A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novas canetas injetáveis com semaglutida ou liraglutida, segundo a Agência Brasil. Três medicamentos são indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e dois para a obesidade, neste caso associados a exercícios físicos e mudança na alimentação. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União pela Resolução RE nº 4.244, de 28 de outubro de 2026.
Com os novos registros, a Anvisa soma 20 canetas de GLP-1 aprovadas em 2026, de acordo com a Agência Brasil. Os cinco produtos são fabricados por duas empresas da Índia, a Biocon e a OneSource Specialty, e tiveram o registro sanitário concedido a três empresas que atuam no Brasil: Farma Vision, Aché e Dr. Reddy’s. A reportagem é do repórter Alex Rodrigues, de Brasília.
Quais são os medicamentos
Os produtos aprovados usam dois princípios ativos: a semaglutida e a liraglutida. Para o diabetes tipo 2, foram registrados o Aribet, de liraglutida, e o Embeltah e o Sevema, ambos de semaglutida. Para a obesidade, os dois produtos aprovados, Lyrza e Wylovol, têm liraglutida como substância ativa.
| Medicamento | Princípio ativo | Indicação | Fabricante | Empresa registrante |
|---|---|---|---|---|
| Aribet | Liraglutida | Diabetes tipo 2 | Biocon | Farma Vision |
| Embeltah | Semaglutida | Diabetes tipo 2 | OneSource Specialty | Dr. Reddy's |
| Sevema | Semaglutida | Diabetes tipo 2 | OneSource Specialty | Aché |
| Lyrza | Liraglutida | Obesidade | Biocon | Farma Vision |
| Wylovol | Liraglutida | Obesidade | Biocon | Farma Vision |
Fonte: Agência Brasil, com base na Resolução RE nº 4.244 da Anvisa
Segundo a Agência Brasil, a Farma Vision Importação e Exportação de Medicamentos responde pelos três produtos de liraglutida fabricados pela Biocon: Aribet, Lyrza e Wylovol. Os dois de semaglutida vêm da OneSource Specialty. O Embeltah foi registrado pela Dr. Reddy’s Farmacêutica do Brasil, e o Sevema, pela Aché Laboratórios Farmacêuticos.
- Liraglutida (Aribet, Lyrza, Wylovol) 3
- Semaglutida (Embeltah, Sevema) 2
Na divisão por substância, a liraglutida aparece em três dos cinco registros, e a semaglutida, em dois. Todos os produtos de liraglutida vêm do mesmo fabricante, a Biocon, e chegam ao país pela mesma empresa registrante. Já os dois de semaglutida têm o mesmo fabricante, a OneSource Specialty, mas foram registrados por empresas diferentes. Pela reportagem, as indicações também se separam por substância: a semaglutida aparece nos dois produtos para diabetes tipo 2, enquanto a liraglutida está presente tanto no Aribet, para diabetes, quanto nos dois indicados para obesidade. A Agência Brasil não detalha doses, apresentações nem número de registro de cada produto; a reportagem remete à resolução publicada no Diário Oficial da União.

Como esses remédios agem
A semaglutida e a liraglutida pertencem ao grupo dos agonistas do receptor GLP-1, explica a Agência Brasil. O GLP-1 é um hormônio produzido pelo intestino depois da alimentação e que sinaliza saciedade ao cérebro. Os medicamentos desse grupo imitam a ação do hormônio, e por isso ficaram conhecidos como canetas emagrecedoras, nome usado de forma popular para todos os produtos da classe. Na prática, o termo reúne remédios com indicações diferentes: parte deles é aprovada para o controle do diabetes tipo 2, e parte para o tratamento da obesidade, como mostra a própria lista de registros da RE nº 4.244. A indicação que vale para cada produto é a que consta do registro concedido pela agência.
No caso da obesidade, a indicação aprovada prevê o uso do remédio junto com atividade física e mudança na alimentação, segundo a reportagem. Para o paciente, o registro significa que esses produtos passam a ter autorização da Anvisa para ser comercializados no país pelas empresas responsáveis. A escolha do tratamento, a dose e o acompanhamento cabem ao médico, e o CG em Foco não faz recomendação de uso de nenhum medicamento.
A matéria da Agência Brasil não informa preço dos novos produtos, data de chegada às farmácias nem regras de prescrição específicas para eles. Também não há, no texto, previsão de que essas cinco canetas sejam oferecidas pela rede pública. Mais notícias da área estão na seção de saúde do CG em Foco.
Canetas sem registro e oferta no SUS
A aprovação ocorre semanas depois de outra decisão da agência sobre o tema. Em 14 de outubro, a Anvisa determinou a apreensão de produtos vendidos em sites na internet, entre eles canetas com retatrutida e tirzepatida, segundo a Agência Brasil. De acordo com a agência, os produtos alvo da medida não podem ser fabricados, importados, distribuídos, divulgados nem usados. A Anvisa informou que a retatrutida não tem registro em nenhum país.
- 18 de setembro
Anúncio do SUS
Ministério da Saúde informa que vai ofertar canetas para pacientes com obesidade, seguindo protocolo ainda a ser definido.
- 14 de outubro
Apreensão
Anvisa determina a apreensão de canetas sem registro vendidas em sites.
- 28 de outubro
Resolução RE nº 4.244
Data da resolução que registra as cinco novas canetas.
- 1º de novembro
Divulgação
Agência Brasil noticia a aprovação; o total do ano chega a 20 canetas de GLP-1.
Em setembro, o Ministério da Saúde anunciou que o Sistema Único de Saúde vai ofertar canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade, de acordo com a Agência Brasil. Segundo o ministério, a oferta deve seguir um protocolo clínico ainda a ser definido com base em estudos. Um estudo-piloto com 250 pacientes do SUS ocorre no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, com pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças, entre elas pacientes na fila da cirurgia bariátrica.

O estudo, segundo o ministério, pretende verificar se a medicação controla a obesidade a ponto de dispensar a cirurgia bariátrica, além de avaliar a redução de problemas cardíacos e da volta do câncer de mama. O princípio ativo citado no estudo é a semaglutida. A reportagem sobre as cinco novas canetas não relaciona os produtos recém-registrados a esse piloto nem a outras políticas públicas. Outros temas nacionais estão em Brasil.
As fontes consultadas não trazem dados específicos sobre Campina Grande ou a Paraíba. Como o registro da Anvisa vale para todo o país, a autorização de venda dos cinco produtos se aplica também ao estado, sem informação sobre prazo de chegada ao comércio local.
Fonte oficialRegistro publicado pela Anvisa no Diário Oficial da União, via Agência Brasil.
Publicado em · Política de correções
Comentários