O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou estado de emergência no sábado (31) por causa de secas e inundações associadas ao super El Niño, segundo a Agência Brasil, com informações da agência Lusa. A medida deve liberar mais recursos e equipes de socorro para as regiões mais afetadas do país vizinho. No Brasil, o boletim mais recente do Painel El Niño, coordenado por órgãos federais, prevê chuva abaixo da normal em áreas do Nordeste entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
De acordo com o relatório mais recente do Ministério da Defesa Civil boliviano, citado pela Agência Brasil, a seca atinge cerca de 78 mil famílias em seis dos nove departamentos do país. O mesmo relatório registra a perda de mais de 75 mil cabeças de gado. A matéria não informa quais departamentos estão na lista.
O que acontece nos países vizinhos
A Agência Brasil informou que outros países da América do Sul também sentem os efeitos do fenômeno climático. No Peru, há incêndios florestais com pelo menos 12 mortes e aumento dos casos de dengue. No Chile, outubro foi o mês mais chuvoso já registrado em Santiago, a capital do país, segundo a mesma reportagem.
A Organização das Nações Unidas alertou que o El Niño deste ano pode ser o mais intenso já registrado nas escalas de monitoramento usadas nas últimas quatro décadas. Em 21 de outubro, a secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, afirmou que o fenômeno pode ter intensidade sem precedentes nesse período e previu ondas de calor e seca severa em algumas regiões, com inundações em outras, de acordo com a Agência Brasil.

O El Niño é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, que altera a circulação da atmosfera e o regime de chuvas em várias partes do mundo. Segundo a Agência Brasil, com base em dados do centro de previsão climática da agência americana NOAA, as anomalias de temperatura da superfície do mar passaram de 2 °C no Pacífico equatorial central e leste no fim de setembro.
O que dizem os órgãos brasileiros
O Painel El Niño reúne o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Nacional de Águas (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil, a Secretaria Nacional de Defesa Civil e o Censipam. O quinto boletim, divulgado na quinta-feira (29), projeta a manutenção e a intensificação do fenômeno e aponta elevada probabilidade de ele atingir intensidade muito forte a partir de novembro, segundo o Inmet.
- 30 de setembro
Boletim nº 4
Painel aponta 16% do Nordeste em seca grave, o quadro mais severo do país.
- 2 de outubro
Intensidade
Painel indica 95% de chance de El Niño muito forte entre outubro e dezembro.
- 21 de outubro
Alerta da OMM
Celeste Saulo diz que o fenômeno pode ser o mais forte em quatro décadas.
- 28 de outubro
Previsão de novembro
Inmet prevê chuva abaixo da faixa normal na maior parte do Nordeste.
- 29 de outubro
Boletim nº 5
Painel prevê chuva abaixo da normal em áreas do Nordeste até janeiro.
- 31 de outubro
Emergência na Bolívia
Rodrigo Paz decreta estado de emergência por secas e inundações.
Para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027, o boletim indica maior chance de chuva acima da normal no Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste. Em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste, de acordo com o Inmet, “predominam condições favoráveis a chuvas abaixo da normal”. As temperaturas devem ficar acima da normal em quase todo o país, sobretudo no Norte.
O quarto boletim, de 30 de setembro, já apontava que 16% do Nordeste estava em seca grave, o quadro mais severo do país, e citava risco para os rebanhos do Semiárido por causa da falta de chuva e do calor. Com dados parciais de setembro do Cemaden, o boletim registrou o aumento do número de municípios em seca extrema e em seca severa no Brasil em um mês.
| Categoria | Mês anterior | Setembro |
|---|---|---|
| Seca extrema | 4 | |
| Seca severa | 153 |
Fonte: Cemaden, via Painel El Niño (boletim nº 4, Inmet, 30/09/2026)
Segundo o mesmo boletim, o maior aumento de municípios em seca severa ocorreu no Amazonas, na Bahia, no Amapá, em Alagoas e em Sergipe. Para o trimestre de outubro a dezembro, o quarto boletim previa chuva acima do normal no leste do Nordeste, um quadro que a Agência Brasil também registrou em reportagem de 2 de outubro, ao lado da tendência de menos chuva e mais calor no Norte e no Nordeste.
A previsão de novembro para a Paraíba
Na previsão para novembro, divulgada em 28 de outubro, o Inmet informa que os volumes de chuva no Nordeste devem ficar, em sua maioria, abaixo da faixa normal. A Paraíba aparece entre as áreas com chuva próxima da climatologia, ao lado do Ceará, do Rio Grande do Norte e de áreas de Pernambuco, de Alagoas e de Sergipe. Os déficits mais marcados devem ocorrer entre o litoral baiano e o interior, principalmente entre o Maranhão e a Bahia.

Para a temperatura, o Inmet prevê desvios de até 1,5 °C acima da média na região central do Nordeste, entre Pernambuco, o Ceará e o norte da Bahia, e de até 2 °C no sul do Piauí e no centro e oeste da Bahia. Perto do litoral, os desvios devem ficar entre 0,4 °C e 1 °C. A previsão não traz um número específico de temperatura para a Paraíba.
As previsões do Inmet são por trimestre e por grandes áreas, e o instituto atualiza os boletins todo mês. Outras notícias sobre o tempo e o país estão em Brasil, e os efeitos da chuva na conta de energia estão em Economia. Os avisos meteorológicos do dia podem ser consultados no portal do Inmet.
Fonte oficialPainel El Niño e previsões do Inmet, com reportagens da Agência Brasil.
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