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Super El Niño: Bolívia decreta emergência e Inmet prevê menos chuva no Nordeste

O presidente Rodrigo Paz decretou estado de emergência por seca e inundações. No Brasil, o Painel El Niño prevê chuva abaixo da normal em áreas do Nordeste até janeiro.

Vista aérea de uma comunidade ribeirinha com casas e barcos sobre o leito seco de um rio, cercada de floresta.
Rio seco no Amazonas durante a estiagem de 2023 (imagem ilustrativa). Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou estado de emergência no sábado (31) por causa de secas e inundações associadas ao super El Niño, segundo a Agência Brasil, com informações da agência Lusa. A medida deve liberar mais recursos e equipes de socorro para as regiões mais afetadas do país vizinho. No Brasil, o boletim mais recente do Painel El Niño, coordenado por órgãos federais, prevê chuva abaixo da normal em áreas do Nordeste entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

De acordo com o relatório mais recente do Ministério da Defesa Civil boliviano, citado pela Agência Brasil, a seca atinge cerca de 78 mil famílias em seis dos nove departamentos do país. O mesmo relatório registra a perda de mais de 75 mil cabeças de gado. A matéria não informa quais departamentos estão na lista.

Os efeitos da seca na Bolívia, segundo o Ministério da Defesa Civil, via Agência Brasil.
78 mil famílias afetadas pela seca, segundo o relatório mais recente
6 de 9 departamentos atingidos divisões administrativas da Bolívia
75 mil cabeças de gado perdidas mais de 75 mil, segundo o mesmo relatório

O que acontece nos países vizinhos

A Agência Brasil informou que outros países da América do Sul também sentem os efeitos do fenômeno climático. No Peru, há incêndios florestais com pelo menos 12 mortes e aumento dos casos de dengue. No Chile, outubro foi o mês mais chuvoso já registrado em Santiago, a capital do país, segundo a mesma reportagem.

A Organização das Nações Unidas alertou que o El Niño deste ano pode ser o mais intenso já registrado nas escalas de monitoramento usadas nas últimas quatro décadas. Em 21 de outubro, a secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, afirmou que o fenômeno pode ter intensidade sem precedentes nesse período e previu ondas de calor e seca severa em algumas regiões, com inundações em outras, de acordo com a Agência Brasil.

Mapa-múndi com a temperatura da superfície do mar, com área de aquecimento destacada no Pacífico equatorial.
Ilustração da área de ocorrência do El Niño no Pacífico (imagem ilustrativa). Nottus / Divulgação

O El Niño é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, que altera a circulação da atmosfera e o regime de chuvas em várias partes do mundo. Segundo a Agência Brasil, com base em dados do centro de previsão climática da agência americana NOAA, as anomalias de temperatura da superfície do mar passaram de 2 °C no Pacífico equatorial central e leste no fim de setembro.

O que dizem os órgãos brasileiros

O Painel El Niño reúne o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Nacional de Águas (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil, a Secretaria Nacional de Defesa Civil e o Censipam. O quinto boletim, divulgado na quinta-feira (29), projeta a manutenção e a intensificação do fenômeno e aponta elevada probabilidade de ele atingir intensidade muito forte a partir de novembro, segundo o Inmet.

Os alertas oficiais sobre o El Niño de 2026, segundo o Inmet e a Agência Brasil.
  1. 30 de setembro

    Boletim nº 4

    Painel aponta 16% do Nordeste em seca grave, o quadro mais severo do país.

  2. 2 de outubro

    Intensidade

    Painel indica 95% de chance de El Niño muito forte entre outubro e dezembro.

  3. 21 de outubro

    Alerta da OMM

    Celeste Saulo diz que o fenômeno pode ser o mais forte em quatro décadas.

  4. 28 de outubro

    Previsão de novembro

    Inmet prevê chuva abaixo da faixa normal na maior parte do Nordeste.

  5. 29 de outubro

    Boletim nº 5

    Painel prevê chuva abaixo da normal em áreas do Nordeste até janeiro.

  6. 31 de outubro

    Emergência na Bolívia

    Rodrigo Paz decreta estado de emergência por secas e inundações.

Para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027, o boletim indica maior chance de chuva acima da normal no Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste. Em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste, de acordo com o Inmet, “predominam condições favoráveis a chuvas abaixo da normal”. As temperaturas devem ficar acima da normal em quase todo o país, sobretudo no Norte.

O quarto boletim, de 30 de setembro, já apontava que 16% do Nordeste estava em seca grave, o quadro mais severo do país, e citava risco para os rebanhos do Semiárido por causa da falta de chuva e do calor. Com dados parciais de setembro do Cemaden, o boletim registrou o aumento do número de municípios em seca extrema e em seca severa no Brasil em um mês.

Municípios brasileiros em seca, de agosto para setembro de 2026, segundo dados parciais do Cemaden no Painel El Niño.
Categoria Mês anterior Setembro
Seca extrema 4 24
Seca severa 153 197

Fonte: Cemaden, via Painel El Niño (boletim nº 4, Inmet, 30/09/2026)

Segundo o mesmo boletim, o maior aumento de municípios em seca severa ocorreu no Amazonas, na Bahia, no Amapá, em Alagoas e em Sergipe. Para o trimestre de outubro a dezembro, o quarto boletim previa chuva acima do normal no leste do Nordeste, um quadro que a Agência Brasil também registrou em reportagem de 2 de outubro, ao lado da tendência de menos chuva e mais calor no Norte e no Nordeste.

A previsão de novembro para a Paraíba

Na previsão para novembro, divulgada em 28 de outubro, o Inmet informa que os volumes de chuva no Nordeste devem ficar, em sua maioria, abaixo da faixa normal. A Paraíba aparece entre as áreas com chuva próxima da climatologia, ao lado do Ceará, do Rio Grande do Norte e de áreas de Pernambuco, de Alagoas e de Sergipe. Os déficits mais marcados devem ocorrer entre o litoral baiano e o interior, principalmente entre o Maranhão e a Bahia.

Pessoas caminham à sombra de árvores numa alameda de parque, em dia de sol forte.
Pessoas buscam a sombra em parque num dia de calor (imagem ilustrativa). Paulo Pinto / Agência Brasil

Para a temperatura, o Inmet prevê desvios de até 1,5 °C acima da média na região central do Nordeste, entre Pernambuco, o Ceará e o norte da Bahia, e de até 2 °C no sul do Piauí e no centro e oeste da Bahia. Perto do litoral, os desvios devem ficar entre 0,4 °C e 1 °C. A previsão não traz um número específico de temperatura para a Paraíba.

As previsões do Inmet são por trimestre e por grandes áreas, e o instituto atualiza os boletins todo mês. Outras notícias sobre o tempo e o país estão em Brasil, e os efeitos da chuva na conta de energia estão em Economia. Os avisos meteorológicos do dia podem ser consultados no portal do Inmet.

Fonte oficialPainel El Niño e previsões do Inmet, com reportagens da Agência Brasil.

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