As emissões globais de gases de efeito estufa precisam cair 18% até 2030 para que o aquecimento do planeta seja limitado, segundo o Relatório de Lacuna de Emissões 2026 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado nesta segunda-feira (2) e noticiado pela Agência Brasil. O documento, intitulado “O Ponto Sem Retorno”, afirma que os compromissos atuais dos países estão aquém do necessário, mas apresenta evidências de que ainda é possível voltar a 1,5°C de aquecimento até 2100.
Pelas contas do Pnuma, o aquecimento pode ficar entre 1,7°C e 1,8°C e depois retornar a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais até o fim do século se as emissões caírem 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, sempre na comparação com 2025. O relatório indica que isso exige um corte médio anual de cerca de 5,7% entre 2025 e 2035, de acordo com a Agência Brasil.
Fonte: Pnuma, Relatório de Lacuna de Emissões 2026, via Agência Brasil
O que o relatório projeta
A trajetória atual de emissões levaria o aquecimento a até 2,8°C neste século, segundo o Pnuma. O relatório traça também um cenário mais otimista: mesmo que as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), as metas climáticas apresentadas por cada país, sejam integralmente cumpridas e a restauração de biomas neutralize emissões até 2050, o aquecimento ainda poderia alcançar 2,1°C, de acordo com a Agência Brasil.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “ultrapassar a meta não significa desistir”. Segundo a Agência Brasil, ele disse que ainda é possível trazer a temperatura de volta para abaixo de 1,5°C até o fim do século. A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, afirmou que os casos bem-sucedidos mostram que as emissões podem ser reduzidas com rapidez e que “agora cabe às nações implementar urgentemente políticas que promovam reduções de emissões rápidas”, profundas e sustentadas.
O conceito de ultrapassagem temporária aparece no centro do documento. Ele descreve o período em que a temperatura média fica acima da meta de 1,5°C antes de voltar a cair. Segundo o relatório, os impactos crescem conforme a ultrapassagem é maior e mais longa: elevação do nível do mar, colapso de recifes de corais, ondas de calor, incêndios florestais e mudanças na criosfera, o conjunto de áreas cobertas por gelo no planeta.

Um dos exemplos citados pela Agência Brasil trata das geleiras do mundo: o derretimento de um quarto delas poderia elevar o nível do mar em até 12,5 centímetros. O efeito atinge diretamente as cidades costeiras, onde vive parte expressiva da população mundial. A criosfera inclui geleiras de montanha, mantos de gelo polares e o gelo marinho, e as mudanças nessas áreas aparecem no relatório entre os impactos que se agravam com a ultrapassagem. Quanto mais tempo a temperatura passar acima de 1,5°C, maior tende a ser a perda de gelo, segundo a lógica descrita pelo Pnuma.
As políticas que funcionaram
Para medir o que dá resultado, o Pnuma revisou mais de 220 avaliações de políticas climáticas adotadas em diferentes países. Segundo o relatório, as políticas voltadas ao setor elétrico reduziram as emissões em cerca de 9% em média. Os instrumentos econômicos, como impostos sobre carbono e sistemas de comércio de emissões, cortaram entre 5% e 13%, de acordo com a Agência Brasil.
Na leitura de Inger Andersen, esses resultados servem de prova de que o corte de emissões pode ser acelerado quando há política pública adequada. O relatório reúne, ao mesmo tempo, o diagnóstico de que as metas nacionais em vigor não bastam e a indicação de caminhos que já mostraram efeito na prática. A combinação desses dois pontos é o que sustenta a conclusão do Pnuma de que a meta de 1,5°C ainda pode ser recuperada até 2100.

O documento não traz recortes por país na reportagem da Agência Brasil, e não há dados específicos sobre o Brasil, a Paraíba ou Campina Grande. As metas por década valem para o conjunto das emissões globais, e o cumprimento depende das políticas adotadas por cada governo a partir de agora. Outras notícias nacionais estão na editoria Brasil, e temas ligados a impacto no dia a dia, como calor e saúde, aparecem em Saúde.
Os próximos marcos
O primeiro marco do calendário de cortes é 2030, quando as emissões deveriam estar 18% abaixo do nível de 2025. Em seguida vêm 2035, com 45%, e 2040, com 69%. Segundo o relatório, sem essa sequência de reduções o cenário de ultrapassagem fica maior e mais longo, e os impactos associados ficam mais intensos. A íntegra do estudo está disponível no site do Pnuma, em inglês, e reúne os cenários, as análises de políticas e a descrição dos impactos citados pela Agência Brasil. O relatório é publicado todos os anos e serve de referência para as negociações climáticas entre os países, que discutem novas metas e a revisão das NDCs. A comparação com 2025 é a base usada pelo Pnuma para todos os percentuais de corte apresentados no documento, o que permite acompanhar, ano a ano, se o mundo se aproxima ou se afasta do caminho traçado pelo relatório. Indicadores ligados à energia e aos preços estão em Economia.
Fonte oficialRelatório do Pnuma, via Agência Brasil.
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