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Turismo de observação ajuda a preservar baleias-jubarte em Abrolhos

Em Abrolhos, na Bahia, a observação de jubartes gera renda em Caravelas e segue regras de distância e tempo. A população no país passou de menos de 2 mil para cerca de 35 mil animais.

Vista aérea de uma ilha rochosa com um farol, cercada por mar azul, no arquipélago de Abrolhos.
A Ilha de Santa Bárbara, com o farol, no Arquipélago de Abrolhos, em Caravelas (BA). Tânia Rêgo/Agência Brasil

O turismo de observação de baleias-jubarte no Arquipélago de Abrolhos, no litoral sul da Bahia, gera renda para moradores de Caravelas e ajuda na preservação da espécie, segundo reportagem da Agência Brasil publicada nesta segunda-feira (2). A área concentra cerca de 90% das jubartes que chegam ao Brasil. Os animais nadam cerca de 4 mil quilômetros desde a Antártica até as águas quentes do sul baiano, onde acasalam e têm filhotes.

População de baleias-jubarte no Brasil, segundo o Instituto Baleia Jubarte, via Agência Brasil.
menos de 2 mil início dos anos 1990 estimativa citada pela Agência Brasil
cerca de 35 mil estimativa de 2022 Instituto Baleia Jubarte
90% concentradas em Abrolhos das jubartes que chegam ao Brasil

Da pesca ao turismo em Caravelas

A reportagem conta a trajetória do capitão Paulo Salomão, que começou a acompanhar o pai no mar aos 6 anos e fez o curso de piloto de embarcação aos 18. Com a proibição da pesca no parque marinho, ele passou a transportar turistas e mergulhadores. Segundo a Agência Brasil, Salomão tem hoje quatro embarcações e emprega dez pessoas. Uma das embarcações tem 50 camas.

De acordo com o relato do capitão à agência, muitos trabalhadores de outras áreas passaram a atuar no mar. Antes, o movimento em Caravelas se concentrava no verão. Com a temporada das baleias, há fluxo também no inverno, o que, segundo ele, dobrou a renda de quem já trabalhava com turismo. As jubartes ficam no Brasil de junho a novembro.

Cauda de uma baleia-jubarte fora da água levanta respingos no mar azul.
Baleias-jubarte avistadas no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, em Caravelas (BA). Tânia Rêgo / Agência Brasil

O pico de visitantes mudou ao longo do tempo. Segundo a Agência Brasil, há cerca de dez anos os meses de julho e agosto passaram a concentrar a maior procura, e hoje agosto é o mês de maior movimento, à frente dos três meses de verão. A reportagem ouviu turistas de Minas Gerais e de São Paulo. Karina Moraes, de São Paulo, relatou uma viagem de 36 horas, com ondas de 3 metros. O Instituto Baleia Jubarte mantém centros de visitação em vários estados, com pontos em Praia do Forte, Itacaré, Vitória e Ilhabela, além de um ponto de observação recém-inaugurado em Porto Seguro, de acordo com a agência. Em Caravelas, o centro de visitação do projeto exibe um esqueleto de baleia-jubarte. Mais notícias do país estão na editoria Brasil.

Regras para chegar perto das baleias

A observação tem regras. Segundo a Agência Brasil, os operadores precisam de autorização da Marinha e devem seguir normas do Ministério do Meio Ambiente. Uma portaria conjunta do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), publicada em agosto de 2026, define os limites de aproximação dos barcos.

Limites para a observação de baleias por embarcações, conforme portaria do Ibama e do ICMBio.
Regra Limite
Distância mínima dos animais 100 metros
Tempo máximo de permanência 60 minutos
Tempo com fêmea e filhote 30 minutos
Barcos ao mesmo tempo 2 embarcações

Fonte: Portaria Ibama/ICMBio de agosto de 2026, via Agência Brasil

A lei também proíbe tocar, capturar, perseguir ou cercar as baleias. A fiscalização cabe ao poder público, segundo a reportagem. O Instituto Baleia Jubarte oferece capacitação a operadores por meio de parcerias com municípios, e algumas localidades concedem o selo “Amigo da Baleia” a quem faz o curso.

