
- 27/10
Fuga
Flávio cruza a fronteira em Foz do Iguaçu e embarca em Puerto Iguazú.
- 28/10
Chegada
O avião com o senador e a família pousa perto de Miami.
- 29/10
Itamaraty
A encarregada de negócios da Argentina é recebida pelo governo brasileiro.
- 30/10
G20
Mauro Vieira e Marco Rubio conversam em Atlanta.
- 31/10
Ação popular
Advogados pedem à Justiça Federal no Rio a suspensão do salário.
A cobrança à Argentina
Segundo a Reuters, Cortés foi recebida na noite de quinta-feira (29) pelo diretor do Departamento de América do Sul do Itamaraty, embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, e a conversa foi rápida. A convocação diplomática é a forma usual de um país registrar desagrado com as ações de outro governo. O chanceler argentino, Pablo Quirno, disse que não houve pedido de explicações. O Itamaraty não comentou o caso.
A reportagem da Reuters afirma que Flávio usou como rota o aeroporto de Puerto Iguazú, na fronteira, num jato fretado pelo governo americano, e que a imprensa argentina mostrou o envolvimento de membros do governo Milei, inclusive uma escolta da polícia aeroportuária até o embarque. Em carta divulgada na quinta-feira, o senador agradeceu a ajuda do presidente argentino.

As relações com a Argentina já estavam rebaixadas. Segundo a Reuters, Cortés representa o país em Brasília desde o fim de julho, quando começou a crise diplomática entre os governos Lula e Milei. O presidente argentino esteve no Brasil no lançamento da candidatura de Flávio e fez ofensas a Lula. O Brasil retirou o embaixador em Buenos Aires, Júlio Bitelli, e o então embaixador argentino em Brasília, Daniel Ribondi, voltou ao seu país. Uma das fontes disse que não há previsão de mudança nas relações no curto prazo, porque Milei mantém o tom agressivo em relação ao Brasil, e que a ajuda à fuga se soma a um quadro de intromissão na política interna brasileira. Milei, aliado da família Bolsonaro, ainda não havia parabenizado Lula pela vitória até a terça-feira (27), segundo a Reuters.

A ação contra o salário
A ação popular foi apresentada na sexta-feira (31) pelos advogados Leonardo Nicolau Passos Marinho e Rodrigo da Silva Roma e distribuída à 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro, segundo a Agência Brasil. Eles argumentam que a permanência do senador no exterior impede o exercício do mandato, lesa os cofres públicos e fere a moralidade administrativa. O mandato de Flávio no Senado vai até janeiro de 2027, quando assumem os senadores eleitos em outubro.
O pedido é para interromper o pagamento do salário, o subsídio parlamentar, da verba de gabinete, do auxílio-moradia e da cota parlamentar, a CEAPS. Para os autores, manter os pagamentos a um senador que afirmou que vai liderar a oposição a partir do exterior representa desvio de finalidade dos recursos do Senado.
| Item | O que é |
|---|---|
| Subsídio | O salário mensal do senador |
| Verba de gabinete | Recursos para pagar a equipe do gabinete |
| Auxílio-moradia | Ajuda de custo para moradia em Brasília |
| CEAPS | Cota para despesas do exercício da atividade parlamentar |
Fonte: Agência Brasil, 31 de outubro de 2026
A assessoria do senador foi procurada pela Agência Brasil e não havia se manifestado até a publicação da reportagem. Antes de deixar o país, Flávio publicou um vídeo em que dizia que ficaria no Brasil para organizar a oposição ao governo Lula. Depois da chegada aos Estados Unidos, divulgou uma carta em que afirma, sem provas, que a eleição foi fraudada e diz que vai liderar a oposição de fora do país, segundo a Agência Brasil. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), admitiu que não há provas de fraude.
O encontro com Rubio
Nos Estados Unidos, o chanceler Mauro Vieira encontrou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, no coquetel de abertura da reunião de chanceleres do G20, em Atlanta, na noite de sexta-feira (30), segundo a Agência Brasil. Foi o primeiro encontro dos dois depois da reeleição de Lula e da fuga de Flávio. Eles conversaram rapidamente e combinaram uma reunião bilateral antes da cúpula do G20, marcada para 14 e 15 de dezembro, em Miami. Os Estados Unidos ocupam a presidência do G20 em 2026, e a reunião de Atlanta, entre sexta e sábado, debateu geopolítica, o mercado de energia e as cadeias globais de suprimentos.
Fonte: Agência Brasil, 31 de outubro de 2026
O encontro ocorreu num contexto delicado, segundo a Agência Brasil: o presidente Donald Trump evitou reconhecer a vitória de Lula e permitiu a entrada de Flávio nos EUA depois de a Justiça brasileira proibir a saída do senador do país. Parlamentares democratas enviaram carta a Rubio questionando a suposta ajuda da Casa Branca à viagem. Em Atlanta, os chanceleres da Índia, do Reino Unido e da Polônia cumprimentaram Vieira pela reeleição de Lula, segundo o Itamaraty.
Flávio é investigado no Supremo Tribunal Federal sobre o pagamento de R$ 60 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para um filme sobre Jair Bolsonaro, e sobre a relação com o advogado Willer Tomaz, que teve mais de R$ 6 bilhões bloqueados pela Justiça, segundo a Agência Brasil. Ele nega irregularidades. A fuga está em Flávio Bolsonaro foge e chega aos EUA e a posição do TSE sobre a eleição, em TSE diz que eleição foi normal.
Fonte oficialItamaraty e Justiça Federal, via Agência Brasil e Reuters.
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