O turismo de observação de baleias-jubarte no Arquipélago de Abrolhos, no litoral sul da Bahia, gera renda para moradores de Caravelas e ajuda na preservação da espécie, segundo reportagem da Agência Brasil publicada nesta segunda-feira (2). A área concentra cerca de 90% das jubartes que chegam ao Brasil. Os animais nadam cerca de 4 mil quilômetros desde a Antártica até as águas quentes do sul baiano, onde acasalam e têm filhotes.
Da pesca ao turismo em Caravelas
A reportagem conta a trajetória do capitão Paulo Salomão, que começou a acompanhar o pai no mar aos 6 anos e fez o curso de piloto de embarcação aos 18. Com a proibição da pesca no parque marinho, ele passou a transportar turistas e mergulhadores. Segundo a Agência Brasil, Salomão tem hoje quatro embarcações e emprega dez pessoas. Uma das embarcações tem 50 camas.
De acordo com o relato do capitão à agência, muitos trabalhadores de outras áreas passaram a atuar no mar. Antes, o movimento em Caravelas se concentrava no verão. Com a temporada das baleias, há fluxo também no inverno, o que, segundo ele, dobrou a renda de quem já trabalhava com turismo. As jubartes ficam no Brasil de junho a novembro.

O pico de visitantes mudou ao longo do tempo. Segundo a Agência Brasil, há cerca de dez anos os meses de julho e agosto passaram a concentrar a maior procura, e hoje agosto é o mês de maior movimento, à frente dos três meses de verão. A reportagem ouviu turistas de Minas Gerais e de São Paulo. Karina Moraes, de São Paulo, relatou uma viagem de 36 horas, com ondas de 3 metros. O Instituto Baleia Jubarte mantém centros de visitação em vários estados, com pontos em Praia do Forte, Itacaré, Vitória e Ilhabela, além de um ponto de observação recém-inaugurado em Porto Seguro, de acordo com a agência. Em Caravelas, o centro de visitação do projeto exibe um esqueleto de baleia-jubarte. Mais notícias do país estão na editoria Brasil.
Regras para chegar perto das baleias
A observação tem regras. Segundo a Agência Brasil, os operadores precisam de autorização da Marinha e devem seguir normas do Ministério do Meio Ambiente. Uma portaria conjunta do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), publicada em agosto de 2026, define os limites de aproximação dos barcos.
| Regra | Limite |
|---|---|
| Distância mínima dos animais | 100 metros |
| Tempo máximo de permanência | 60 minutos |
| Tempo com fêmea e filhote | 30 minutos |
| Barcos ao mesmo tempo | 2 embarcações |
Fonte: Portaria Ibama/ICMBio de agosto de 2026, via Agência Brasil
A lei também proíbe tocar, capturar, perseguir ou cercar as baleias. A fiscalização cabe ao poder público, segundo a reportagem. O Instituto Baleia Jubarte oferece capacitação a operadores por meio de parcerias com municípios, e algumas localidades concedem o selo “Amigo da Baleia” a quem faz o curso.
O instituto também embarca profissionais nos barcos dos operadores para atividades educativas e coleta de dados científicos. Em Abrolhos, pesquisadores coletam amostras para estudos biológicos dos animais. O diretor executivo do instituto é Eduardo Camargo, e o diretor de pesquisa é Milton Marcondes.
Esse papel entra no cálculo de um estudo internacional citado pela agência. O levantamento do Fundo Monetário Internacional com a Universidade de Duke, feito em parceria com o Instituto Baleia Jubarte e a Great Whale Conservancy, estima que as baleias do Brasil geram mais de US$ 82 bilhões em serviços como fertilização dos mares, captura de carbono e turismo de observação.
Como a população se recuperou
De acordo com a Agência Brasil, a recuperação da espécie é atribuída a três fatores: a proibição da caça de baleias no país, em 1987, a criação do Parque Marinho dos Abrolhos, em 1983, e o surgimento de grupos de pesquisa ambiental. O Instituto Baleia Jubarte nasceu como projeto em 1988 e tem a Petrobras como principal financiadora.
- 1983
Parque marinho
Criação do Parque Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia.
- 1987
Fim da caça
A caça de baleias é proibida no país.
- 1988
Projeto Baleia Jubarte
Início do projeto que daria origem ao instituto.
- 2014
Fora da lista
A espécie é retirada da lista de ameaçadas.
- Agosto de 2026
Nova portaria
Ibama e ICMBio fixam regras para a observação por barcos.
Em outra reportagem, a Agência Brasil informou que o instituto já identificou mais de 10 mil baleias por fotos e que a estimativa de 2026 ainda está em cálculo. A contagem nacional é feita por sobrevoo do litoral de São Paulo ao Rio Grande do Norte, no Nordeste. Segundo a agência, em alguns anos as baleias avançam mais em direção ao Nordeste, conforme relato de Enrico Marcovaldi, ligado ao instituto.

A temporada de 2026 teve menos filhotes que a média, segundo a Agência Brasil. A proporção de filhotes até setembro foi de 3,35%, contra média de 9,98% registrada desde 2014. Nos 11 cruzeiros científicos a Abrolhos, os pesquisadores contaram 431 baleias, das quais 42 eram filhotes.
Fonte: Instituto Baleia Jubarte, via Agência Brasil, outubro de 2026
Os encalhes somaram 59 neste ano, contra 78 no ano anterior, segundo a Agência Brasil. O recorde foi de 230, em 2021. Neste ano, os encalhes se concentraram em Santa Catarina e em São Paulo, e não no Espírito Santo e na Bahia, estados que costumam registrar o maior número, de acordo com a agência. A taxa bruta de natalidade da temporada passada foi de 10,7%, e o recorde, de 16,69%, foi registrado em 2024. A estimativa populacional de 2026 deve ficar um pouco abaixo da de 2022, segundo a reportagem sobre os 30 anos do instituto, que também informou que a Petrobras destina cerca de R$ 30 milhões ao ciclo atual de quatro anos de trabalho. Outros temas de serviço aparecem nas editorias Cidade e Saúde.
Fonte oficialDados do Instituto Baleia Jubarte e regras do Ibama e do ICMBio, via Agência Brasil.
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