O instituto também embarca profissionais nos barcos dos operadores para atividades educativas e coleta de dados científicos. Em Abrolhos, pesquisadores coletam amostras para estudos biológicos dos animais. O diretor executivo do instituto é Eduardo Camargo, e o diretor de pesquisa é Milton Marcondes.

Esse papel entra no cálculo de um estudo internacional citado pela agência. O levantamento do Fundo Monetário Internacional com a Universidade de Duke, feito em parceria com o Instituto Baleia Jubarte e a Great Whale Conservancy, estima que as baleias do Brasil geram mais de US$ 82 bilhões em serviços como fertilização dos mares, captura de carbono e turismo de observação.

Como a população se recuperou

De acordo com a Agência Brasil, a recuperação da espécie é atribuída a três fatores: a proibição da caça de baleias no país, em 1987, a criação do Parque Marinho dos Abrolhos, em 1983, e o surgimento de grupos de pesquisa ambiental. O Instituto Baleia Jubarte nasceu como projeto em 1988 e tem a Petrobras como principal financiadora.

Marcos da proteção das baleias-jubarte no Brasil, segundo a Agência Brasil.
  1. 1983

    Parque marinho

    Criação do Parque Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia.

  2. 1987

    Fim da caça

    A caça de baleias é proibida no país.

  3. 1988

    Projeto Baleia Jubarte

    Início do projeto que daria origem ao instituto.

  4. 2014

    Fora da lista

    A espécie é retirada da lista de ameaçadas.

  5. Agosto de 2026

    Nova portaria

    Ibama e ICMBio fixam regras para a observação por barcos.

Em outra reportagem, a Agência Brasil informou que o instituto já identificou mais de 10 mil baleias por fotos e que a estimativa de 2026 ainda está em cálculo. A contagem nacional é feita por sobrevoo do litoral de São Paulo ao Rio Grande do Norte, no Nordeste. Segundo a agência, em alguns anos as baleias avançam mais em direção ao Nordeste, conforme relato de Enrico Marcovaldi, ligado ao instituto.

Dorsos de duas baleias-jubarte na superfície do mar, sob céu nublado.
Jubarte no litoral sul da Bahia, área de reprodução da espécie. Tânia Rêgo / Agência Brasil

A temporada de 2026 teve menos filhotes que a média, segundo a Agência Brasil. A proporção de filhotes até setembro foi de 3,35%, contra média de 9,98% registrada desde 2014. Nos 11 cruzeiros científicos a Abrolhos, os pesquisadores contaram 431 baleias, das quais 42 eram filhotes.

Proporção de filhotes entre as jubartes observadas (%)
Proporção de filhotes entre as jubartes observadas (%). Média desde 2014: 9,98%; Temporada 2026, até setembro: 3,35%. Fonte: Instituto Baleia Jubarte, via Agência Brasil, outubro de 2026. Média desde 2014 9,98% Temporada 2026, até setembro 3,35%

Fonte: Instituto Baleia Jubarte, via Agência Brasil, outubro de 2026

Os encalhes somaram 59 neste ano, contra 78 no ano anterior, segundo a Agência Brasil. O recorde foi de 230, em 2021. Neste ano, os encalhes se concentraram em Santa Catarina e em São Paulo, e não no Espírito Santo e na Bahia, estados que costumam registrar o maior número, de acordo com a agência. A taxa bruta de natalidade da temporada passada foi de 10,7%, e o recorde, de 16,69%, foi registrado em 2024. A estimativa populacional de 2026 deve ficar um pouco abaixo da de 2022, segundo a reportagem sobre os 30 anos do instituto, que também informou que a Petrobras destina cerca de R$ 30 milhões ao ciclo atual de quatro anos de trabalho. Outros temas de serviço aparecem nas editorias Cidade e Saúde.

Fonte oficialDados do Instituto Baleia Jubarte e regras do Ibama e do ICMBio, via Agência Brasil.

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