A conta de luz continua sem cobrança extra em novembro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve a bandeira verde pelo segundo mês seguido, segundo a Agência Brasil. A bandeira verde voltou a valer em outubro, depois de cinco meses de bandeira amarela, que acrescentava R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos. A decisão vale para os consumidores de todo o país ligados ao sistema interligado, entre eles os de Campina Grande e do restante da Paraíba.
Por que a bandeira ficou verde
Segundo a Aneel, o aumento das chuvas nas regiões onde ficam os principais reservatórios garantiu a segurança dos níveis de água, e por isso o governo não precisará acionar as usinas termelétricas, que produzem energia a um custo mais alto. De acordo com relatório da Agência Nacional de Águas (ANA), citado pela Agência Brasil, os reservatórios do Sistema Interligado Nacional chegaram em outubro a uma média de 65,9% do volume útil, o segundo maior valor para o mês desde 2015.
A previsão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para novembro é de chuvas acima da média no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, onde estão os maiores reservatórios, e abaixo da média no Norte e no Nordeste, segundo a Agência Brasil. A geração de energia do país depende principalmente das hidrelétricas, e o nível dos reservatórios é um dos fatores que a Aneel considera para definir a bandeira de cada mês.

O sistema de bandeiras tarifárias está em vigor desde 2015 e foi criado justamente para repassar ao consumidor, mês a mês, o custo extra das termelétricas. Quando os reservatórios estão baixos, essas usinas são ligadas para garantir o abastecimento, e a energia fica mais cara. A cor da bandeira avisa o consumidor antes de a conta chegar, para que ele possa ajustar o uso de aparelhos se quiser economizar.
Quanto a bandeira amarela custava
O sistema de bandeiras sinaliza ao consumidor o custo da geração de energia em cada mês. Na bandeira verde, não há acréscimo. Na amarela, a cobrança extra era de R$ 1,88 a cada 100 kWh, o equivalente a R$ 0,01885 por kWh, valor que aparece na página da Aneel sobre o sistema. Para uma casa que consome 150 kWh por mês, a bandeira amarela representava cerca de R$ 2,83 a mais na conta.
Fonte: Cálculo do CG em Foco com o valor de R$ 1,885 por 100 kWh informado pela Aneel
Com a bandeira verde em outubro e em novembro, essa cobrança está zerada. As bandeiras vermelhas, nos patamares 1 e 2, são acionadas quando o custo da geração sobe ainda mais, em geral em períodos de seca e de reservatórios baixos, e têm valores maiores que a amarela.
- Maio a setembro
Bandeira amarela
Cinco meses seguidos com cobrança extra de R$ 1,88 a cada 100 kWh.
- Outubro
Volta da verde
A cobrança extra é zerada com a melhora dos reservatórios.
- Novembro
Verde mantida
A Aneel mantém a bandeira verde pelo segundo mês seguido.
- 27 de novembro
Próxima decisão
Data prevista pela Aneel para divulgar a bandeira de dezembro.
Na página em que explica o sistema, a Aneel lista os acréscimos de cada patamar: R$ 0,01885 por kWh na bandeira amarela, R$ 0,04463 na vermelha patamar 1 e R$ 0,07877 na vermelha patamar 2. Isso equivale a R$ 1,89, R$ 4,46 e R$ 7,88 a cada 100 kWh, respectivamente. A Agência Brasil informou o valor da amarela em R$ 1,88, compatível com o da página. Os valores das bandeiras são revisados pela agência periodicamente, por isso a referência oficial é sempre a tabela vigente divulgada pela Aneel.
O que muda na conta
A bandeira define apenas se há uma cobrança adicional no mês. O valor final da conta continua dependendo do consumo de cada casa e da tarifa da distribuidora local, que passa por reajustes próprios definidos pela Aneel. Ou seja, a bandeira verde garante que não haverá taxa extra em novembro, mas não significa redução da tarifa.

Para conferir quanto gastou, o consumidor pode ver o consumo em kWh impresso na própria conta, no campo de leituras, e comparar com os meses anteriores no histórico de consumo. A bandeira aplicada no período também aparece descrita na fatura, junto com o valor cobrado, quando há acréscimo. Aparelhos como chuveiro elétrico, ar-condicionado e geladeira costumam responder pela maior parte do consumo em kWh de uma residência, e são os primeiros a observar quando a conta sobe de um mês para o outro.
Próxima decisão
O calendário da Aneel prevê a divulgação da bandeira de dezembro em 27 de novembro de 2026. A decisão leva em conta as condições de geração, o nível dos reservatórios e a previsão de chuvas para o mês seguinte. Pela previsão do ONS, a chuva deve ficar acima da média no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, regiões que concentram a maior parte da capacidade de armazenamento de água para geração de energia do país. Outros indicadores da economia que afetam o bolso estão em dólar sobe 8,21% e Ibovespa cai 13,88% e em o que move o câmbio.
Para a Paraíba, que fica no Nordeste, a previsão do ONS é de chuva abaixo da média em novembro. Isso não muda a bandeira aplicada no estado, porque ela é definida para todo o sistema interligado, que transporta energia entre as regiões. A bandeira é a mesma para consumidores de Campina Grande, João Pessoa ou de qualquer outra cidade ligada ao sistema.
Fonte oficialDecisão da Aneel e dados da ANA, via Agência Brasil.
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