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Restaurante Popular Prato do Povo serve refeição a R$ 1 em Campina Grande

Restaurante Popular Prato do Povo, no Distrito dos Mecânicos, serve almoço a R$ 1 e chegou a 223 mil refeições em dois anos de funcionamento.

Usuários almoçam no Restaurante Popular Prato do Povo, no Distrito dos Mecânicos, em Campina Grande
O Restaurante Popular Prato do Povo, no Distrito dos Mecânicos, serve almoço a R$ 1. Divulgação / Prefeitura de Campina Grande
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O Restaurante Popular Prato do Povo, mantido pela Prefeitura de Campina Grande no Distrito dos Mecânicos, completou dois anos de funcionamento com a marca de 223.329 refeições servidas. O equipamento é um dos pilares da política municipal de segurança alimentar e oferece almoço ao preço simbólico de R$ 1 para a população em situação de vulnerabilidade e famílias de baixa renda. Para uma família de quatro pessoas, almoçar no local custa R$ 4 no total, segundo o próprio balanço divulgado pela gestão municipal.

Segundo a gestão, o restaurante serve cerca de 500 almoços por dia, de segunda a sexta-feira, e permite que o usuário leve uma quentinha para garantir uma segunda refeição fora do horário do almoço. A um real por prato, o serviço funciona como uma rede de proteção para quem enfrenta insegurança alimentar, transformando um valor simbólico em acesso diário à comida. Jaqueline Araújo, usuária de 18 anos ouvida no balanço oficial, é um dos rostos por trás dos números: parte do público que depende do equipamento para garantir a refeição do dia.

O Prato do Povo em dois anos de funcionamento
R$ 1 por refeição preço simbólico cobrado do usuário pelo almoço
500 almoços por dia capacidade de atendimento em dias úteis
223.329 refeições em 2 anos total acumulado desde a inauguração
seg a sex funcionamento dias de operação do restaurante popular

Fonte: Prefeitura de Campina Grande, ago. 2025

O modelo de restaurante popular segue uma lógica simples de política pública: o poder municipal subsidia o custo real da refeição e repassa ao usuário apenas um valor simbólico, de modo que o preço deixe de ser barreira para quem precisa. No Prato do Povo, esse valor é de R$ 1, e a refeição é servida na bandeja, no próprio local. A coordenadora do equipamento, Ana Karla Dantas, resumiu o funcionamento e um detalhe que amplia o alcance da política. “Aqui as pessoas comem na bandeja e podem levar uma quentinha para realizar uma segunda refeição no dia”, afirmou. Essa possibilidade faz com que uma única ida ao restaurante possa cobrir mais de um momento de alimentação, o que importa para quem tem renda instável. Restaurantes populares como o Prato do Povo integram uma política nacional de segurança alimentar que existe há décadas no país, pensada para oferecer refeição de qualidade nutricional a preço acessível em áreas de grande circulação. A refeição costuma seguir um cardápio balanceado, com arroz, feijão, uma proteína, guarnição e salada, de modo que o valor simbólico não signifique comida de menor qualidade. A lógica é a de que o direito à alimentação adequada não pode depender só da renda de cada família.

Fila de atendimento no Restaurante Popular Prato do Povo em Campina Grande
O restaurante serve cerca de 500 almoços por dia, de segunda a sexta Divulgação / Prefeitura de Campina Grande

A localização no Distrito dos Mecânicos coloca o serviço em uma região de grande circulação de trabalhadores e moradores, o que ajuda a explicar o volume de atendimentos. Ao longo de dois anos, as 223.329 refeições servidas dão a dimensão da procura: são milhares de pratos por mês, sustentados de forma contínua, e não em uma ação pontual. Para o secretário de Assistência Social, Fabio Thoma, o equipamento se consolidou como uma política pública eficaz de combate à fome no município.

Como funciona o Restaurante Popular Prato do Povo
Item Detalhe
Preço da refeição R$ 1 por almoço (R$ 4 para uma família de quatro pessoas)
Refeição oferecida Almoço, servido na bandeja, com opção de quentinha
Capacidade diária Cerca de 500 almoços
Dias de funcionamento Segunda a sexta-feira
Público prioritário Pessoas em vulnerabilidade e famílias de baixa renda

Fonte: Prefeitura de Campina Grande, ago. 2025.

Em 28 de julho de 2026, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) publicaram a Portaria Conjunta MDS/MDA nº 43/2026, que formaliza pela primeira vez a definição dos Equipamentos de Segurança Alimentar e Nutricional (Eqsans) no âmbito do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). A norma lista onze tipos de equipamento reconhecidos oficialmente, entre eles bancos de alimentos, cozinhas comunitárias, cozinhas solidárias, centrais da agricultura familiar, feiras livres e agroecológicas, sacolões e armazéns populares e, nominalmente, os restaurantes populares, categoria em que o Prato do Povo se enquadra. Segundo o MDS, o objetivo da portaria é caracterizar estruturas voltadas à “produção, abastecimento, distribuição, comercialização e consumo de alimentos e refeições adequadas e saudáveis”, com foco no Direito Humano à Alimentação Adequada para população em insegurança alimentar, vulnerabilidade social, pessoas em situação de rua e territórios afetados por emergências climáticas. O ato foi assinado pelo ministro do MDS, José Wellington Barroso de Araújo Dias, e pela ministra substituta do MDA, Fernanda Machiaveli Morão de Oliveira. A publicação, quase três anos depois da inauguração do equipamento campinense, mostra que a experiência local antecedeu a moldura nacional que hoje passa a reger esse tipo de estrutura em todo o país, prevendo ainda apoio orçamentário federal para implantação, modernização, capacitação e integração dos equipamentos.

Segurança alimentar como política pública

O Prato do Povo integra o conjunto de ações de assistência social do município, ao lado de programas voltados a idosos, mulheres e famílias atendidas pelos Centros de Referência de Assistência Social. A segurança alimentar é tratada como uma frente própria dentro dessa rede, com foco em garantir que a falta de renda não se traduza em falta de comida. Diferentemente de programas de transferência de renda, que entregam recursos para a família decidir como usar, o restaurante popular atua diretamente sobre a refeição, o que garante que o benefício chegue ao prato e não seja desviado por outras urgências do orçamento. Os dois modelos costumam se complementar dentro das políticas de assistência, cada um alcançando o cidadão por uma via distinta, e a existência de um restaurante fixo dá à cidade um ponto de referência permanente para o combate à fome. Nesse sentido, o restaurante popular dialoga com outras iniciativas da gestão na área social, como os cursos de qualificação oferecidos pelos CRAS, o Centro de Convivência do Idoso e as ações do Agosto Lilás contra a violência à mulher.

Equipe serve refeições no Restaurante Popular Prato do Povo em Campina Grande
O equipamento integra a política municipal de segurança alimentar Divulgação / Prefeitura de Campina Grande

O diferencial de um restaurante popular em relação a doações pontuais está na regularidade. Por funcionar todos os dias úteis, no mesmo lugar e ao mesmo preço, o serviço cria uma referência estável para quem depende dele, o que reduz a imprevisibilidade que costuma marcar a vida de famílias em vulnerabilidade. A manutenção do equipamento por dois anos, com volume crescente de refeições, é o dado que a Prefeitura apresenta como prova de que a política se firmou na rotina da cidade. Para o usuário, a previsibilidade tem valor concreto: saber que, todo dia útil, há uma refeição garantida por um real permite organizar o orçamento doméstico em torno dessa certeza. Em contextos de desemprego, informalidade ou renda baixa, essa âncora reduz a parcela do dinheiro que precisa ser destinada à comida, liberando recursos para outras necessidades básicas como transporte, moradia e remédios. É esse efeito, mais do que o número isolado de pratos, que costuma justificar a manutenção desse tipo de equipamento pelas gestões municipais, e é também o que passou a orientar, em nível nacional, o desenho regulatório publicado pelo MDS em 2026.

O que ainda não foi divulgado

O balanço oficial não informou o horário exato de funcionamento do restaurante nem o custo total do subsídio municipal por refeição, isto é, quanto a Prefeitura arca para que o prato saia a R$ 1 ao usuário. Também não detalhou o número de funcionários envolvidos na operação, a origem dos alimentos servidos, se há aproveitamento da agricultura familiar local no fornecimento, nem se há planos de abrir novas unidades em outros bairros de Campina Grande. O MDS, por sua vez, não divulgou na portaria de 2026 quantos restaurantes populares estão em funcionamento no Brasil nem na Paraíba, nem se o Prato do Povo já está formalmente cadastrado como Eqsan no Sisan. Com dois anos de funcionamento já registrados e a marca das 223 mil refeições alcançada, a continuidade do serviço, sua eventual ampliação e seu enquadramento na nova regulamentação federal poderão ser acompanhados de perto pela população atendida no Distrito dos Mecânicos.

Fonte oficialApurado na Prefeitura de Campina Grande e no Ministério do Desenvolvimento Social.

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